MEDICINA DO CAPITAL / ONCOLOGIA DA MORTE /

O tratamento oficial do câncer traz mais anos de vida e mais qualidade de vida? Pesquisa inglesa mostra o contrário.

Gilson Dantas

Brasília

sábado 3 de agosto| Edição do dia

Crédito de imagem: www.express.co.uk

Ser submetido ao moderno tratamento de câncer é, para o paciente, uma esperança de que será curado e/ou terá mais qualidade de vida. Graças ao tratamento oncológico. E modernos tratamentos devem ser melhores, mais eficientes. Esse é o pensamento do senso comum.

No entanto, os labirínticos e bem remunerados caminhos da oncologia dominante são mais complexos.

Estudo levado adiante por pesquisadores ingleses e publicado poucos anos atrás pelo The Guardian, mostram exatamente o contrário e transformam aquela crença em mais uma lenda urbana ou médica, como se queira.

Os pesquisadores focaram nas 48 novas drogas contra o câncer que chegaram recentemente ao mercado, aprovadas por agência europeia [European Medicines Agency] entre 2009 e 2013, usadas como tratamento oncológico, em dezenas de situações diferentes.

Huseyin Naci, professor de política de saúde da London School of Economics foi co-autor do estudo, publicado pelo prestigiado British Medical Journal. Seu objetivo? Checar se as drogas que entram no mercado trazem reais benefícios.

Os estudiosos se ocuparam dos seguimentos clínicos vinculados a cada droga e concluíram que – em sua esmagadora maioria – elas não promoveram nem a sobrevida e nem a qualidade de vida dos pacientes tratados.

Esse estudo foi publicado no The Guardian, em outubro de 2017
e revelou que, “quando aquelas drogas tornaram-se disponíveis para tratamento, não existia evidência conclusiva de que elas promoviam sobrevivência do paciente em quase DOIS TERÇOS dos casos para os quais elas foram aprovadas”. O título da matéria era “Mais da metade das novas drogas contra o câncer não mostrou benefício na sobrevivência ou no bem-estar”.

A equipe descobriu que “depois de um período de três a oito anos, 49% dos usos aprovados não estavam vinculados a qualquer sinal claro de melhora na sobrevivência ou qualidade de vida. E ali onde benefícios de sobrevivência foram mostrados, eram clinicamente sem significado em quase metade dos casos”.
Eles lamentaram que as empresas de drogas oncológicas não investem em seguimentos clínicos de longo prazo para demonstrar seus benefícios.

A droga entra no mercado, vai sendo usada ampla e regularmente na oncologia, mas os donos do capital não querem saber se elas realmente funcionam conforme a propaganda ou a bula. Se cumprem o que prometem não é problema deles. Seu problema é abastecer os grandes centros oncológicos de novas drogas, de mais drogas a cada dia e seguir acumulando capital.

Carl Heneghan, um doutor em oncologia, professor da Universidade de Oxford, declarou que “É difícil de entender porque metade das drogas foram aprovadas se não trazem qualquer benefício clínico significativo”.

Não deixa também de ser uma evidência de como a moderna oncologia é muito pouco baseada em ciência, em evidências clínicas. A taxa média de lucro e de acumulação do capital é seu grande critério “científico”.

E os capitalistas? Bem, os donos da big pharma argumentaram, na matéria, que tais pesquisas de seguimento clínico poderiam ser muito caras e de longo prazo.

Certamente sim, ou seja, seguramente iriam consumir uma fatia da massa de capital que eles acumulam, regularmente em cima da infelicidade e do sofrimento da família que tem um paciente com câncer.

Um problema político.
Sem que os organismos da classe trabalhadora, em especial da área de saúde e também dos pacientes que são vítimas desse sistema, entrem em ação, convertam-se em um poder político material e questionem essa medicina do lucro e da morte, nada vai mudar, seriamente.
Esse é o impasse atual da medicina mercenária dominante, que é controlada apenas pela casta médica [CRMs etc] e seu Estado capitalista e sobre a qual nem a família trabalhadora e nem a opinião pública mais democrática tem qualquer peso ou controle.
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