Política

CORTES

O tarifaço neoliberal do PSB em Brasília

Com o argumento de que precisa “reequilibrar o caixa”, e de que é preciso “sacrifícios”, o governador Rollemberg (PSB), do DF, acaba de baixar um pacote de medidas visceralmente contra a economia popular.

Gilson Dantas

Brasília

sábado 19 de setembro de 2015| Edição do dia

São medidas na linha do “ajuste” do governo federal e seu conteúdo é claramente o de descarregar nas costas da classe trabalhadora e do funcionalismo público o rombo causado pela elite política sobre os cofres do Distrito Federal.

Já neste domingo estão previstos aumentos de transportes, com metrô subindo de 3 para 4 reais, os ônibus aumentando em 50% (de 2 para 3 reais, de 1,5 real para 2,25 reais, conforme a linha), e com suspensão de concursos públicos e proposta de aumento de impostos, neste caso, enviada para a Assembleia de deputados local (CLDF). Visitas ao jardim zoológico receberão aumento de 400% , passando de 2 para 10 reais por pessoa.

Além disso, o governo “socialista” tomou a deplorável medida de suspender o aumento de salário do funcionalismo público (já anunciado desde o ano passado) e também aumentou IPTU, TV por assinatura, cigarro, bebida. Aumento de impostos por todo lado, mais transportes, que já eram caros e ruins, agora pioram de vez. E ainda por cima Rollemberg executou o maior aumento de preço da história dos restaurantes comunitários (única alternativa para o povo pobre e moradores de rua), neste caso a refeição que custava 1 real desde 2001, sobe para 3 reais.

Também está lançando um plano de demissões voluntárias: sem concurso e com demissões em massa, está claro o horizonte de precarização de serviços públicos como educação e saúde, que já andam fundamentalmente abandonados em Brasília...

O discurso do governador não poderia ser mais criativo: falta dinheiro em caixa? Então aumentamos os impostos, e da forma mais regressiva possível, mais antipopular que se possa.

“A crise que nós encontramos no Distrito Federal é muito grande, exige sacrifícios, medidas duras, mas são medidas necessárias para reequilibrar o caixa”, declarou cinicamente o governador, já que nos ricos e na burguesia local que enriqueceu com dinheiro público e que deve horrores ao Estado, ele não toca. Também estamos diante de um escandaloso estelionato eleitoral, de parte de um candidato que prometeu, em campanha, não aumentar impostos e trabalhar a favor dos pobres. E não atacar os direitos dos 120 mil funcionários públicos de Brasília.

O que fica claro é que em uma situação de crise os ricos são intocáveis; o que é outra maneira de dizer que o governador “socialista” vem para governar para os ricos, como os demais governadores no capitalismo.

Para isso conta com a estratégica ajuda da burocracia sindical. Como diz ele, “me reuni com representantes de sindicatos [ontem]. Viemos anunciar a suspensão do pagamento do aumento dos salários relativos a 1º de setembro”. A gorda camarilha sindical da CUT e demais centrais em vez de cerrar fileiras com os trabalhadores, trata de costurar acordos com um governo claramente anti-operário e anti-funcionalismo público, coisa que Rollemberg já vem dando mostras desde seu primeiro dia de governo (e por isso viu protestos de rua nem bem foi empossado).

A pergunta que a classe trabalhadora se faz: o caixa está desequilibrado? E quem desequilibrou o caixa? Onde está o dinheiro público que falta, considerando que somos obrigados a pagar impostos sistematicamente. Este é o debate público que as oposições sindicais e partidos como o PSTU e o PSOL deveriam promover em todo lado. O objetivo: não é a classe trabalhadora que tem que pagar a conta que não é dela. As grandes empreiteiras que vivem à sombra do dinheiro público, os políticos corruptos seus aliados e a banca devem ser o primeiro alvo. Não o bolso já minguado da classe que vive do trabalho.

A outra pergunta: se falta dinheiro por que os coronéis da polícia militar ganharam aumento agora e já contam com aumento garantido para o ano que vem? Por que o auxílio-moradia da mesma polícia ganhou aumento de 100%? Por que a crise só arrebenta nos professores e trabalhadores, mas não na polícia? Será que o mais estratégico para o governo é a polícia (que vai bater em professores que se manifestem em defesa legítima dos seus direitos violados)? E o discurso da educação? Da ética? Qual a ética de dar aumento para polícia e repressão para professores?

Com este tarifaço o governo local não apenas se alinha com o ajuste neoliberal do governo federal lulo-petista como deixa claro a serviço de quem ele se coloca.

Resta aos funcionários públicos e trabalhadores em geral levarmos adiante nosso dever de casa: a organização de um movimento de resistência, de frente única de classe, nas barricadas, contra o ajuste e em defesa da organização pela base para tomarmos em nossas mãos os sindicatos, cuja burocracia, antes de mais nada, está preocupada em fazer acordos com um governador anti-povo e preservar seus privilégios.




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