Mundo Operário

DEMISSÕES NA LATAM

“O responsável pela miséria das famílias é o Jerome Cardie, CEO da LATAM”, diz funcionário em ato

Nessa quinta (6), no início da tarde, aconteceu em Guarulhos um ato dos aeronautas da LATAM, após o anúncio de 2700 demissões feita pela empresa. Com faixas e cantando palavras de ordem, os trabalhadores da empresa mostraram que não irão aceitar nem as demissões, e nem as tentativas da empresa em impor reduções salariais de forma permanente.

quinta-feira 6 de agosto| Edição do dia

A categoria corretamente está com raiva, pois todos os trabalhadores dizem como nesses anos se dedicaram ao trabalho e agora estão sofrendo as ameaças de demissões num momento de recorde de desemprego. Isso é na pratica deixar as famílias sem sustento e a responsabilidade dessa política que a empresa esta tomando é do Jerome Cardie, CEO da LATAM e toda alta cúpula da empresa.

Mesmo frente a essa situação critica, em live o CEO se referiu aos aeronautas como “jabuticabas”, para atacar a categoria e suas condições de vida em meio à pandemia. Um claro deboche aos funcionários da empresa e mostra como os objetivos da LATAM são também de aproveitar a pandemia para garantir os lucros em base a redução de salários e sobrecarga dos trabalhadores que não forem demitidos.

“Nossos colaboradores estão questionando porque é que a gente precisa reduzir o salário permanentemente. Trabalhamos com o fato de que a crise não será passageira, a demanda não vai voltar como era(...)”, diz ele. Contudo ele não diz sobre os 900 milhões de dólares de auxilio que a LATAM recebeu de seus acionistas, como a Qatar e a família Cueto, esse valor é mais que 4 bi de reais, sem contar os lucros que foram repartidos entre os acionistas e todo capital acumulado da empresa, que poderia seguir sustentando todos trabalhadores para passar pela crise sem que ninguém fosse demitido.

Contudo para isso os altos cargos, CEOs e acionistas teriam que abrir mão de seus lucros, luxos e rendimentos, mas pelo contraio, o que eles impõem é que para manter seus privilégios, demitam e tirem a fonte de renda de milhares de trabalhadores.

“Vamos ter que enxugar a Latam Brasil e demitir. A realidade se impõem”. Jerome Cardie mostra a face mais nojenta do empresariado e da burguesia que batalha a todo o custo para não perder seus lucros, não importa quantas famílias sejam atacadas e percam seus empregos. Durante toda a pandemia as MPs aprovadas pelo governo Bolsonaro foram justamente para dar toda a liberdade para que os empresários pudessem atacar e retirar direitos de forma permanente tal como queiram.

A LATAM já havia demitido cerca de 2000 funcionários aeroviários este ano, também durante a pandemia, gerando bastante revolta entre os trabalhadores da empresa. E agora prepara seus canhões para descontar ainda mais as conseqüências da crise em seus funcionários.

Essa situação só reforça como são os trabalhadores que deveriam definir como responder a crise, são eles que deram seu trabalho e esforços para fazer os aviões voarem e os aeroportos funcionarem. Mostra a contradição do capitalismo que deixa os lucros e riqueza nas mãos de alguns poucos enquanto quando surge as crises descarregam seus custos nos trabalhadores.

O ato que ocorreu hoje mostrou a vontade de luta da categoria e que só os trabalhadores podem impedir esses ataques. Para isso a luta precisa se massificar e o sindicato tem a obrigação de atender aos interesses dos trabalhadores e usar toda sua estrutura para chamar assembléias presenciais, e novos atos. A categoria de aeronautas e aeroviários tem um peso enorme, pode parar os vôos, que é o cenário do qual o CEO e o governo mais teme. Isso poderia ser um exemplo para outras categorias. Por isso a importância de impedir de que sejam os próprios trabalhadores que tomem as rédeas dessa luta, que definam seus planos, e não o sindicato negociando de portar fechadas tentando impedir qualquer medida mais contundente.

As outras centrais sindicais, principalmente a CUT da qual o sindicato de Aeroviários faz parte, deveria se colocar ao lado dessa luta. A revolta dos trabalhadores pode obrigar que o sindicato organizem uma assembléia e chame novas manifestações, contudo a organização de base é fundamental nesse processo, para que as direções não desviem e travem o movimento. Uma forma de organizar democraticamente é que os trabalhadores tirem seus próprios representantes em assembleias para participar das negociações e estar a frente de organizar o plano de luta.

Nós do Esquerda Diário nos colocamos em total solidariedade à luta dos aeronautas por seus empregos e por suas condições de vida, e dizemos: não vamos aceitar nenhuma família na rua, e nenhum ataque aos diretos dos trabalhadores!

Como disseram os aeronautas em sua manifestação: “Jerome, preste atenção, jabuticaba não levanta avião!”




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