Cultura

RACISMO

O racismo do mainstream cultural deixa centenas para fora no espetáculo "Peles Negras, Máscaras Brancas"

Leticia Parks

Brasília - DF

quinta-feira 26 de janeiro de 2017| Edição do dia

Ontem (25), ocorre na Galeria Olido a primeira adaptação a dança da grande obra de Frantz Fanon, "Peles Negras, Máscaras Brancas".

A obra, publicada em 1963, foi fruto de uma pesquisa inovadora de etnocentrismo promovida pelo pesquisador em psicologia, um dos primeiros negros a publicar em língua francesa e a alcançar grande público através de uma denúncia do racismo e do colonialismo, caracterizando as ações e os sintomas do racismo como doença.

Em tempos difíceis, cada dia mais as negras e negros procuram espaços onde possam refletir sobre sua identidade e sobre os grandes temas da política sobrevoados pelo racismo e pela questão negra.

Fruto disso, a fila para o espetáculo, que foi apresentado na Galeria Olido, dava voltas no quarteirão. As 297 poltronas disponibilizadas pelo espaço do teatro não foram suficientes e centenas de pessoas tiveram que adiar a ida ao espetáculo do grupo Treme Terra, que ainda não tem nova data para se apresentar.

A falta de cadeiras não foi o problema para as centenas de espectadores decepcionados. O problema é, nas palavras do diretor, João Nascimento, o fato de "A agenda negra ser exclusividade de novembro. Nada contra termos várias coisas pra discutir no 20 de novembro, mas não tem espaço pra gente em nenhum outro momento do ano. E as negras e os negros querem poder falar das questões que provocam a gente, que dizem respeito a nossa história e a nossa identidade. Agora também querem arrancar essa data da gente também, aí não sobra nada".

A tendência da agenda higienista de Dória, que já cobriu de cinza o maior mural de grafite da América Latina, é atacar também não apenas o 20 de novembro, mas todos os espaços existentes para que os negros possam apresentam sua arte, cultura, história e produção.

Certamente, se houvessem mais e não menos espaços como esse que presenciamos hoje, centenas não sairiam de mãos abanando, mas contentes com esse grande espetáculo de raça.




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