Internacional

ELEIÇÕES ESTADOS UNIDOS

O que temos que saber sobre a eleição de 8 de novembro nos EUA?

Trump vs. Clinton, a batalha final. Poderia ser o título de um filme mas são as eleições dos Estados Unidos. Como funciona o sistema eleitoral? É a maior democracia do mundo?

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

terça-feira 25 de outubro| Edição do dia

Na terça-feira dia 8 de novembro acontecerão as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Seguidas em todo o mundo, estas eleições não despertam tanto entusiasmo entre os votantes estadunidenses. Desde as primárias, que seguimos no Esquerda Diário, se fez evidente uma crise profunda do sistema bipartidarista.

Desde a primeira eleição primária no estado de Iowa se fez escutar a mensagem antiestabilishment. Dois “outsiders” se transformaram em porta vozes do descontentamento com a elite política, Donald trump e Bernie Sanders entre os democratas. Um pela direita e outro com um discurso progressista deixaram claro que estas eleições não seriam uma competição monótona com final previsto.

O partido republicano culminou suas primárias dividido, quase partido ao meio, com a base que erigiu Trump como candidato por um lado, e o establishment do partido que fazia apostas desesperadas por outro. A fenda não se fechou e o partido marcha as eleições gerais com um candidato que quase ninguém apoia.

O partido Democrata sorteou a implosão, mas a candidatura de Bernie Sanders se transformou na cinta ao redor da bomba que terminou, mais por Sanders que por sua base, prestando um serviço indispensável ao establishment democrata. Hillary Clinton ganhou as internas mas não os corações da base democrata que chega as eleições gerais com mais medo de Trump que entusiasmo por sua candidatura.

Depois de mais de um ano e meio de campanha, chega o dia decisivo, a batalha final: Trump vs. Clinton. Clinton vs. Trump. Como funciona o sistema eleitoral? Quem elegerá o próximo presidente?

Como, quando, onde

O voto é optativo nos Estados Unidos. Além do mais os eleitores tem que se registrar previamente e nem todas as pessoas em condições de votas (segundo a lei: cidadãos e cidadãs maiores de 18 anos), podem fazê-lo. Quem fica de fora?
Em muitos estados as pessoas que estiveram presas ou tem algum antecedente criminal não podem votar. Isso limita especialmente a participação de jovens negros e latinos, que tem as maiores taxas de encarceramento.
As eleições presidenciais se realizam na terça feira dia 8 de novembro. Sim, é um dia de trabalho e muitos trabalhadores e trabalhadoras devem pedir permissão para ir aos centros de votação. Somente aqueles filiados a sindicatos tem permissão para sair do trabalho para irem votar (recordemos que a sindicalização é muito baixa nos Estados Unidos, cerca de 6% no setor privado e 7% no público).

Colégio eleitoral, o que é isso?

O Colégio Eleitoral é a instituição que elege o Presidente dos Estados Unidos. Nas eleições gerais, cada estado tem uma quantidade de eleitores no Colégio (segundo a quantidade de deputados e vereadores). Para ganhar a presidência tem que conseguir 270 dos 538. Se nenhum dos candidatos chega ao “número mágico”, a Câmara de representantes (deputados) elege o presidente e uma delegação por cada estado tem o direito a um voto.

Então a eleição não é direta?

Na realidade não. Nas eleições gerais, eleitoras e eleitores votam nos delegados do Colégio Eleitoral. Isto faz com que possa divergir o vencedor do voto popular ao voto eleitoral. Um exemplo disso foi a eleição de 2000 onde o candidato democrata Al Gore ganhou em quantidade de votos (voto popular) e não no colégio eleitoral, que terminou elegendo George W. Bush.

A maior democracia do mundo?

O complexo sistema de eleições internas e as diferentes instâncias da eleição dão a corrida presidencial um aparente “espírito” democrático. Sem dúvida, o processo eleitoral é muito restritivo e reservado as maquinas milionárias dos partidos Republicano e Democrata. É virtualmente impossível a participação da esquerda, dos trabalhadores e outras organização sociais. Existiram candidatos por fora dos dois partidos tradicionais, como o conservador Ross Perot, nos anos 90 ou Ralph Nader nos 2000, que alcançou uma importante repercussão por seu programa contra as corporações.

Em 2016, produto da crise do bipartidarismo, surgiram outros candidatos na campanha. O três mais destacados são Jill Stein, pelo Partido Verde (centro esquerda), a quem um setor de votantes de Bernie Sanders promete votar. Os dois restantes, de centro direita, são Evan McMullin que se apresenta de forma independente e num estado como Utah canaliza grande parte dos votos republicanos que não apoiam Trump, ainda que não tem podido projetar em nível nacional. Por último, Gary Johnson do Partido Libertário, que pouco tem a ver com liberdade, que também recebe uma parte dos votos republicanos que perde Trump.
O que são os “swing states”? O que é um estado “battleground”?
Do que fala essa gente? Os “swing states” (pela palavra pêndulo em inglês) são os estados onde as pesquisas não mostram um claro ganhador. Por isso também os conhecem como os “toss Up States”, que significa lançar uma moeda para definir o resultado.

Há estados chave para ganhar. Nos estados “battleground” (por campo de batalha) os partidos medem suas forças e não está definido quem pode ganhar. No início da campanha se definem os estados onde cada partido destinará mais recursos porque o tamanho continental dos Estados Unidos não permite fazer uma campanha em nível nacional. Se joga estado por estado. Alguns são importantes pela quantidade de eleitores no colégio, outros pela composição demográfica de seu eleitorado, ou por ambas.

O candidato que ganha no estado mesmo que seja por um voto ganha TODOS os delegados do colégio eleitoral, salvo em dois estados onde a distribuição é proporcional, Maine e Nebraska.

Há estados como Ohio ou Flórida que sempre são chave, pela quantidade de eleitores e porque tem eleito diferentes partidos ao longo dos anos, por exemplo, geralmente dizem que quem ganha na Flórida ganha a Casa Branca, mesmo que nem sempre tenha sido assim. O resto vai variando em cada eleição. Para a maioria das agências de pesquisa e meios de comunicação, em 2016, os estados chave são Florida (29) eleitores), Ohio (18), Carolina do Norte (15), Nevada (6), Minessota (10), Indiana (11), Iowa (6), Maine (2) e Arizona (11).

Por que todos falam de Ohio?

Ohio tem 18 eleitores, e representa uma mostra aproximada do eleitorado dos Estados Unidos. Em Ohio há cidades grandes como Cleveland que tem o pulso urbano, mas também tem grandes extensões rurais (um setor muito importante e representativo do país) e grandes zonas industriais. Que ainda que atravessam anos de decadência, são importantes politicamente como já se viu nas internas.

Bil Clinton ganhou em Ohio em 1992 (por dois pontos) e em 1996 (por 6). George W, Bush ganhou em 2004 por uma margem pequena também, um pouco mais de 118 mil votos. Em 2008 ganhou Obama com 3 pontos de diferença e em 2012 com 4,6 pontos.
E por que falam da Flórida?

Florida é importante centralmente por dois motivos: a quantidade de delegados do Colégio Eleitoral (29), e o peso do voto latino, um setor chave para ganhar a eleição. A população latina, com uma importante maioria cubana exilada a revolução de 1959, tendia a inclinar-se aos republicanos (1980, 1984, 1988, 1992, 2000 e 2004), mas nas últimas eleições presidenciais votou pelos democratas, quando acompanhou a tendência geral na comunidade latina que apoiou majoritariamente Obama. Em 2016, volta a estar em jogo.

Florida é um exemplo do peso que tem as mudanças demográficas nas eleições, blocos eleitorais como as mulheres (especialmente solterias), os negros e os latinos se transformaram em setores chave, como já demonstrou a primeira eleição de Obama. Como em 2008, nestas eleições presidenciais prometem ser decisivos.




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