Política

MOVIMENTO BRASIL LIVRE

O que se esconde por trás do Movimento Brasil Livre (MBL)

sexta-feira 25 de março de 2016| Edição do dia

De acordo com a revista britânica "The Economist", o Movimento Brasil Livre foi criado em 2015 ‘’para promover as respostas do livre mercado para resolver os problemas do país’’. De acordo com a matéria da Carta Capital, o MBL tem como colunista Luan Sperandio Teixeira, que é colaborador da rede Estudantes para Liberdade. Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal de Estudos Empresariais e diretor executivo do Instituto Ordem Livre.

Para entender melhor o MBL e também a rede Estudantes para a Liberdade, é preciso ver quem são os seus financiadores. Por trás desse movimento está a empresa imperialista dos irmãos Koch, que é responsável por um faturamento de 115 bilhões de dólares anuais. A indústria Koch tem suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás; ela esteve envolvida no roubo de 5 milhões de petróleo em uma reserva ambiental e foi multada em 30 milhões de dólares por conta de vazamento de óleo.

De acordo com a própria Carta Capital, os irmãos Charles e David Koch são sócios, possuem 42,9 bilhões de dólares e estão em sexto e sétimo lugar na última lista dos 10 mais bilionários do mundo. O irmão caçula, Bill Koch, tem um império de 2,8 bilhões e financia políticos conservadores norte-americanos. Todos esses são filhos de Fred Chase Koch, um empresário de petróleo, admirador de Mussolini e um dos fundadores em 1958 da organização ultradireitista John Birch Society, cuja sede foi estabelecida ao lado do túmulo do paranoico senador anti comunista Joseph MC Carthy e foi notória pelo combate à lei dos direitos civis promovida por Lyndon Johnson, nos anos 1960.

A organização internacional Estudantes para a Liberdade conta com uma forte atuação e articulação em países que passaram por período de turbulência política, como a Venezuela e a Ucrânia. Na Venezuela, o grupo Estudantes para a Liberdade tem como articulador o economista Oscar Torrealba, que trabalha para o jornal EI Universal, veiculo da oposição burguesa ao governo de Nicolas Maduro.

No site de uma das organizações internacionais envolvidas com a empresa Koch e os Estudantes Para Liberdade, coloca-se que a ‘’a missão do Movimento Brasil Livre é mobilizar indivíduos para um ativismo em favor da liberdade, de justiça e de uma sociedade mais próspera’’.

Esse movimento surge num momento em que o país passa por uma crise econômica capitalista. Em períodos históricos como este que estamos vivendo, uma das reivindicações da burguesia é que se aumente a sua taxa de lucro, e grupos como o Movimento Brasil Livre visam a responder essas demandas dos grandes empresários e dos banqueiros. Num momento de crise capitalista, esse movimento representa um setor da burguesia que exige do Estado a implementação de mais ataques contra os trabalhadores.

O Movimento Brasil Livre se apoia numa enorme insatisfação que a população tem com os políticos da ordem e como resposta coloca que o ’’Estado seja diminuído’’, ou seja, que o problema da crise e da corrupção se dá porque o governo faz muita concessão para os trabalhadores e o povo pobre. Esse movimento reivindica o impeachment da presidente Dilma, pois acha que os ajustes que o atual governo está aplicando é insuficiente e por isso quer substituí-la por um governo mais ajustador.

O discurso de que o MBL é contra a corrupção é totalmente falacioso. Para travar um combate efetivo contra a corrupção é preciso questionar a relação entre os banqueiros e empresários com os políticos. Um movimento que se coloca contra a corrupção teria que se colocar contra os ataques aos trabalhadores e ao povo pobre que o Estado impõe, mas o objetivo do Movimento Brasil Livre é justamente tentar garantir os ataques contra os trabalhadores.

A prova mais viva de que o MBL não é contra a corrupção é que 200 integrantes do movimento irão concorrer às próximas eleições em partidos da direita, que é oposição ao atual governo do PT, como o PSDB, DEM e outros, todos envolvidos nos mesmos esquemas de corrupção que o PT, além de estarem envolvidos em seus próprios esquemas, como a corrupção da merenda e do Metrô, em São Paulo.

De acordo com a Folha de São Paulo, um dos líderes do MBL chamado Fernando Holiday vai se candidatar nas eleições municipais neste ano. Ainda segundo a Folha, o líder do Movimento Brasil Livre está negociando a sua entrada em partidos como o PSDB, DEM e o PSC. O próprio líder do MBL afirma que o DEM é o partido onde ele pode defender abertamente suas ideias liberais, apesar de ter uma postura oblíqua nos municípios em relação ao PT.

No Rio Grande do Sul, o movimento pretende 15 candidatos em partidos como o PSDB, o DEM, PP e o PPS. De acordo com o cientista político Paulo Peres, o Movimento Brasil Livre é um movimento suprapartidário, portanto pode absorver os partidos políticos. Em todos os Estados, o Movimento vai atuar contra o ‘’inchaço do Estado’’. Por trás desse discurso, fica claro que o MBL vai atuar contra os direitos dos trabalhadores e dos demais setores populares da sociedade.

Partidos como o PP e o PSC não podem nem de longe representar uma saída séria ao combate sério contra a corrupção, pois o presidente do Partido Progressista é ninguém menos do que o Paulo Maluf, que é um notório corrupto. E o Partido Social Cristão é conhecido por abrigar pastores como Marco Feliciano e outros religiosos reacionários que utilizam do Estado pra servir os seus interesses. Já o PSDB, para além dos crimes de corrupção, é conhecido por ter figuras como o governador Beto Richa, no Paraná, que realizou um verdadeiro massacre contra os professores no ano passado, e Geraldo Alckmin, de São Paulo, que tentou fechar 93 escolas em 2015.

Na entrevista de Kim Kataguari, concedida para o Globo, o Movimento Brasil Livre afirma que irá filiar integrantes nos partidos de oposição burguesa ao governo de Dilma para poder criar uma ‘’bancada liberal independente’’, que seja a cartilha da ‘’redução do Estado na economia e na vida da população”. Um dos coordenadores nacionais do MBL, o advogado Rubens Nunes, afirma que, para conseguir uma mudança efetiva, é preciso sair das ruas e participar da política representativa.

Isso mostra que as vaias contra figuras públicas do PSDB e outros partidos da oposição burguesa ocorridas na manifestação do 13/03 e incentivadas pelo MBL são uma farsa. De um lado essas vaias mostram que a atual crise política do Brasil respinga nos partidos da oposição burguesa, pois também fazem parte do regime. O MBL critica esses partidos para se apresentar como a ’’nova’’ direita, diferente da velha direita que faz parte do regime, mas sabemos que isso é uma tremenda falácia, pois o objetivo do movimento é atacar os trabalhadores, e para isso vão fazer parte do ‘’jogo’’, para estar numa posição mais favorável para alcançar o seu objetivo.

O Movimento Brasil Livre tem como um dos seus aliados o colunista reacionário da Revista Veja, Reinaldo Azevedo. No primeiro congresso realizado pelo movimento no dia 28 e 29 de novembro, Reinaldo Azevedo participou de uma mesa junto com o Kim Kataguari, cujo tema era ‘’Popularizando o discurso liberal’’. No programa chamado pingo nos is, transmitido pela Jovem Pan, Reinaldo Azevedo elogia a atitude do Movimento Brasil Livre em atuar junto com os partidos da oposição burguesa e coloca que os integrantes do movimento que vão participar do movimento são políticos que ‘’prestam’’.

Neste ato pelo impeachment da Dilma, percebemos uma clara aliança entre o MBL e a empresa brasileira Habib’s. O empresário Alberto Saraiva disse que irá engrossar o ’’coro de milhões de brasileiros e sairá às ruas pedindo um Brasil mais honesto e justo’’ e, por isso, ’’na crença de um país melhor e com justiça para todos, vai apoiar as manifestações, vestindo suas lojas de verde e amarelo e distribuindo cartazes para todos aqueles que se manifestarem e que estejam com fome de mudança’’.

Saiu na Folha de São Paulo que os militantes do Movimento Brasil Livre foram jantar no Habbib’s após a manifestação de domingo. De acordo com a Folha, o Movimento Brasil Livre foi no restaurante para comer a ‘’Esfirra’’ da vitória no restaurante que apoiou publicamente os protestos pelo impeachment da Dilma. No dia 12/03, a pagina do Movimento Brasil Livre no Facebook postou uma reportagem do Reinaldo Azevedo sobre o apoio da empresa e anunciou que no dia do ato irão almoçar no Habib’s.

O Habib’s é mais uma das empresas de fast - food que superexplora os trabalhadores, que impõe jornada de trabalho cansativa e não garante direitos elementares, como o descanso nos finais de semana. Tudo o que essa empresa quer é aumentar a sua taxa de lucro, por isso enxerga o MBL como aliado e apoia o movimento pelo Impeachment da Dilma.

Além disso, a entrada da FIESP, junto com o MBL na chamada desses atos, diz muito sobre eles. Não podemos esquecer que o presidente da FIESP, Paulo Skaf (PMDB), foi um grande defensor do PL 4330, cujo objetivo é ampliar a terceirização do trabalho no país, precarizando ainda mais o trabalho. O Movimento Brasil Livre divulgou na sua pagina do Facebook fotos da FIESP após o ato contra a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil.

Conforme escrevemos para o Esquerda Diário ‘’A manifestação dita espontânea na capital paulista reuniu cerca de 5mil pessoas segundo a Folha de São Paulo. Mesmo no calor dos fatos já havia um palco montado na sede da principal federação patronal do país. Há que se questionar o caráter espontâneo e popular de reunir-se diante de uma patronal que ajudou a financiar o golpe militar de 1964, que deseja, com a deposição do governo, avançar em ataques mais duros à classe trabalhadora, aumentando a idade de aposentadoria e entregando os recursos nacionais. “Espontaneamente” já havia um palco montado para MBL, Endireita Brasil, entre outros’’. Ou seja, um indício de que o Movimento Brasil Livre esta articulado com a principal entidade patronal do país.

Para impedir que esta direita canalize a insatisfação com a crise econômica e política, é preciso uma saída independente dos trabalhadores, que se coloque contra o impeachment, mas também contra o governo do PT e o seu ajuste fiscal. O que o Movimento Brasil Livre quer é alinhar o país com os setores mais reacionários do imperialismo, para que se aplique ajustes muito mais duros contra os trabalhadores do que o atual governo já está aplicando.




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