Política

CAMPINAS

O que expressaram as eleições em Campinas?

Danilo Magrão

Professor de sociologia da rede pública

terça-feira 4 de outubro| Edição do dia

As eleições em Campinas, seguindo uma tendência nacional, foram marcadas por um giro conservador, encabeçado pelo poder político da máquina eleitoral dos partidos golpistas financiados pelos grandes empresários.

Em uma coligação com 23 partidos, que unia dos golpistas DEM, PP e PSDB até o oportunista PCdoB, Jonas Donizete(PSB)foi reeleito no primeiro turno com 323 mil votos. Orsi do PSD, antiga figura do PSDB em Campinas, ficou em segundo. Já Pochmann, expressando a crise do petismo, teve uma queda em 70 mil votos em relação a 2010, caindo de 28,56% para 15,06%. Dr Hélio, com a candidatura impugnada, teve 27 mil votos.

A reforma política de Cunha serviu para excluir e impedir que as candidaturas de esquerda sejam conhecidas pela população. Com poucos segundos de propaganda na televisão e barrados de participar dos debates na grande mídia, somados ao discurso petista de “voto útil”, foram obstáculos importantes para seu desenvolvimento mais expressivo. Marcela Moreira teve 15 mil votos(3,07%), com um pequeno crescimento dos 12 mil votos de 2010 do PSOL. Já o PSTU, teve uma queda vertiginosa, saindo de 11 mil votos na eleição anterior para 613 votos, fruto da crise nacional desse partido. O PCO terminou com 279 votos para prefeito.

Os resultados apontam para uma eleição conservadora também no terreno da câmara, em que a reforma política reacionária ajudou a manter os “coronéis de bairro” e políticos mafiosos que controlam a cidade em sucessivos mandatos. Das 33 cadeiras, 23 foram ocupadas por vereadores reeleitos que possuíam a máquina eleitoral para suas campanhas de centenas de milhares de reais.

O PT retrocede também na câmara, ficando com apenas dois vereadores. O PCdoB, mesmo se aliando com os golpistas, apenas conseguiu manter Gustavo Petta. Já o PSOL, fruto do coeficiente eleitoral que serve apenas para favorecer o poder político dos partidos patronais, perdeu o mandato de Paulo Bufalo, que com mais de 6 mil votos e sendo o 7º vereador mais votado da cidade, não poderá ocupar uma das 33 cadeiras. Mariana Conti, 4ª candidata mais votada, será a representante do PSOL e única mulher de toda a câmara.

Com as urnas fechadas, as falsas promessas serão abandonadas. A nova prefeitura terá 27 dos 33 vereadores em sua base aliada: uma bancada conservadora a serviço de Jonas e seu plano de ataques contra os trabalhadores e o povo pobre em conjunto com Alckmin e Temer.

A insatisfação e apatia com o sistema político se expressou também no crescimento expressivo da abstenção, dos votos nulos e brancos, que somados atingiram 327 mil, número maior que a votação de Jonas.

Nossa candidatura em Campinas, da rede #VozAnticapitalista, formada por colunistas do portal de notícias Esquerda Diário em 5 cidades do país, teve importante expressão. Pela primeira vez disputando a eleição em nossa cidade, construimos uma candidatura coletiva do Movimento Revolucionário de Trabalhadores pelo PSOL, obtendo 1009 votos por toda a cidade. Foi empolgante o envolvimento de dezenas de jovens, mulheres, trabalhadores, LGBTs e negros que tomaram as ruas e as redes sociais para levar adiante a ideia de "que todo político ganhe igual a um professor" e outras propostas de enfrentamento com esse sistema. Junto com Amara Moira, ativista trans e escritora, a #VozAnticapitalista foi uma das novidades da esquerda nessa eleição em Campinas, com repercussão expressiva ultrapassando os mil votos, em um processo marcado por regras que impediam o desenvolvimento das novas alternativas.

Nossos sonhos não terminam nas urnas: convidamos todos que nos apoiaram a acompanhar nossa página, assim como a conhecer mais nossas ideias através do portal de notícias Esquerda Diário, em que cada um de nós pode contribuir com textos, ideias, depoimentos. Venha construir conosco essa #VozAnticapitalista!




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