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O que esperar com o plano econômico dos golpistas no Brasil

Recentemente foi lançado o programa “Ponte para o Futuro” do PMDB, para ser aplicado após a posse do governo Temer, caso o impeachment passe no Senado. Contudo, será possível que tal programa recupere a economia? Qual as consequências para os trabalhadores e juventude?

quarta-feira 20 de abril de 2016| Edição do dia

Foto: Temer com o presidente da FIESP, também membro do PMDB, Paulo Skaf

A crise no mundo

Atravessamos há 8 anos uma das maiores crises do capitalismo mundial. Desde o marco da quebra do Lehman Brothers nos EUA, o capitalismo mundial atravessa uma longa crise com poucos sintomas de recuperação. Recentemente os Estados Unidos apresentaram um aumento da taxa de emprego, mas sem perspectivas de um crescimento alto.

Assistimos na Grécia uma das maiores expressões dessa crise com a depuração do país em depressão e com um governo do Syriza, eleito como um governo anti-austeridade sem um programa anti-capitalista que mostrou seus limites. Aceitou o plano de resgaste do Banco Central Europeu, aplicando a austeridade e aplicando duras reformas na previdência social, do qual depende 50% da população.

Na América Latina, isso se expressa com a crise dos governos pós-neoliberais que abriram espaço, e inclusive aplicaram, os planos econômicos da direita. O antigo aumento dos preços das commodities que possibilitaram relativos avanços sociais, acabaram com o fim de uma utopia de progressivos avanços sociais, também apoiada na precarização do trabalho nesses países.

A crise no Brasil

Com a eminência do impeachment no Brasil, já aparece as agendas liberais que prometem trazer o fim do desemprego, que hoje alcança 20% na juventude, e a retomada do crescimento econômico a partir de um plano chamado “Ponte para o Futuro” do PMDB.

Essa tal ponte para o futuro é mais uma ponte para o abismo que prevê flexibilização das leis trabalhistas, com o aumento da terceirização, aumento da idade para aposentadoria, forte ajuste fiscal, liberalização do comércio e um forte plano de privatização da economia. Não à toa alguns dos economistas que elaboram o plano participaram diretamente do governo FHC.

Nesse sentido, podemos esperar que esse plano de aprofundar os ajustes econômicos podem ser uma alternativa para a volta do crescimento econômico?

Para isso não podemos desligar a economia brasileira da crise que vive o capitalismo mundial. A possível retomada de um crescimento no Brasil, depende fundamentalmente das chances do capitalismo mundial recuperar de mais uma de suas crises sistêmicas. E essa recuperação internacional depende fundamentalmente da espoliação dos países periféricos. Abaixar a taxa de juros, a valorização do câmbio e a flexibilização das leis trabalhistas, para atrair o investimento estrangeiro, farão antes um aumento da precarização do trabalho e da privatização do que crescimento econômico.

O plano de recuperação que a direita golpista está propondo hoje é aprofundar os ajustes econômicos que estão acontecendo desde o governo Dilma, e na verdade podem levar o país mais ainda para o buraco, fazendo os trabalhadores pagarem com mais recessão como uma suposta saída para sair da recessão. Por outro lado não conseguir implementar este plano pode levar os capitalistas a maior paralisia na economia, rumando possivelmente de uma recessão a uma depressão?

Por um lado, esse plano econômico da direita se fracassa coloca o país em uma situação de depressão, que também será arrastado por outros países da América Latina. Por outro lado, caso a recuperação econômica aconteça, sendo determinante o cenário internacional, se apoiará em um plano profundo de ataques aos trabalhadores e privatização em todos os setores, inclusive da educação.




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