Política

REDE INTERNACIONAL ESQUERDA DIÁRIO

O que é a Rede Internacional Esquerda Diário?

A Rede Internacional Esquerda Diário – Red Internacional La Izquierda Diario (LID) – é o primeiro grupo internacional de diários digitais de esquerda a nível mundial, em espanhol, inglês, português, francês e alemão.

segunda-feira 4 de julho de 2016| Edição do dia

Desde seu lançamento em 2014 a Rede Internacional Esquerda Diário já conta com 20 milhões de visitas e uma média de 400 mil visitas por semana. A rede é formada pelo La Izquierda Diario Argentina, que se converteu indiscutivelmente em uma referência entre os meios de comunicação do país. Esquerda Diário no Brasil e o Révolution Permanente na França, ambos são os principais portais de esquerda em seus respectivos países. LID México, IzquierdaDiario.es na Espanha, LID Chile, KlassegegenKlasse na Alemanha, e Left Voice nos EUA e Grã-Bretanha. A eles se somaram desde maio deste ano, LID Bolívia, LID Uruguai e LID Venezuela, consumando a expansão da Rede na América Latina.

Sabemos que a Rede Internacional representa uma novidade histórica para a esquerda. Os grandes revolucionários internacionalistas do século XX não possuíam disponíveis os meios técnicos para pensar e realizar uma companhia como a que colocamos em prática na atualidade: um diário internacional disponível todos os dias para milhões de leitores em 5 idiomas simultaneamente, combinando esforços de organizações de diferentes países, com conteúdos da mais ampla variedade de temas para alimentar as diferentes edições internacionais de cada diário nacional.

A Rede de diários digitais é para nós um instrumento de “organização coletiva” internacional. Parte da batalha cotidiana para colocar de pé uma esquerda revolucionária enraizada na classe operária e na juventude de diversos países. Que busca cumprir um papel de vanguarda, expandindo as possibilidades de organizações e a unidade internacionalista necessária para lutar seriamente contra o capitalismo imperialista e construir uma nova sociedade sem exploradores nem explorados, sem opressores e sem oprimidos.

A independência política dos trabalhadores

Ao contrário dos novos reformistas como Syriza ou Podemos, e das correntes nacionais burguesas da América Latina, como o chavismo, para nós a libertação dos trabalhadores somente pode ser obra dos próprios trabalhadores (Marx).

Os que impulsionamos a Rede Internacional LID lutamos pela plena independência política dos trabalhadores frente aos governos capitalistas, o Estado e dos partidos da burguesia.

Na Argentina somos parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), uma frente política de independência de classe formada pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), Partido Obrero e Izquerda Socialista. Encabeçado pela candidatura a presidente de Nicolas Del Caño e Myriam Bregman como vice, ambos do PTS, fomos a quarta força na última eleição presidencial com mais de 800 mil votos (23,23%) e mais de 1 milhão de votos para deputados. Atualmente a Frente de Esquerda conta com uma banca de 4 deputados nacionais e 20 deputados provinciais de diferentes regiões do país.

A FIT carrega o mérito de ter se constituído uma referência eleitoral pela independência de classe e por um governo dos trabalhadores, algo que não é possível observar em outros países, nos quais predomina entre a esquerda as coalisões partidárias ou partidos com programas reformistas de gestão do capitalismo, como Syriza na Grécia, Podemos na Espanha, Die Linke na Alemanha e o Bloque de Izquierda em Portugal. E na América do Sul partidos de governos que defendem a subordinação dos trabalhadores e do campesinato às burguesias nacionais, como o PSUV venezuelano e o MAS boliviano. Ou forças políticas opositoras que criticam os elementos de continuidade como foi o neoliberalismo nestes governos, mas suscitando um “antineoliberalismo” que não apresenta um programa e uma estratégia de independência política dos trabalhadores em relação à burguesia, como o PSOL no Brasil ou a bancada estudantil no Chile.

Defendemos que o desenvolvimento da Frente de Esquerda possa aprofundar a intervenção na luta de classes e abrir cada vez mais suas fileiras à vanguarda dos trabalhadores, da juventude e do movimento de mulheres, defendendo fortemente seu programa de independência de classe, e a partir dessa perspectiva debater com toda a organização de esquerda que a compõe.

A partir da mesma perspectiva nós que impulsionamos a Rede Internacional LID travamos uma batalha pela independência política dos trabalhadores em todos os países onde intervimos.

Por exemplo, na França, onde conformamos a Corrente Comunista Revolucionária (CCR) ao lado de companheiros independentes fazemos parte do Nouveau Parti Anticapitaliste (Novo Partido Anticapitalista) e fomos parte da maioria que impôs que este partido tenha uma candidatura presidencial própria reivindicando a necessidade de um programa anticapitalista e revolucionário frente àqueles que desejam deixar a porta aberta para uma aliança com setores reformistas (Jean-Luc Mélenchon).

No Estado Espanhol, atuamos conjuntamente com outras organizações de esquerda mediante a inciativa “No Hay Tiempo Que Perder” (Sem Tempo a Perder) para colocar de pé uma alternativa anticapitalista ao lado dos setores de trabalhadores e juventude que iniciam uma experiência com o neo-reformismo do Podemos.

Também no México, com a candidatura de Sergio Moissen para a Assembleia Constituinte da Cidade do México, única opção anticapitalista e alternativa de esquerda ao partido de centro-esquerda MORENA. Também impulsionamos iniciativas como a formação do Partido de Trabajadores (PT) na Bolívia junto aos mineiros de Huanuni (2013), que motivou o boicote e perseguição por parte do governo de Evo Morales. Entre outros exemplos.

Por um partido de luta da classe trabalhadora

Nós que impulsionamos a Rede Internacional Esquerda Diário, buscamos construir uma corrente orgânica na classe operária e nos sindicatos. Diferente da grande parte da esquerda, que abandonou os trabalhadores e o movimento operário, produto do ceticismo de décadas de reação neoliberal, buscamos construir uma força viva dos trabalhadores.

A partir desta perspectiva lutamos para recuperar os sindicatos das mãos da burocracia sindical e construir frações classistas e revolucionárias. Na Argentina, temos sido protagonistas nas lutas operárias mais relevantes de todo o período kirchnerista, como exemplos mais importantes a ex Jabón Federal, Mafissa, Kraft, terceirizados ferroviários, LEAR e a ex Donnelley, hoje MadyGraf. Assim como em lutas emblemáticas como a da ex Zanon (FaSinPat, Fábrica sem Patrões), fabrica sob controle operário, referência a nível mundial de auto-organização e unidade com diversos setores da classe operária e de desempregados, como também no movimento estudantil e movimentos sociais.

No Brasil, fazemos parte da direção do Sindicato de Trabalhadores da Universidade de São Paulo (SINTUSP), um dos sindicatos mais combativos do país e temos protagonizado duras lutas, como a greve de 100 dias em 2014 que unindo trabalhadores estáveis e precarizados, foi capaz curvar as autoridades arrancando vitórias, com métodos da greve, mobilizações, assembleias e a unidade com o movimento estudantil. E também em importantes batalhas como a dos trabalhadores metroviários de São Paulo durante a Copa do Mundo em 2014.

Com estes exemplos queremos ilustrar que longe de nos limitarmos a “gestão” sindical, participamos de suas lutas cotidianas buscando convertê-las em grandes combates, em “escolas de guerra” para que os trabalhadores se transformem em sujeitos protagonistas. Para enfrentar os limites que impõem os governos e as burocracias sindicais que mantém a divisão entre trabalhadores, entre efetivos e terceirizados, sindicalizados e não sindicalizados, nativos e estrangeiros, lutando por um programa de unidade das fileiras operárias que junto com a juventude, as mulheres e os oprimidos, questionem o poder dos capitalistas e seus Estados.

Com a força da juventude

Sob as condições de crises capitalistas tem lugar o despertar de uma nova geração. A geração dos jovens estudantes chilenos, da juventude do Brasil que tomou as ruas em 2013, a #yosoy132 no México, a dos jovens franceses que se unem aos trabalhadores na greve geral.

A Rede Internacional Esquerda Dário busca ser a voz dessa juventude precarizada, “mileurista”, que não deve nada ao capitalismo.

Neste sentido, no Brasil, durante o calor da luta contra o Golpe Institucional da direita e dos ajustes, e de forma independente do PT, fundamos a “Faísca”, agrupação de juventude anticapitalista e revolucionária, presente nas principais universidades do país, buscando organizar os combates da juventude em aliança com os trabalhadores a partir de uma perspectiva independente, contra os demitidos nas fábricas e pelos diretos dos negros, das mulheres e dos LGBT.

Também na França, onde a juventude junto aos trabalhadores estão protagonizando uma dura luta contra a reforma trabalhista. Nas universidades e escolas, como parte da juventude do NPA, impulsionamos a coordenação e auto-organização operário-estudantil, como nas assembleias massivas de convergência das lutas "Tous ensemble" (“todos juntos”), com centenas de jovens, trabalhadores e intelectuais em Tolbiac da Universidade Paris 1, Paris VIII, Sciensces Po, Montpellier.

No Chile, aonde o movimento estudantil vem protagonizando importantes lutas em defesa da educação gratuita, a partir das massivas mobilizações de 2011 em diante, nossas forças, desde as principais universidades, lutamos pela educação gratuita universal e pela auto-organização combativa do movimento estudantil universitário e secundarista, em uma perspectiva de aliança com os trabalhadores.

Em cada lugar onde intervimos, nós que impulsionamos esta Rede de diários, buscamos expressar e organizar a força da juventude que junto aos trabalhadores podem rachar os cimentos da opressão e da exploração capitalista.

Internacionalismo militante

Para nós, o internacionalismo é uma bandeira para o combate. Na América do Sul, num contexto de giro à direita, o Golpe Institucional no Brasil fortalece Macri na Argentina, e a direita de conjunto na Bolívia, Venezuela e em toda a América Latina. Fortalece também a tentativa imperialista estadunidense de recompor sua influência na região, e sua política de “degelo” em cuba para avançar no projeto de restauração capitalista na ilha caribenha.

Assim, os que impulsionamos a Rede Internacional Esquerda Diário, colocamos todos os nossos meios contra os avanços da direita. Na Argentina, a influência adquirida pelo PTS, como parte da Frente de Esquerda, através da figura de Nicolas Del Caño e Miriam Bregman, está a serviço de combater não apenas em solo nacional contra os ajustes de Macri, mas também contra o “golpe brando” que está se consumando no Brasil, tanto no parlamento quanto nas ruas.

Ao mesmo tempo, o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) do Brasil, nossa voz no gingante sul, está na linha de frente na luta contra golpe, fazendo-a concreta nos lugares onde tem influência tanto no movimento operário como na juventude. Projetando a luta contra o golpe nacionalmente nas páginas do Esquerda Diário. É a única corrente política que luta para frear o golpe utilizando métodos da luta de classes e de forma independente das direções do PT, exigindo assembleias de base, greve e um plano capaz de localizar a classe operária no centro da cena política com uma greve geral que combine a luta contra a ofensiva da direita e a resistência contra as intenções capitalistas de descarregar as crises sobre as costas das massas. Na contra mão da esquerda brasileira que se subordina ao PT, como é o caso da ala majoritária do PSOL e seus parlamentares; ou que, como o PSTU que se nega a lutar contra o golpe reacionário e defende “Fora Todos, Eleições Gerais”, ao não existir uma mobilização de massas capaz de derrubar o PT pela esquerda termina fazendo o jogo do golpismo destituinte da direita que é quem hoje, concretamente, tem força para se eleger.

Na Europa, os que impulsionamos esta Rede Internacional enfrentamos a “guerra contra o terrorismo” orquestrada pelas principais potências capitalistas, combatendo um inimigo embrião do próprio imperialismo como é o ultra-reacionário Estado Islâmico. Na França concretamente, enfrentando o terrorismo imperialista e o estado de exceção do governo social-democrata de Hollande, e no Estado Espanhol e Alemanha sendo parte das mobilizações que denunciam “sua guerra, nossos mortos” batalhando para que a juventude e os trabalhadores se solidarizem ativamente com as massas sírias, do Oriente Médio, e exigindo a abertura das fronteiras às centenas de milhares de refugiados que lutam para sobreviver frente à barbárie capitalista.

Desde nossas páginas, exigimos a retiradas das tropas e das bases imperialistas em todo o mundo e levantamos o direito dos povos oprimidos por sua autodeterminação, abraçando a causa do povo palestino e do povo curdo.

Luta contra a opressão

Os que compõem esta Rede, impulsionamos o Pão e Rosas, a mais importante organização de mulheres da América Latina que está conquistando espaço no Estado Espanhol e na Alemanha.

A ofensiva neoliberal retirou a perspectiva anticapitalista da luta dos oprimidos, evitando que se desenvolvesse a luta independente das mulheres, da comunidade LGBT e das chamadas minorias étnicas que questione o sistema em seu conjunto. Por isso, desde o Pão e Rosas na Argentina acompanhamos o despertar de milhares e milhares de mulheres em #NiUnaMenos (Nenhuma a menos) com uma política independente do kirchnerismo. No México as companheiras do Pão e Rosas empalmaram marcharam neste 24 de abril ao lado de milhões de mulheres que por sua vez disseram Basta! De feminicídio do país, denunciando a cumplicidade das instituições do Estado na violência contra as mulheres.

Também, durante o neoliberalismo foram integrados na escravidão assalariada milhões de seres humanos sob o regime do trabalho precário que se tornou uma desigualdade na história do capitalismo. Fortaleceram-se as milionárias indústrias tráfico, exploração sexual e violência contra as mulheres se proliferou atingindo principalmente as trabalhadoras. A comunidade LGBT conquistou em alguns casos o matrimônio igualitário, porém segue sofrendo com a descriminação no emprego, com os abomináveis crimes de ódio e a homofobia. Os negros seguem sendo perseguidos como denunciou contundentemente o movimento “Black Lives Matter” contra o abuso policial nos Estado Unidos. O mesmo ocorre com os muçulmanos que em todo o mundo sofrem a islamofobia – Hoje recrudescida pela crise dos refugiados na Europa – e com os trabalhadores mexicanos que são as principais vítimas do xenófobo discurso de Donald Trump.

Os que impulsionamos a Rede Internacional Esquerda Diário, lutamos lado a lado contra o machismo, a discriminação, a homo/ lesbo/ transfobia e batalhamos para extirpar estas ideologias do seio da classe operária. Em todos os países onde estamos nos dedicamos para que a luta dos oprimidos não sejam desviadas ou cooptadas pelos regimes políticos burgueses e para direcionar sua luta contra o sistema de exploração e opressão de conjunto.

Teoria e Prática

Se por um lado o marxismo revolucionário somente pode se desenvolver através do vínculo estreito com o movimento operário e de massas, por outro lado, não se pode levar estes combates à vitória sem uma sólida teoria revolucionária que dê conta da realidade atual.

Além disso, após a ruptura das tradições revolucionárias que marcaram o século XX, em que a palavra comunismo foi degenerada pelas mãos do stalinismo, pretendendo identifica-la com ditaduras burocráticas parasitas dos Estados operários e direções traidoras que terminaram conduzindo com armas e bagagens à restauração capitalista. Hoje mais do que nunca é fundamental o objetivo de recriar o marxismo revolucionário.

Portanto, como corrente internacional, nós temos reapropriado a teoria-programa da revolução permanente formulada por León Trotsky, sendo fundamental para nos orientar nos processos atuais. Não apenas nos processos como os que configuram a “Primavera Árabe” em 2011 (Egito, Tunísia, etc), mas também, atualmente, frente ao golpe institucional no Brasil, para intervir desde uma posição independente.

Buscamos enriquecer nossa teoria a partir de estudo críticos sobre a obras de Antonio Gramsci, um dos marxistas que, junto com Leon Trotsky, pensaram com maior profundidade a problemática das democracias capitalistas “ocidentais”. Questão fundamental se levarmos em consideração que nas últimas décadas se estenderam geograficamente como nunca antes na história.

Assim também temos desenvolvido uma apropriação crítica dos principais teóricos clássicos da estratégia militar, em especial a obra de Carl von Clausewitz, para pensar em profundidade alguns dos principais problemas de estratégia, clássico e atuais, partindo de que a crise mundial e os novos fenômenos políticos e da luta de classes que são inseparáveis, estão reapresentando o retorno da reflexão estratégica.

Estas são algumas elaborações que colocamos a disposição de nossos leitores, contidas em 29 exemplares da Revista Estratégia Internacional (em castelhano, inglês, português, francês e alemão), assim como também em cada diário nas diferentes publicações teóricas pelo país, como Ideas de Izquierda na Argentina, Contracorriente no Estado Espanhol, Armas de la Crítica no México, Klasse gegen Klasse na Alemanha, entre outras.

A Rede de Diários e a luta por um partido revolucionário internacional

Como dissemos no início, nos que fazemos esta Rede de Diários a concebemos como um instrumento de “organização coletiva” internacional. O internacionalismo para nós não é um conceito abstrato, sem uma necessidade estratégica. Desta forma, cada um dos diários que compõem a Rede estão a serviço da construção de um partido revolucionário, da fusão entre os setores avançados da classe trabalhadora e da juventude, A Rede Internacional está a serviço de colocar de pé um partido mundial da revolução socialista, que para nós é a Quarta Internacional.

Com este objetivo em comum a Rede Internacional Esquerda Diário é impulsionada por:

Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS) da Argentina, Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) do Brasil, Partido de Trabajadores Revolucionario (PTR) do Chile, Movimiento de Trabajadores Socialistas (MTS) do México, Liga Obrera Revolucionariade (LOR) da Bolivia, Grupo Clase contra Clase no Estado Espanhol, companheiros da Courant Communiste Révolutionnaire da França que que fazem parte da NPA (Nouveau Parti Anticapitaliste), a Revolutionären Internationalistischen Organisation (RIO) da Alemanhã, companheiros da LTS da Venezuela, e do Uruguai. Juntos nós construímos a Fração Trotskista – Quarta Internacional.

Convidamos a todos a ler e difundir a Rede Internacional Esquerda Diário – Red Internacional La Izquierda Diario.

Contato: internacional@laizquierdadiario.com




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