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O que dizem os trabalhadores do HC da Unicamp que estão na linha de frente para salvar vidas?

“Se tiver algum sintoma, falaram para trabalhar de máscara”. O Esquerda Diário recebeu alguns relatos de trabalhadores do Hospital de Clínicas da Unicamp, o HC, sobre como está a situação do hospital e como estão lidando com essa crise, o que reforça ainda mais a necessidade de contratação imediata na área da saúde, junto a produção de mais leitos, respiradores, álcool-gel, máscaras e testes a todos que queiram. Veja abaixo:

terça-feira 24 de março| Edição do dia

Hospitais de todo país estão sofrendo com a precarização que se aprofundou ainda mais com a PEC do Teto dos gastos, e que seguiu com os cortes e ataques de Bolsonaro. Agora, a conta desses ataques cobram um preço mais alto diante da pandemia do Coronavírus, fazendo com que os trabalhadores que estão na linha de frente do combate ao vírus, tentando cotidianamente salvar vidas, carreguem a conta da crise nas costas. O Esquerda Diário recebeu alguns relatos de trabalhadores do HC da Unicamp sobre como está a situação do hospital e como estão lidando com essa crise, o que reforça ainda mais a necessidade de contratação imediata na área da saúde, junto a produção de mais leitos, respiradores, álcool-gel, máscaras e testes a todos que queiram. Veja abaixo:

Enfermeira HC
“O que tá bem complicado aqui é a chefia, a chefia está regulando o material, máscara está bem escassa e eles que determinam a hora que temos que usar. Não acho isso bom. Porque se agente não está confortável em algum situação, acho que deveríamos poder usar máscaras sim, algumas são obrigatórias, mas acho que se o funcionário se sente mais confortável usando, não acho que deveria ser proibido. Inclusive, estavam dizendo que se você usar em momentos que a chefia ache que você não deve usar, você é notificado, acho isso um absurdo, porque tem que existir todas as garantias para os funcionários. Álcool em gel então, lá é um álcool espuma que tem o mesmo efeito, mas não tem mais, disseram que ia ser reposto, mas não tem agora, e é o tipo de coisa que num hospital não poderia acontecer jamais de faltar.

Na minha enfermaria, tem uma enfermeira de 70 anos que não foi afastada, disseram que ela tem que continuar trabalhando, só se ela tiver sintomas de gripe que afastam. Essa semana teve uma orientação para gente que se a gente tiver algum sintoma, era para trabalhar de máscara. Questionei isso, porque é uma orientação que não tem lógica.”

Enfermeiro HC
“Tudo é muito novo, inesperado e até mesmo assustador pois jamais os profissionais colegas imaginaram vivenciar um momento assim. Há muita preocupação com a possibilidade de colapso na saúde. Os colegas cuidaram de pacientes suspeitos e expressaram grandes dificuldades pois tudo é muito minucioso e há muita dependência um do outro. Por exemplo: é preciso que um colega abra o envelope para vc colocar a máscara dentro. Há questionamentos sobre o cálculo de profissionais. Uma UTI Covid (como está sendo conhecida a UTI que cuida dos pacientes suspeitos ou infectados) é muito diferente de UTI intensiva. A UTI Covid exige muito mais dos profissionais, portanto o cálculo de enfermagem deverá ser muito específico. Não dá pra usar a RDC da Anvisa. Os profissionais de enfermagem estão vivendo momentos muito diferente de tudo que viveram até hoje. As nossas famílias estão preocupadas e isso tudo tem gerado grandes ansiedades e até mesmo medos em todos nós. Estamos só no começo e já está bem difícil. Se virar o colapso previsto teremos MUITAS DIFICULDADES.”

Enfermeira do PS - HC
“...Os trabalhadores pelo que vi estavam apreensivos, porque chegou uma hora e acabou as máscaras, porque são médicos, o pessoal da limpeza, enfermagem, todos pedindo, e nós somos orientados para usar essa máscara, sabemos que são poucas e estamos usando com consciência, mas vai chegar uma hora que o negócio vai ficar mais crítico. Agora, ainda acho cedo para falar como o PS vai se portar diante dessa pandemia, estamos seguindo as orientações que vêm da comissão de contigência e vamos ver o desenrolar...outro ponto é que nós tivemos reunião com a reitoria e solicitamos o cumprimento da lei que paga os 40% de insalubridade que é o grau máximo que os servidores tem que ganhar quando lidam com esses patógenos, e o PS não ganha, as enfermarias não ganham, estamos no aguardo para ver se a reitoria paga nossos 40% que é o correto”.

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