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REFORMAS

O que a CUT e a CTB estão esperando para organizar a luta contra a reforma da previdência?

O governo Temer está aumentando as apostas para tentar votar a reforma ainda em fevereiro. Do outro lado, apesar de rechaço popular, as ações da centrais são tímidas, para dizer o mínimo.

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

terça-feira 16 de janeiro| Edição do dia

Nos últimos dias veio a tona a noticia de que o governo Temer está tratando com a google a possibilidade de manipular as pesquisas dos usuários para divulgar textos a favor da reforma, inclusive mentirosos. Uma nova rodada de propinas, legais e ilegais, aos deputados e senadores é esperada.

Comparada com a atividade frenética do governo Temer para tentar aprovar a reforma, a atividade das centrais sindicais para organizar a mobilização para barrar a reforma é inexistente. Foi aprovado um calendário com um ato no inicio de fevereiro e uma ameaça retórica de parar o país se a reforma for à votação.

No entanto, os sindicatos dirigidos pela CUT e CTB, para não falar da Força Sindical, UGT e outras, não tomam nenhuma medida para organizar a luta em cada categoria e realmente preparar uma grande greve geral para derrotar as reformas trabalhista e da previdência. Seria necessário não ficar a reboque da agenda parlamentar e organizar a própria agenda de luta, incluindo grandes mobilizações e paralisações (fortalecendo a proposta de greve dos metroviários de SP neste dia 18/1), além de multiplicar as assembleias e reuniões por local de trabalho. Mas a agenda das direções é outra.

A campanha central da CUT nesse momento é: eleição sem Lula é golpe. O que se liga ao lançamento da pré-candidatura de Lula no dia 25 de janeiro, no dia seguinte ao julgamento em Porto Alegre. Disseminam a falsa ilusão de que um futuro governo Lula reverteria as reformas do golpista Temer. A verdadeira estratégia de Lula não é reverter as reformas se apoiando no imenso apoio popular que isso teria. Segundo declarações de Gleisi Hoffmann no portal UOL, Lula estaria preparando uma nova carta ao povo brasileiro, para afastar qualquer temor nos grandes empresários e nas potencias imperialistas.

Parte desta carta seria afirmar que a "Reforma da Previdência será aplicada apenas no setor público" (ver aqui). Um verdadeiro insulto.

Veja aqui: Sobre a antecipação do julgamento do Lula

Não podemos deixar o futuro da aposentadoria e dos nossos direitos nas mãos de Lula e das direções das centrais sindicais. É organizar em todo o país, em cada local de trabalho, uma ampla campanha de exigência aos sindicatos, para que tomem medidas efetivas de luta contra a reforma da previdência e para reverter a reforma trabalhista.

A CSP/Conlutas, como importante sindicato combativo, e o PSOL, que se propõe ser uma alternativa à esquerda do PT, poderiam colocar seu peso sindical e parlamentar a serviço de uma campanha desse tipo, organizando todo o ativismo sindical de esquerda nos locais de trabalho, organizando por exemplo atos nas sedes dos sindicatos exigindo medidas de organização e luta para parar o país de fato. O MTST também poderia colocar suas forças em função da construção dessa frente única para a resistência comum contra os capitalistas.

A serviço dessa perspectiva abrimos as páginas do Esquerda Diário para organizar a luta contra a reforma e o governo Temer




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