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PORTO ALEGRE

O primeiro mês de Marchezan: agrados aos empresários e ameaça aos trabalhadores

O primeiro mês do prefeito Marchezan Jr. em Porto Alegre foi marcado por ameaças a vários setores do serviço público, como já vinha fazendo desde sua campanha. Como resposta para a crise, seguindo o modelo empreendedor dos políticos do PSDB, aposta na isenção de impostos para empresários.

quinta-feira 9 de fevereiro de 2017| Edição do dia

O estado que há anos passa por uma crise econômica, tem na sua capital um reflexo bem próximo disso. Para responder aos principais problemas da capital, o tucano Marchezan adotou algumas decisões, das quais vou listar quatro das mais escandalosas:

1- Ameaça de demissão dos 3600 cobradores de ônibus. Marchezan chegou a afirmar que terão que arrumar outra função, que com o avanço da tecnologia essa função deixaria de existir, etc. Ao passo que parte fundamental do funcionamento dos transporte público é garantido pelo cobradores, não só controlando a tarifa, mas dando todo tipo de suporte, aos passageiros e motorista.

O atual prefeito, que em sua campanha chegou a firmar que poderá privatizar a Carris caso "continue dando prejuízo", mudando de ideia sobre as demissões, afirma que não demitirá, mas não irá contratar mais ninguém para o cargo. O que também é um ataque a um posto de trabalho (hoje são 3600 cobradores na capital), e também a qualidade do serviço de transporte público.

2-Isenção de imposto para os empresários do transporte. Com a justificativa de manter o valor da passagem, o tucano não tocou na isenção do ISS aos donos do transporte da capital. Mesmo com uma estrutura precária dos ônibus, Marchezan segue garantindo o lucro de cerca de 10% de todas as passagens para o bolso dos empresários, enquanto a população e os rodoviários recebem uma estrutura precária.

3- Extinguiu algumas secretarias e juntou outras. Sendo aprovando, um exemplo deste "novo" funcionamento da cidade, é que obras como a da Orla do Guaíba já não precisam mais passar pela secretaria do meio ambiente. Um resultado provável disso, que em parte já pode ser visto, são obras com estrutura precária que não leva em conta o meio ambiente.

4- Ameaça de atraso de salário dos servidores municipais. Mantendo o mesmo discurso da crise, dos cofres esvaziados, o tucano informa que irá atrasar os salários dos municipários. Do mesmo modo que o governador Sartori, irá manter a isenção de impostos para os grandes empresários da capital.

Um primeiro episódio desse atraso de salário já pode ser visto com os garis, terceirizados pela empresa B.A. Meio Ambiente, que afirma que a prefeitura não repassou a verba para a empresa nos últimos meses de 2016. A resposta da prefeitura foi que a situação será regularizada até o dia 10 (sexta-feita).

Como já colocamos aqui, o herdeiro da ditadura e representante do MBL, traça um plano de governo que visa apostar na iniciativa privada, ao passo da precarização e ameaça de privatizar o pouco que resta de empresas do município. Como resposta para a crise, aprofunda o desespero entre várias categorias de trabalhadores, protegendo o lucro dos empresários, que inclusive aumentam a cada ano.

Surgindo como alternativa ao desgaste política tradicional, a toda casta política corrupta do país, o "empreendedor" no lugar do político, faz nada mais do que representar os interesses da burguesia, mantendo as mesmas bagatelas anteriores e os mesmos métodos. Nada tem de novo nisso, os interesses representados pelo prefeito ainda são os mesmos: arrochar os trabalhadores para salvaguardar os ricos.




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