Juventude

JUVENTUDE FAÍSCA NA USP

O potencial incendiário da juventude

Parecia só mais uma noite fria de sexta-feira, mas não era um dia como outro qualquer. Estamos em greve, num prédio ocupado, com dezenas de jovens dispostos a discutir sobre o potencial revolucionário da juventude.

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

sábado 21 de maio de 2016| Edição do dia

Foi assim que nessa sexta-feira dia 20 de maio, fizemos uma atividade da juventude Faísca na letras ocupada. A ideia era apresentar um pouquinho mais sobre o que é essa juventude anticapitalista, revolucionária e rosa choque, para diversos companheiros que estão junto conosco construindo uma forte greve na universidade. O assunto era promissor: discutir a juventude e seu potencial incendiário e revolucionário. E foi assim que no entardecer de um dia tipico do inverno paulista dezenas de jovens, universitários e secundaristas, se reuniram em uma sala da ocupação para debater porque a juventude é a caixa de ressonância da classe trabalhadora e porque queremos acabar com esse sistema de exploração, opressão e miséria.

Quando nos propusemos a construir uma nova juventude profundamente anticapitalista e com uma perspectiva revolucionária foi principalmente porque sentimos que hoje uma grande parcela dos jovens já se tocaram que esse sistema não dá mais. Sentimos na pele o machismo, o racismo e a LGBTfobia e estamos nos levantando contra toda forma de opressão e exploração. Primeiro veio junho de 2013, pra dizer que o gigante acordou, saímos às ruas pra gritar “cadê o Amarildo?”, escancarando o racismo dessa polícia assassina. Pra dizer que não era só por 20 centavos, mas por nosso direito a um transporte digno, pelo nosso direito a saúde, a educação. E a etapa aberta por junho não se fechou quando Dilma saiu em rede nacional prometendo uma constituinte exclusiva e o movimento nas ruas refluiu. Pelo contrário depois veio o maio operário em 2014 e um dos maiores ascenso de greves e lutas dos trabalhadores no país.

E quando 2015 parecia que ia acabar sem nada de novo, veio a juventude secundarista com seus lápis, cadernos e carteiras, fechando ruas, ocupando escolas, atropelando as burocracias estudantis da UPES e da UBES, dando uma verdadeira aula de como enfrentar governo intransigente e repressor. Encantaram todo o país, estavam lutando por aquilo que deveria ser um direito básico, o direito a educação. Plantaram a sementinha de que se eles podiam controlar as escolas, os trabalhadores também poderiam controlar as fábricas. O ano começou quente nos ataques e “nóis já tava fervendo”. Veio a novela do impeachment orquestrado por essa direita reacionária que reivindica os torturadores da ditadura, ao mesmo tempo em que o PT aplicava duros ataques contra os trabalhadores e a juventude, tudo pra mostrar pra burguesia que poderia continuar no poder, governando pros ricos. E a juventude continuava resistindo e em meio a esse cenário de extrema politização que lançamos uma faísca que pretende incendiar o país. Discutindo com centenas de jovens a necessidade de uma alternativa realmente independente. Foi assim que nascemos, se fundindo com esses setores em luta e em meio a extrema politização, reunimos num sábado a tarde 400 jovens com o desejo de fazer a revolução.

Hoje na USP, em meio a uma greve nas três estaduais paulistas e com os secundaristas do país inteiro em luta, com 150 escolas ocupadas no Rio Grande do Sul e outras dezenas no Rio de Janeiro e Ceará, nos reunimos para trocar experiências e contar porque queremos construir essa juventude anticapitalista e revolucionária. Travandos em cada local que estamos grandes batalhas pra que nos unifiquemos numa greve geral da educação contra os ataques do governo golpista do Temer e de todos os governos. Se hoje a juventude vem sendo reprimida em suas lutas é porque os governos temem que nossa luta possa abrir caminho para que a classe operária saia em cena. As reitorias, os patrões e os governos morrem de medo de que uma explosão da juventude possa fazer com que os trabalhadores despertem do imobilismo que as burocracias sindicais o deixaram por anos. Temem que os trabalhadores tomem das nossas frágeis mãos nossas bandeiras.

E como disse meu amigo Guilherme Hurba é nesses momentos de quebra da rotina que a gente percebe que o mundo em que vivemos não deveria ser assim. E todos aqueles jovens estavam ali porque não aceitam mais as mazelas do capitalismo. Não foi um acaso que as falas dos jovens secundas do Rio e de Campinas que estavam conosco despertaram tanto entusiamo. Me arrisco a dizer que foram eles que conseguiram expressar melhor o porque construimos a Faísca. Porque quando entramos numa batalha vamos fazer de tudo pra que ela vença e para que novas pessoas se apaixonem pela revolução. Porque cada experiência que vivemos na luta de classes é uma preparação para esse momento, pois se as ocupações nos mostram que podemos controlar nossas escolas, universidades e o comando de greve mostra que a democracia operária é o melhor meio de organizar a uma luta, também nos mostra como podemos controlar também toda sociedade.

Convido a todos esses jovens que estavam hoje conosco ou que estão compartilhando esse momento incrivel de quebra da rotina pra virem construir essa faísca que pretende incendiar o país, se ligando com a juventude em luta no mundo todo, mas principalmente abrindo caminho pra despertar a classe trabalhadora, os únicos que podem realmente tranformar essa sociedade. Pra finalizar coloco aqui as palavras da minha querida camarada Jéssica Antunes, “a gente tá vivendo um momento histórico e nós podemos sim fazer história, podemos dizer que não vamos aceitar governo golpista se metendo nos nossos direitos, que a nossa luta é por educação, mas é também contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, contra esse Estado que nos mata e esse sistema que nos explora. Porque como dizia Rosa Luxemburgo, queremos um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”




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