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O plano econômico de Lula 2018 não é uma saída para a crise

quarta-feira 22 de março de 2017| Edição do dia

Em recente matéria divulgada pelo Valor Econômico é indicado que um grupo de economistas da Unicamp, USP e FGV, junto ao ex-presidente Lula planejam lançar um plano de emergência para a economia. Já entrando em uma campanha Lula 2018, seria esse um plano de emergência capaz de resolver a miséria social que está sendo imposta por Temer?

Um pouco do Plano

O grupo de economistas ligados à Lula vem se reunindo periodicamente para pensar em práticas imediatas que poderiam tirar a economia da crise, e dar base para um futuro crescimento econômico. Entre as propostas colocadas é reforçada a ideia de um combate a crise no curto prazo, e uma mudança estrutural para reformular a relação público-privado.

Entre os temas debatidos no plano emergencial estão a retomada de crédito, para aumentar a "bancarização". "É crédito para as camadas mais baixas", afirma Ricardo Carneiro (professor da Unicamp). Outro ponto debatido é a renegociação da dívida das empresas, como forma de impulsionar o setor privado, aliado à uma política de investimento público, no melhor molde keynesiano, para o fim do desemprego.

Plano de Emergência para os grandes empresários

Os ataques que estão sendo impostos pelo governo golpista do Temer, como a reforma da previdência, a reforma trabalhista e a grande repressão aos movimentos sociais precisam de uma resposta, que consiga barrar os ataques e ao mesmo tempo fazer avançar para que a classe trabalhadora possa decidir os rumos da sociedade. Essa resposta não pode passar por fora de uma resistência à direita, que se fortaleceu nas últimas eleições, o que devemos nos perguntar agora é: o plano de emergência de Lula pode combater a direita?

Poderia parecer uma pergunta futurologista, mas na verdade ela já foi respondida a mais tempo do que pensamos.

O plano econômico de Lula e de seus economistas, que se aproximaria mais do neodesenvolvimentismo seria uma tentativa de estimular a economia a partir do aumento da demanda, com um aumento de renda para a população além de subsídios para as empresas e bancos, e que assim faria a economia rodar novamente. No qual a partir de um investimento em infraestrutura e com aumento do déficit público poderia fazer voltar os empregos, e o crescimento a lá a tão discutida “Era de Ouro”.

Pensar o cenário internacional é importante para refletirmos as possíveis saídas da crise. O regime neoliberal instaurado no consenso de Washington está posto em xeque, bem como de certa forma a hegemonia americana, com o crescimento da China que é a grande fábrica do mundo apoiada no barateamento da força de trabalho.

O plano econômico baseado na teoria do neodesenvolvimentismo, onde se buscaria aumentar a competitividade das empresas nacionais só poderia acontecer caso a própria supremacia industrial chinesa e de outros países fosse questionada, que no período de crise, passaria por uma maior precarização da força de trabalho, mais precária que a da China inclusive. Colocariam um regime semi-escravo no Brasil? A reforma da previdência e trabalhista apontam nesse sentido.

O plano econômico de Lula 2018, mesmo que quisesse recuperar a competitividade nacional, com subsídios aos empresários e um pouco de crédito para os setores mais pobres, se quisesse dar uma saída à esquerda para a crise, seria capaz de combater o plano da direita, ou mesmo de questionar a influência do imperialismo no Brasil? A resposta é não, pois isso não é suficiente tornando o capitalismo mais “humano” como pretendem tais economistas, senão por uma saída anticapitalista e de classe, com a classe trabalhadora determinando os rumos da economia.

Os novos dados apontam que com a crise, a América Latina se tornaria a exportadora de mais de metade da produção de soja mundial. Longe de parecer como algo benéfico, na verdade aponta um reforço do traço semi-colonial da economia brasileira, que se reflete com o aumento do agronegócio e dos grandes latifundiários, bem como um grande ataque aos trabalhadores, o meio ambiente e os indígenas, como já foi feito no período de governo do PT.

Qual a saída?

A população já se experimentou com esse modelo econômico e governo de conciliação de classes que tenta administrar o capitalismo, ao mesmo tempo que dá o bolo para os banqueiros e algumas concessões para a população no geral, para abafar a luta de classes e os movimentos sociais. Na verdade o que ocorreu é que não chegamos nem perto de um período tal qual a “Era de Ouro” ou mesmo do próprio neodesenvolvimentismo que foi base para as políticas econômicas, senão num período de crescimento sustentado pelo boom das commodities que possibilitou uma acomodação das classes sociais, e um governo que tentava administrar o capitalismo.

Não é novo que tal estratégia de conciliação de classes mostrou que não é uma saída para a classe trabalhadora nem economicamente, uma vez que a crise está sendo descarregada na costa dos trabalhadores com os diversos ataques de Temer. Mas também politicamente, uma vez que foi o PT que abriu espaço para a direita no Brasil, e inclusive prefere fazer sua campanha Lula 2018 do que ter movido um sério plano de lutas contra o golpe institucional.

Um plano econômico realmente voltado para a população passa por um combate radical à direita e todo seu receituário clássico, assim como pensarmos a resolução de problemas estruturais da sociedade brasileira, que certamente tem que ser anticapitalista feito por e para a classe trabalhadora, que coloque em debate a estatização das empresas privadas, por uma lei contra as demissões e a escala móvel de salários.

Saiba mais sobre neodesenvolvimentismo nesse texto.




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