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O parecer hipócrita de Raquel Dodge: parecer da ONU pode valer mas não no TSE

sexta-feira 31 de agosto| Edição do dia

Foto: Evaristo Sá

Entre várias manobras verbais e lógicas dignas de manual Raquel Dodge conseguiu uma proeza digna da presidente do TSE, Rosa Weber. Para a Procuradora Geral da República escolhida por Temer a liminar da ONU pode ter validade mas caberia a uma terceira instância (como o STJ ou STF) e não ao TSE.

A manobra verbal e lógica dela afirma em tese que o STF deveria reconhecer a candidatura de Lula, no entanto como ela não está no STF (mesmo que diante de 3 dos 12 ministros dele) não cabe cumprir a liminar. Depois, caso o STF, julgue ela dirá outra coisa. Lembra o voto de Rosa Weber para prisão em segunda instância, ela tinha afirmado "votar contra sua consciência" para "manter uma colegialidade" (ou seja uma maioria) que só existiu porque ela votou "contra sua consciência."

Este não foi o único malabarismo retórico da Procuradora, também afirmou, sem pestanejar que o processo de Lula, que agora culmina no roubo da população votar em quem quiser, ocorreu dentro de toda legalidade e garantidos todos direitos de defesa. Disse isso depois que o ministro Barroso já tinha reconhecido que a maioria dos juízes presentes sequer tinha lido a defesa da candidatura.

Outro argumento curioso esgrimido no julgamento foi a defesa da "Lei da Ficha Limpa" como uma concretização dos direitos humanos - como afirmou Dodge. Trata-se de uma lei que institui uma tutela do judiciário sobre a possibilidade da população votar como ela quiser.

Um dos únicos direitos - formais no capitalismo - que resta nas apodrecidas democracias liberais burguesas é da escolha de "um soberano" - coisa que esta lei sequestra instituindo uma tutela judicial. Ou seja, segundo a Procuradora Geral, eliminar ou constranger um direito da população, para colocar no lugar o arbítrio de sujeitos eleitos por ninguém, e que ganham cerca de R$ 100mil ao mês, trata-se de "direitos humanos."

Acompanhe aqui a cobertura deste julgamento "express", de cartas marcadas, com objetivo de roubar o direito da população votar em quem quiser. O Esquerda Diário defende incondicionalmente esse livre exercício do sufrágio, ao mesmo tempo que não apoiamos o voto em Lula e em qualquer candidatura do PT, que abriu caminho a todo esse golpismo.




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