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O maio de 1968 e a IV Internacional

Gilson Dantas

Brasília

domingo 1º de julho| Edição do dia

No dia 8 de junho passado, no Seminário Internacional na USP, que tomou como foco Cinquenta anos do maio de 1968: a era de todas as viradas, o tema designado para uma das mesas do evento tinha como título A IV Internacional e o maio de 1968, com a presença de Alejandro Iturbe, André Ferrari, Jorge Altamira e Gilson Dantas.

Na nossa perspectiva, o balanço de como se comportou a IV Internacional durante aqueles anos convulsivos é delicado e problemático, qualquer que seja a corrente trotskista de então que seja examinada. Não nos parece que qualquer delas tenha chegado àquele início de um majestoso ciclo revolucionário, 1968, com clareza de propósitos, com estratégia, com capacidade de ser parte consciente da experiência do movimento operário.

Nossa proposta de fala, nos 20 minutos, da mesa, foi a de tentar oferecer bem sumariamente uma paisagem da IV após a II Guerra Mundial, suas divisões, lado a lado com um processo onde, mesmo que a maioria das correntes continuasse defendendo o programa da IV, a teoria-programa da revolução permanente, mas foi tendendo a separar, progressivamente, a teoria da prática, colocando-se detrás de direções revolucionárias quaisquer, a exemplo do nacionalismo burguês, do stalinismo, de movimentos capitaneados pela pequeno burguesia.

Mesmo defendendo uma teoria revolucionária, mesmo reivindicando Trotski, adotavam práticas que negavam aquela teoria, adotando um comportamento que pode ser qualificado de centrista.

Procuramos também tomar o seguinte tema: com que critério teórico explicar que a IV chegou a 1968 apresentando desvio em relação ao pensamento fundamental de Trotski?

Somente retomando aquilo que seria o núcleo duro da teoria específica da IV Internacional, da teoria da revolução permanente de Trotski, somente assim, se poderia ter um critério para avaliar como as várias correntes trotskistas chegaram ao novo ciclo revolucionário que 68 irá abrir.

Portanto, em primeiro lugar, se fazia necessário examinar questões como: Por que Trotski criou a IV? Com que propósito? Com que teoria-programa? E por que somente a partir do principismo [considerando as mudanças de época] do marxismo revolucionário, de Trotski, se pode formular uma hipótese, uma explicação de por que a IV [ou as Quartas] não passaram naquele teste ácido da história que os movimentos revolucionários reais colocaram diante do trotskismo.

A linha de pensamento defendida na nossa fala foi de que a IV Internacional pós-Trotski, em que pese seus fios de continuidade em relação a Trotski, expressou ali, que havia mergulhado em um processo de rota de fuga em relação ao núcleo duro do pensamento de Trotski. Daí a dificuldade de sua massificação e fusão com o proletariado; e por isso mesmo se faz necessário, hoje, a defesa do trotskismo principista e de centralidade estratégica.

Foi esse o roteiro da nossa fala, que pode ser conferido no vídeo abaixo.




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