PREVIDÊNCIA

“O governo fala em datas para nos confundir, mantenhamos a organização contra a reforma”, diz Maíra Machado

quarta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

O governo não cessa de aumentar as apostas e a fazer de tudo – comprando deputados com dinheiro público, indo a programas de televisão do Ratinho, Sílvio Santos e Amaury Jr. Para vender a reforma – para ameaçar a aposentadoria de milhões, enquanto preserva os privilégios de juízes e políticos.

Desta vez, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, disse que colocará a reforma em votação no dia 20 “para garantir a mobilização para que possa encerrar esse assunto no dia 20, dia 21, 22 ou, no limite, dia 28”.

Sobre isso, Maíra disse que “O Planalto e a Câmara dos Deputados soltam informações cruzadas que se contradizem, falam de quantidade de votos e dias possíveis para atacar a aposentadoria de milhões, mas o que fica claro é que não param de arquitetar esse enorme ataque contra milhões de trabalhadores. Querem votar a qualquer custo a reforma da previdência. Não podemos nos confundir: é necessário organizar toda a força possível para que no dia 19/2 a classe trabalhadora paralise os principais centros econômicos do país contra a reforma da previdência e pelo direito da população votar em quem quiser, direito esse violado pelo judiciário golpista”.

Agregou que “A CUT e a CTB continuam na linha do ’se botar pra votar, o Brasil vai parar’, subordinando a luta dos trabalhadores à agenda parlamentar. Sabemos que a CUT realizou algumas panfletagens no ABC paulista, mas isso não basta, é preciso organizar já assembleia de base para decidir os rumos de uma forte paralisação que seja a ponta de lança para a greve geral. A Assembleia Geral dos Motoristas de Ônibus da Cidade de São Paulo aprovou indicativo de que os rodoviários de São Paulo vão paralisar, inclusive em Guarulhos e região. Sabemos a força que tem os rodoviários para paralisar as grandes metrópoles. Essa deve ser a base para que centrais como a CTB, que dirige o Sindicato dos Metroviários em SP, pare de boicotar a luta e organize a greve no metrô também. Podemos fazer uma enorme demonstração de forças dos trabalhadores em todo o país contra o governo, os juízes e os capitalistas”.

Sobre as afirmações do PT de que “seguirá confiando na Justiça”, Maíra disse que “Essa submissão genuína à institucionalidade burguesa por parte do PT já estava inscrita na entrevista de sua presidente, Gleisi Hoffmann, para a Folha de S. Paulo. A mesma Gleisi que havia prometido aos mercados financeiros uma nova Carta ao Povo que previa uma reforma da previdência ‘light’ pelo PT disse que ‘o STF não permitirá nenhuma violência a Lula’. Nos últimos dias, a página oficial de Lula no Twitter se esforçou por intensificar o timbre de conciliação com o Judiciário golpista”.

Concluiu dizendo que “A única maneira de começar a atacar os privilégios dos políticos e juízes é barrar a reforma da previdência e abolir a reforma trabalhista. A luta de classes dos trabalhadores organizados em seus locais de trabalho é a maneira mais eficaz de derrotar o autoritarismo do Estado e garantir não apenas os direitos formais como o voto, mas o questionamento do conjunto do sistema político degradado dos capitalistas. Baseado nessa luta, poderíamos impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que exigisse que todo político e juiz fosse eleito e revogável, ganhando o mesmo salário de uma professora – que deve ser o valor estipulado pelo DIEESE, R$4000 – abolindo os tribunais superiores, e que todo julgamento fosse feito por júri popular. Da mesma maneira, poderíamos reorganizar toda a economia para que atenda os interesses dos trabalhadores, estatizando sob controle operário as grandes empresas envolvidas em corrupção como a Odebrecht e a JBS. Isso seria um passo importante para um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo”.




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