sábado 12 de novembro| Edição do dia

Desde a antiguidade as sociedades humanas reconhecem nas águias um ícone de dominação e controle. Presente na simbologia das legiões romanas, no estandarte da infantaria napoleônica e na alegoria do nazismo alemão, essa exuberante ave representa, ainda hoje, o poderio econômico norte-americano.

Mas é possível que a avidez pela rapina não seja, necessariamente, uma “lei natural”. Ao analisar o comportamento das águias, Pedro Kropotkin constata que muitas dessas aves colocam seus esforços ao serviço da coletividade. Entre outros exemplos, o eminente geógrafo observa que os animais mais experientes, não obstante a oferta da caça, espreitam a mata para que os aprendizes usufruam da presa em segurança.

Uma vez envolvidos com as ocupações, nossos estudantes parecem recuperar esse princípio. Suas comissões de higiene e alimentação, por exemplo, tanto valorizam o apoio mútuo quanto assinalam a autogestão enquanto compromisso com a comunidade. Mais do que isso, expõem o paradoxo de que somente em liberdade nos habilitamos para o autocontrole. Que suas experiências deitem raiz e que o mutualismo exponha a falácia das teorias assentadas na competição.




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