Política

ENTREGA DA PETROBRAS

O ensurdecedor silêncio petista sobre a venda da BR distribuidora

O servilismo do governo Bolsonaro aos grandes países não tem limite. Em mais uma prova disso, o governo vendeu as ações, e assim perdeu o controle majoritário da Petrobrás sobre a BR Distribuidora, que até então era a maior distribuidoras de combustíveis do país. Ela controlava 30% do mercado, possuindo quase oito mil postos, atuando também em 99 aeroportos por todo o território nacional. Na prática o que aconteceu foi uma privatização. Frente a isso, o PT, que dirige a maior central sindical da América Latina, a CUT, permaneceu em silêncio e não impulsionou a mobilização dos trabalhadores contra o ataque.

sexta-feira 26 de julho| Edição do dia

Até 2017 a Petrobras era a única proprietária da BR distribuidora. Após o golpe institucional, o governo Temer promoveu uma grande investida em favor dos negócios imperialistas sobre o petróleo brasileiro. Mal havia se consumado o golpe e a lei de exploração do petróleo foi modificada, para alegria das gigantes petroleiras internacionais.

Agora essa situação se aprofunda. Com a nova venda de suas ações, que totalizando 9 bilhões, a Petrobras reduziu sua participação de 71% para 41%, e agora investidores privados têm a maioria das ações da distribuidora de combustíveis. Uma assembleia de acionistas ainda vai definir quem será o novo controlador da empresa.

O PT, que dirige a maior central sindical da América Latina e que poderia ter mobilizado inúmeros trabalhadores com assembleias, paralisações e greves contra esse saque, não organizou nada. A única medida da Federação Única dos Petroleiros (FUP), dirigida pelo PT, foi entrar com uma Ação Popular, contra a venda de ações e perda do controle majoritário da Petrobras sobre a BR Distribuidora.

As medidas jurídicas são importantes e necessárias desde que não estejam descoladas de medidas de mobilização. Como se sabe, no país do golpe institucional, e com um judiciário autoritário, a letra fria das leis tem pouca importância para os juízes e desembargadores.

Por isso, é ensurdecedor o silêncio da direção petista sobre mais uma grave entrega das riquezas nacionais. Entrar com ações jurídicas, por fora de mobilizar a base dos trabalhadores da Petrobras, somando com ações de solidariedade de diversas categorias, é inócuo e só serve para lavar a cara dessas direções, que depois dirão que fizeram o possível contra a privatização.

Ao contrário, se tomassem essas medidas de mobilização contra as privatizações, encampando conjuntamente uma grande campanha política contra a entrega das riquezas naturais ao imperialismo, cruzando bandeiras contra a reforma da previdência e os ataques na educação, que também estão a serviço de satisfazer os interesses imperialistas, poderia-se criar uma força social que pudesse fazer frente ao servilismo pró-imperialista de Bolsonaro e Guedes.

Enquanto as privatizações e a reforma da previdência tramitam a todo vapor para a votação em segunda instância no Congresso, as direções petistas seguem sem propor um plano de lutas sério para barrar os ataques do governo, pelo contrário, colocam seus governadores do nordeste para batalhar pela inclusão dos Estados e Municípios no texto da reforma que será votada no congresso.

O PSOL, e suas figuras públicas teriam um papel muito mais relevante se questionassem essa política das direções sindicais, convocando trabalhadores e estudantes a impulsionarem mobilizações, exigindo das direções de suas entidades um plano de lutas sério que pudesse fazer frente ao conjunto dos ataques colocados contra a classe trabalhadora e povo pobre.




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