Educação

ENEM 2017

O drama do ENEM e o acesso à Universidade

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

domingo 5 de novembro| Edição do dia

Hoje, 05, aconteceu o Enem, uma prova considerada democrática por substituir o vestibular em algumas universidades públicas ou garantir bolsas em faculdades particulares mediante um bom resultado na prova. A taxa de inscrição para a prova, porém, aumentou em 20,5%, passando de de R$ 68 (sessenta e oito reais) para R$ 82 (oitenta e dois reais), isso dificultou ainda mais o acesso dos mais pobres que já enfrentam uma série de dificuldades para competir com aqueles cujo estudo foi concluido em boas escolas particulares. Competição, meritocracia, a mentira de que todos podem chegar lá, são realidades do capitalismo que perseguem os jovens e trabalhadores que sonham em cursar uma universidade.

Conhecidamente excludente, tanto o Enem quanto os vestibulares, são filtros sociais que realçam o quanto o ensino superior é elitista. A maior porcentagem dos ingressantes nas universidades públicas são oriundos de escolas particulares. A contradição está no fato de que a maioria dos brasileiros faz ensino básico em escolas públicas e faculdade na rede particular. Mesmo que a porcentagem dos estudantes de escolas públicas que entram em universidades públicas tenha aumentado, ainda são minoria, ainda assim a composição dos estudantes nas universidades é maioria branco e rico. Também é minoria o número de brasileiros com ensino superior, muitos não concluem nem o ensino médio.

Alguns países como a Argentina estabeleceu o acesso às universidades como "livre e irrestrito" garantindo a gratuidade do ensino superior em instituições públicas, dando fim ao vestibular. Este é o exemplo que deve ser seguido no Brasil para colocar fim ao filtro social que é o vestibular e a exclusão de milhões de jovens do ensino superior.

No Enem de 2017, a inovação são as imposições dos golpistas do Escola Sem Partido, impondo regras à correção da redação em favor de defender sua ideologia contrária aos direitos humanos, aos direitos da população LGBT, mulheres, negros etc. Estes se fortaleceram com o golpe institucional que colocou Michel Temer no poder, e lideram um Lobby educacional com o objetivo de privatizar todas universidades públicas.

Em uma conjuntura em que os cortes só aumentam à educação, com a PEC 241, a luta em defesa do ensino superior público passa por defender vagas para todos, condições de permanência estudantil e financiamento das vagas públicas através da taxação das grandes fortunas dos monopólios educacionais como Kroton-Anhanguera que são sustentados por Temer, assim como foram sustentados nos governos do PT. Para que todos possam ter acesso à uma educação de qualidade, lutar pela estatização das universidades privadas que possuem a maior parte de seu financiamento vindo das verbas públicas do FIES e PROUNI; e que para estas sejam geridas pelos professores, trabalhadores da universidade, comunidade universitária com maioria estudantil.

Também Leia: Porque os estudantes devem defender a estatização da Kroton-Anhanguera?




Tópicos relacionados

Vestibular   /    ENEM   /    Universidades Privadas   /    Universidades Federais   /    Universidade   /    Educação   /    Juventude

Comentários

Comentar