ELEIÇÕES EUA

O discurso do estado da União: um Trump racista, imperialista e antidireitos

O presidente norte-americano realizou uma apresentação digna de uma campanha eleitoral. O golpista venezuelano Juan Guaidó esteve presente e foi aplaudido tanto pelos políticos republicanos quanto pelos democratas.

quarta-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Na noite dessa terça-feira (4), o presidente Donald Trump se apresentou perante o Congresso norte-americano para realizar o tradicional discurso de estado da União.

Desde o início, o que ficou evidente foi a tensão que atravessa a política norte-americana. São duas questões principais a que cruzam. Por um lado, o julgamento político (impeachment) que se substancia contra Trump, em que a definição do Senado [foi, nessa quarta-feira, de absolvição do presidente].

Por outro lado, de fundo está a campanha eleitoral que se desenvolverá até o mês de novembro, quando será eleito o próximo presidente. O discurso de Trump funcionou, de certo modo, como um adiamento da sua estratégia de campanha.

A tensão esteve evidente desde o início. À ausência de algumas das legisladoras mais conhecidas do Partido Democrata se somou as farpas entre Trump e Nancy Pelosi, a líder dos Democratas no Congresso.

Antes de subir à tribuna da Câmara de Representantes para falar, o presidente se negou diretamente em cumprimenta-la. Pelosi é, ademais, uma das autoridades parlamentares máximas.

O mal-estar se manteve ao longo de toda a intervenção de Trump. As câmeras captaram mais de um gesto de reprovação da democrata. O ponto mais alto chegou ao final do discurso, quando – diante dos olhos de todo o mundo – a legisladora rasgou a cópia do discurso que o presidente a havia entregado.

Em seu discurso – que durou quase uma hora e meia – o republicano se dedicou a reivindicar a situação da economia, ao passo que voltou com seus ataques contra os imigrantes, reivindicando a construção do muro na fronteira com o México.

Trump também aproveitou para atacar às chamadas cidades santuário dos Estados Unidos (aquelas onde se evita perseguir aos imigrantes irregulares que não estão acusados de nenhum delito), apontando-as como responsáveis de “favorecer a delinquência”.

O discurso acarretou na defesa de seu mandato, reivindicando em particular os números da economia. Desta forma, marcou o tom do que será sua campanha eleitoral.

Onde não houve atrito entre republicanos e democratas foi a respeito da reivindicação da ofensiva golpista na Venezuela. Durante o discurso, Trump apresentou Juan Guaidó como “o verdadeiro e legítimo presidente da Venezuela”. O aplauso foi quase unânime, com exceção de um par de congressistas. O presidente tachou Maduro de “um ditador que atua brutalmente contra seu povo”.

Na hora da política imperialista, as diferenças entre democratas e republicanos passam para um evidente segundo plano.




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