Opinião

CONHECIMENTO DE CAUSA

"O dinheiro não compra ética", afirma Eike Batista em entrevista a João Doria

Recordar é viver: Em 2011 João Doria entrevistou Eike Batista no seu programa "Show Busness". No encontro, o atual prefeito cinza de São Paulo e o empresário foragido internacional por envolvimento em corrupção trocam sorrisos e afagos. Uma das frases mais marcantes da entrevista é quando, com conhecimento de causa, o empresário procurado pela Interpol afirma: "O dinheiro não compra ética".

domingo 29 de janeiro de 2017| Edição do dia

Em 2011 Eike Batista era considerado o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo, sem as denúncias que hoje revelam um pouco da sujeira presente na origem de sua fortuna. Naquele momento João Doria o recebia cheio de sorrisos e elogios, enaltecendo sua admiração ao empresário corrupto.

Na entrevista Eike Batista afirma, e Doria concorda, que os brasileiros se surpreenderam com Lula, pois ele poderia ter sido "um Chávez" mas conseguiu "abraçar todos os brasileiros: banqueiros, empresários, as classes mais baixas…" Nota-se o quanto os grandes empresários estavam satisfeitos com conciliação de classes do petismo, enquanto ela ainda funcionava. Quando não foi mais capaz de atender plenamente seus interesses, muitos deles não vacilaram em apoiar o golpe para tirar Dilma, sucessora de Lula.

Eike promete que a partir de 2014 vai investir em saúde, educação, inovação tecnológica, tudo como "investimento social" para "devolver um pouco" ao Brasil, que com suas riquezas naturais permitiu que ele erguesse seu império em ramos estratégicos. E é justamente em 2014 que a fortuna de Eike mais retrai, chegando ele a dar declarações ridículas como "voltar à classe média é um baque gigantesco".

João Doria, depois de falar em "boa gestão pública", fala de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro com muito carinho, diz que é seu amigo de infância. Não se viu, porém, nenhuma mensagem de solidariedade de Doria a seu grande Cabral quando ele foi preso, também por envolvimento em corrupção.

Eike destacou o que na época era o projeto do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, que inaugurou terminais em 2015. Sobre as condições legais para o projeto ele afirma "a legislação não foi feita pra mim", frase que passava despercebida naquele momento, mas que hoje, sabendo das investigações sobre pagamento de propina do empresário para Sérgio Cabral, na época governador do Rio de Janeiro, parece bastante suspeita.

"O que o dinheiro não compra?" pergunta Doria a Eike, que responde prontamente (e com conhecimento de causa): "Não compra ética". Sendo ele mesmo uma prova viva de sua afirmação, além de tantos outros políticos e empresários envolvidos em inúmeros escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes. Ao final, Doria não perde a oportunidade de elogiar mais uma vez Eike, seu ídolo: "que você continue um bom exemplo, um bom brasileiro e um bom cidadão".

Essas são somente algumas das passagens demagógicas e hipócritas destes dois milionários. Muito mudou de lá pra cá, porém nem tudo: defendem com afinco o que hoje Doria vem aplicando em São Paulo: privatização, entrega de patrimônio público ao lucro do setor privado, e mais privilégios para classe dominante.

Veja a entrevista na íntegra:




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