Opinião

DIA 1 DO GOLPISMO

O dia 1 do golpe: mídia eleva o tom, PSDB ameaça rompimento e mais repressão.

sexta-feira 2 de setembro| Edição do dia

Toda mídia burguesa do país comemorou o golpe que ajudaram a consumar. Porém, seus editoriais ácidos e ávidos por ajustes nas contas públicas - que significa em última instância tirar dos trabalhadores e da juventude os direitos conquistados a duras penas - criticaram a ação de Renan Calheiros que votou a favor do impeachment, e que deu parecer favorável ao fatiamento da votação, influenciando a base do PMDB, para que Dilma saísse do processo com o direito a exercer funções públicas, sobrou até para Lewandowski , que acusaram estar por dentro do “acordão”, pela defesa tão imediata da divisão, sem ao menos pestanejar, já que aguarda um aumento de R$ 4 mil em seu salário, que será votado na próxima semana dia 8.

Acenaram a Temer que seu principal entrave agora é Renan Calheiros, já que o “Tamo Junto” na solenidade da posse significa nada menos que: eu te ajudo, mas cobro meu preço! Afinal, o presidente do Senado é um dos parlamentares investigados pela Lava Jato. Além é claro, do peso que Renan tem para passar ou não qualquer medida, e o mesmo está buscando certa conciliação com PT.

A mídia elevou o tom e deu destaque as oscilações e ameaças feitas pelo PSDB de rompimento com o governo caso os ajustes não estejam na pauta imediata das próximas semanas, aliados importantes do governo golpista. Os ajustes que tanto exigem favorecem sua base, o empresariado, que também formaram peça importante na garantia do golpe, e a quem pretendem pagar pelo serviço com privatizações, reforma da previdência, e terceirização, assim podem seguir suas vidas confortáveis e cheias de regalias, dignas das oligarquias desse país. Diga-se de passagem, essas ameaças já haviam começado na semana passada, obviamente, pela clara vitória em relação ao golpe.

Ao longo do dia PSDB e setores do próprio PMDB entraram com ações para impugnar a votação que favoreceu Dilma na inabilitação de seus direitos políticos, como dissemos aqui.

Repressão para ganhar tempo

O nível de impopularidade do governo é brutal! Desde o início da semana atos vem sendo organizados pelo país a fora contra o golpismo descarado do governo. Nas redes sociais a cada pronunciamento de Temer uma enxurrada de posts e comentários desmascararam a farsa da legitimidade do impeachment, e em resposta ao desgosto em ser caracterizado como golpista!

Como resposta a organização desses setores, e a pedido de Temer a repressão foi brutal em São Paulo e Rio Grande do Sul, numa clara tentativa de abafar e inibir os manifestantes para ganhar tempo e conquistar a popularidade que precisa para passar as medidas impopulares, que tanto exigem os setores da burguesia que ajudaram a colocá-lo no poder.

É tão escandalosa a tentativa de legitimar seu governo por meio da repressão, que assinou um decreto autorizando o uso das forças armadas na condução do revezamento da tocha paraolímpica como denunciamos aqui.

Organizar um novo junho contra o golpismo

Está dado, mais do que nunca, que a estratégia falida do PT em querer derrotar o golpe com acordos não deu certo! Tentaram conciliar tudo que puderam por cima com os que estiveram lado a lado com eles em seus anos de governo, e acharam pouco os ajustes que vinham impondo aos trabalhadores e à juventude desse país. A ponto de o tirarem do governo quando precisaram acelerar os ritmos dos ataques. E mesmo assim, o PT não satisfeito sua paralisia de meses segue apostando na defesa pela via judicial, hoje entraram com ação no STF para impugnar a votação do impeachment, como dissemos aqui.

Passaram todos esses meses com ameaças inúteis de uma greve geral que nunca chegou a acontecer, num país que amarga 12 milhões de desempregados, ameaça de reforma da previdência, congelamento dos salários dos servidores, e avanço da terceirização às atividades fim. Medidas essas que a CUT e CTB não se deram ao trabalho de responder por meio de assembleias de base, greves, cortes de rua e ocupações.

A crise orgânica aberta por junho de 2013 não se fechou com a vitória do impeachment, ao contrário fez levantar o espírito dos que lutam. Porém, é fundamental transformar essas mobilizações contra o governo golpista em uma verdadeira guerra, assim como foi em junho de 2013, que possa superar as direções burocráticas que até agora não se dignaram a defender os trabalhadores. Seguimos exigindo que essas centrais rompam imediatamente com sua procrastinação criminosa e saiam já à luta, não se limitando ao calendário do PT, mas sim colocando de joelhos Temer e sua corja de ajustadores canalhas. Somente assim sairemos vitoriosos e poderemos dar uma saída à esquerda a crise do regime que enfrenta o país.




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