Política

PICCIANI E SEU PASSADO ESCRAVISTA

O corrupto Picciani foi dono de fazenda com trabalho escravo

quinta-feira 16 de novembro| Edição do dia

Até anteontem Picciani era um nomes incontestáveis entre os "caciques" da política fluminense. Em seu cargo "quase vitalício" à frente da Alerj, o deputado comandava os esquemas do PMDB. Agora, encontra-se preso preventivamente - sua liberação ou não será decidida pela Alerj amanhã - por seu envolvimento no esquema de corrupção com empresários do transporte do Rio.

Mas para alguém que chefia a suja política dos patrões no estado do Rio de Janeiro, podemos ter certeza que o esquema apontado na Operação Cadeia Velha é apenas a ponta do iceberg de um currículo muitíssimo sujo e de crimes incontáveis contra os trabalhadores e a população fluminense.

Para lembrar um pouco disso, vejamos o caso em que Picciani foi acusado de utilizar trabalho escravo na sua fazenda, a Agrovás, localizada em São Félix do Araguaia, no Estado do Mato Grosso. Nada menos que 39 trabalhadores foram encontrados no local em condição de escravidão em junho de 2003.

Os trabalhadores, para que não fugissem, eram vigiados de perto por capangas de Picciani, os chamados "gatos" que os mantinham na servidão cotidiana. Eles eram obrigados a tomar banho, lavar suas roupas e beber todos a mesma água, sem nenhuma condição de higiene. Um menor de idade, de 17 anos, fazia parte das dezenas de trabalhadores explorados brutalmente na fazenda do deputado.

A covardia de Picciani ficou evidenciada quando tentou responsabilizar dois empreiteiros contratados por ele pela situação dos trabalhadores, alegando "não saber de nada". Quem o desmentiu foi o gerente da propriedade, que disse que Picciani visitava o local com frequência, sobrevoando a área inclusive.

Mas, é claro, como um poderoso político patronal, Picciani saiu imune de seus crimes. Foi feito apenas um acordo com o Ministério Público do Trabalho estabelecendo uma indenização aos trabalhadores e o cumprimento das leis trabalhistas. O Procurador-Geral de Justiça do Rio arquivou o caso.

Picciani seguiu sendo um grande chefe dos esquemas do PMDB no Rio, onde permaneceu até hoje. Se depender da justiça, é capaz que mais uma vez escape de seus crimes.




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