Internacional

O coronavírus chegou à Casa Branca

Após o contágio de alguns funcionários do alto escalão da Casa Branca, um novo procedimento determina que todos devem entrar usando máscara. Todos, exceto Trump

Nicolás Daneri

Engenheiro Industrial | Docente UTN.BA | Pesquisador Conicet

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

No sábado passado, dois assessores do alto escalão da Casa Branca testaram positivo para coronavírus. Um forte alerta para uma administração que minimiza constantemente os efeitos do vírus e a necessidade de implementar as medidas recomendadas pelos especialistas. Da mesma forma, Trump permanece firme em sua política anti científica, uma nova diretriz exige que todos que entram na Casa Branca usem máscaras, mas exclui o magnata da obrigação.

Desde o início da pandemia, Trump sempre se recusou a implementar medidas mínimas de contenção. Ele relegou aos estados a decisão de implementar quarentenas ou restrições de circulação, desperdiçando a oportunidade de elaborar um plano centralizado para atacar a disseminação do vírus. E, desde o minuto 0, ele pressionou pelo fechamento do menor número possível de lojas e fábricas, privilegiando "a economia sobre a saúde". Nas últimas semanas, Trump e o vice-presidente Mike Pence foram vistos visitando fábricas, hospitais e asilos sem usar máscaras.

No último sábado, a porta-voz do vice-presidente testou positivo para coronavírus, além de um soldado próximo ao presidente. Katie Miller deu uma entrevista coletiva na quinta-feira passada, em frente a uma casa de repouso onde Pence estava distribuindo itens de proteção. No dia seguinte, ela recebeu ordem para sair do avião do vice-presidente, juntamente com outros 6 funcionários que estavam potencialmente expostos ao vírus. Um repórter que cobriu a conferência disse que Miller, que não usava máscara, tossiu e depois fez uma piada (de mau gosto) dizendo que não tinha o vírus.

As respostas dos funcionários da Casa Branca foram confusas, como já estamos acostumados. Alguns membros da força-tarefa, que aconselham o presidente, se isolaram. Outra parte da equipe do alto escalão continuará trabalhando normalmente.

Trump está constantemente se esforçando para mostrar que sua resposta foi eficiente, que o número de infecções está caindo em todos os lugares. A realidade se esforça constantemente em desmenti-lo.

O atual presidente é um grande negacionista da ciência, como evidenciado por seu desprezo pelos cientistas que trabalham com as mudanças climáticas e por sua negação sobre o impacto da atividade humana no planeta. Mas isso, por si só, não é suficiente para justificar sua posição sobre as medidas a serem tomadas na pandemia.

As constantes pressões para "reabrir os estados", para evitar uma quarentena do país e contra a implementação de medidas, como o distanciamento social e o uso de máscaras, também se baseiam em sua defesa das grandes empresas. O principal interesse de Trump e a classe social que ele representa é manter e aumentar seus lucros. As diretrizes básicas de saúde representam um custo evitável para eles, pois é mais barato demitir um trabalhador doente e contratar outro, do que fornecer os elementos necessários para que eles não sejam infectados.

As quarentenas massivas, mais uma vez, demonstraram sua eficácia em conter infecções, mas sua contrapartida é a paralisação quase completa da economia. Além disso, grandes setores da sociedade não podem ficar em casa, seja por terem um trabalho precarizado, ou porque são trabalhadores essenciais. Por outro lado, ficar em casa é um perigo para os setores mais marginalizados que vivem em condições de superlotação, alguns até sem água potável. Isso se aplica tanto aos EUA, como à América Latina e ao restante do mundo. A recusa quase absoluta dos estados nacionais em aplicar testes massivos para poder direcionar as quarentenas, criou essa falsa dicotomia entre economia e saúde, sempre em detrimento dos trabalhadores.

Publicado originalmente no La Izquierda Diario Argentina




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