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CORONAVÍRUS

O controle da produção pelos trabalhadores é a "medida de emergência" de que precisamos

Existe apenas uma maneira de garantir que todas as diferentes medidas de emergência que estão sendo tomadas para combater a pandemia de coronavírus sirvam aos interesses da classe trabalhadora e não dos capitalistas, cuja principal motivação é resgatar seu sistema econômico corrupto e desumano: o controle dos trabalhadores.

domingo 22 de março| Edição do dia

Reproduzimos aqui um artigo publicado originalmente pela mídia norte americana Left Voice, que integra a rede internacional do Esquerda Diário.

O infantil presidente que passou semanas dizendo às pessoas nos Estados Unidos que o coronavírus não era motivo de preocupação, que era uma farsa ou um complô da mídia para minar sua presidência, que se dirigiu para as câmeras de TV em várias ocasiões mentindo sobre o número de casos e a disponibilidade de testes, declarou em 17 de março, "eu senti que era uma pandemia muito antes de ser chamada de pandemia". Agora Donald Trump, cujo pai comprou um diagnóstico médico para ele para evitar o serviço militar durante a Guerra do Vietnã, que alegou saber mais sobre estratégia militar do que generais, e que tentou fazer uma parada gigante em sua homenagem com tanques e mísseis em caminhões, realiza seu desejo. Ele começa a se chamar "presidente da guerra".

Isso ocorreu como parte de seu anúncio de que ele estava invocando o Defense Production Act (Lei de Produção para Defesa) de 1950, estabelecida para permitir que o governo mudasse a produção das fábricas para as necessidades de guerra durante a Guerra da Coréia. Era uma formalização do que o governo dos EUA fez durante a Segunda Guerra Mundial, quando enviou mulheres para fábricas ociosas - trabalhadores homens haviam sido massivamente enviados à Europa ou ao Pacífico para lutar - para fabricar aviões, armas, munições e outras necessidades militares.

A ordem executiva de Trump afirma que o governo usará essa lei para obter "recursos médicos e de saúde necessários para responder à disseminação do COVID-19, incluindo equipamentos de proteção individual e ventiladores".

Se isso faz você pensar que o governo dos EUA está nacionalizando fábricas como parte da resposta ao combate ao vírus, pense novamente. Assim como na guerra "regular", há muito lucro a ser obtido pelos capitalistas.

Sob o capitalismo, toda guerra significa lucro

A Lei de Produção para Defesa (DPA, na sigla em inglês) possui três seções principais. Na seção "Prioridades e alocações", o DPA concede ao presidente autoridade para exigir que as empresas aceitem e priorizem contratos para serviços e materiais considerados necessários. A seção “Expansão da capacidade produtiva e suprimento” permite ao presidente criar incentivos para a indústria produzir materiais críticos. As “Disposições Gerais” estabelecem a autoridade do governo para chegar a acordos com a indústria privada e criar um grupo voluntário de executivos do setor que possam ser chamados ao serviço do governo.

Vamos juntar tudo isso. Além de estipular o que as fábricas produzem - talvez a fábrica da GM perto de você comece a fabricar ventiladores - tratam-se de negócios como sempre. O governo emitirá contratos - ou seja, eles usarão nosso dinheiro de impostos para pagar pelos bens produzidos. Esses contratos terão incentivos à cooperação e participação na produção de tudo o que o governo julgar necessário. E um grupo de capitalistas estará sentado à mesa, tomando as decisões.

O que poderia dar errado? Não é como se os donos das fábricas estivessem fazendo algum tipo de sacrifício pela nação. Para que você não pense que isso é algum tipo de nacionalização, veja que a propriedade e o lucro são garantidos. Eles poderão manter alguns trabalhadores empregados, mas você pode apostar que eles solicitarão ao governo novas medidas que lhes permitam baixar salários, benefícios e outras proteções. Afinal, é uma emergência nacional - e o DPA também autoriza o presidente a impor controles salariais e resolver disputas trabalhistas. De que lado você acha que Trump vai estar em um confronto entre trabalhadores e chefes? Se os bares estivessem abertos, poderia haver um novo jogo com bebidas: tome uma dose sempre que um dos companheiros de Trump conseguir um contrato com a DPA do governo.

Portanto, embora definitivamente devamos estar em pé de guerra, nacionalizando todo o sistema de saúde e os esforços produtivos necessários para garantir que tenhamos os suprimentos e a capacidade de que precisamos neste momento terrível, isso precisa ser feito sob controle democrático pela classe trabalhadora . Essas ordens executivas não são isso!

Riscos

Em 18 de março, o New York Times informou que o governo federal havia mostrado a seus repórteres um plano de 100 páginas que estabelece "um prognóstico sombrio" para uma pandemia que "durará 18 meses ou mais" chegando em "várias ondas". Ele prevê escassez generalizada que sobrecarregará os consumidores e o sistema de saúde dos EUA. Além da escassez de equipamentos médicos, a declaração da DPA chama a atenção para “impactos nas necessidades básicas de vida nos níveis estadual / local”, incluindo alimentos, combustível, transporte e assim por diante.

É o primeiro documento oficial do governo dos EUA a retratar uma imagem tão dura do que está por vir.

O plano também diz: “Os governos estaduais e locais, bem como a infraestrutura essencial e os canais de comunicação serão sobrecarregados e potencialmente menos confiáveis. Essas tensões também podem aumentar os desafios de obter mensagens atualizadas e coordenar orientações para essas jurisdições diretamente.”

Em outras palavras, o governo está prevendo que mesmo o canal em que você está lendo este artigo, no Facebook ou na Internet, possa se ficar indisponível ou seriamente comprometido, junto com o rádio, a TV, os sistemas telefônicos e todas as outras formas pelas quais permanecemos em contato e obtemos as informações necessárias.

Os marxistas pedem a nacionalização das indústrias porque esse passo visa organizar e racionalizar a produção no interesse do bem social e não com o objetivo de obter lucro. A propriedade pública de serviços essenciais - saúde, educação e transporte público, por exemplo - é particularmente importante porque o acesso a esses serviços é fundamental para a vida humana e não deve ser governado pelas forças do mercado.

Em uma crise de vida ou morte, a nacionalização assume um novo significado e urgência. Precisamos do que a uso de Trump do DPA pretende fornecer - materiais médicos essenciais que estão em escassez - mas não há nada a ser ganho pela classe trabalhadora na abordagem capitalista, centrada em garantir que os trabalhadores ainda possam ser explorados para gerar lucro para os patrões. O que muda nossa situação não é o que produzimos, mas como esse trabalho é organizado.

Sim às medidas radicais para combater o vírus, mas os trabalhadores devem segurar as rédeas.




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