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O “barco da repressão” deixa a Catalunha, entenda

O barco Moby Dada abandona, depois de quase dois meses, o porto de Barcelona. O barco com a cara do Piu-piu serviu para hospedar as forças de segurança do Estado espanhol destinadas a reprimir o povo catalão. Os milhares de agentes que se alojavam nele, conhecidos agora como os “piu-piu”, seguem na Catalunha.

domingo 19 de novembro| Edição do dia

Adeus Piu-piu. O cruzeiro com a cara do passarinho animado e de outros personagens da Warner atracado no porto de Barcelona desde quase dois meses, abandona por fim sua estância na cidade. O Moby Dada, de origem italiano, chegou ao porto no dia 20 de setembro junto com outros barcos, um deles ancorado no porto de Tarragona, com o fim de alojar um destacamento da Polícia Nacional e da Guarda Civil.

No mesmo dia que a Guarda Civil deteve 14 altos cargos da Generalitat da Catalunha por sua suposta relação com o referendum que iria acontecer no dia 1 de outubro, o cruzeiro do Piu-piu e os outros barcos chegavam à Catalunha para alojar a mais de 8 mil agentes que tinham como principal objetivo impedir a jornada histórica do 1-O com o uso de forte repressão.

Às 5 horas da manhã centenas de lanchas saíam do porto. As unidades anti-distúrbios de ambos os corpos policiais se encarregaram, mas não conseguiram conter a vontade do povo catalão. Deixaram mais de mil feridos com disparos de bala de borracha, com cassetetes e demais agressões contra milhares de pessoas defendendo urnas e colégios eleitorais.

Depois do 1-O o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, chegou a alargar a estância dos milhares de agentes nos navios em diversas ocasiões e até depois do 21D, data das eleições impostas pelo Governo de Mariano Rajoy, não há previsão de dar a ordem de regresso. E menos ainda com o artigo 155 em marcha.
Além do rechaço aos corpos de segurança enviados por Mariano Rajoy (autênticas forças de ocupação aos olhos de milhares) com o fim de reprimir o povo catalão, as “residências flutuantes” da Polícia Nacional e da Guarda Civil se converteram em fonte de diferentes polêmicas.

A decisão do ministério do Interior de cobrir o navio do Piu-piu com lonas para ocultar semelhante ridículo foi a gota que fez transbordar o copo d’água nas redes sociais. Foi pior o remédio que a doença, desatando uma nova tormenta humorística no Twitter, sob a hashtag #FreePiupiu. Em questão de minutos, a etiqueta se converteu em tendência. O deputado de ERC, Gabriel Rufián, ironizou com o célebre “Piu-piu vive, a luta segue”, esse foi um dos tweets que zombam do Governo e dos corpos de segurança.

Por outro lado, se revelou também o custo dos “barcos da repressão”. Segundo um tweet do Conseller de Territori e Sostenibilitat, Josep Rull, agora preso, os três navios policiais custam 300.000 euros por dia às arcas públicas do Estado.

A imagem do Piu-piu reprimido se converteu em um autêntico símbolo contra a repressão do Governo do Estado espanhol. Ainda mais depois da prisão sem fiança de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart e grande parte do Governo da Generalitat.
Agora, depois de quase dois meses atracado, o barco do Piu-piu abandona o porto de Barcelona. Por outro lado, os agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil que nele se alojam, não. O cruzeiro GNV Azzurra, até o momento ancorado em Tarragona, tomará o relevo na tarefa de alojar às forças repressivas do Estado espanhol, junto ao Rhapsody que permanecerá em Barcelona por tempo indefinido.

Sem dúvida, desde o passado 1-O e depois da exigência do povo da Catalunha aos representantes políticos de cumprir o mandato popular e a posterior defesa da República, a proclama de “fora as forças de ocupação” se converteu em uma das principais reivindicações para milhares e milhares de catalães.

Até quando piu-piu’s na Catalunha? Só a mais ampla mobilização, como a que surgiu à raiz do 1-O e irrompeu nas ruas de toda a Catalunha, será a única fórmula para fazer retroceder a repressão e conquistar uma autêntica república catalã.

Isso é tu... isso é tu... isso é tudo, amigos (ou não).




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