Opinião

TRIBUNA ABERTA

O avanço do fascismo no Brasil

O fascismo no Brasil tem dado as caras ultimamente, somado ao advento do crescimento da extrema direita ao redor do mundo. Temos acompanhado aqui, cenas degradantes e preocupantes.

domingo 7 de maio| Edição do dia

Artigo publicado no blog Coluna Popular

Hoje no Brasil, temos a polícia que mais mata no mundo (uma pessoa a cada 5 minutos), a justiça que fica em 3º no ranking no número de presos (ou seja, que mais condena) sendo estes, 61,6% negros, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) – vide Rafael Braga, uma sociedade conservadora que cresceu exponencialmente graças ao sentimento de anti petismo e anti comunismo e que tem desenvolvido ideais reacionários e fascistas, o que gera o aumento da influencia de grupos como os separatistas do “O sul é meu pais” (movimento xenofóbico por essência), “Direita São Paulo” (autores de manifestações xenofóbicas), “Carecas do subúrbio” (seguranças do MBL), “Frente Nacionalista” e outros mais.

Assistimos calados diversas manifestações de ódio, seja por parte de indivíduos no seu âmbito privado ou então até mesmo do Estado por meio de uma polícia repressiva. Como se a agressão ao jovem Mateus (atingido com um cassetete na cabeça, o que lhe causou um afundamento no crânio) já não fosse suficientemente absurda por si só, colegas de trabalho do Capitão Augusto Sampaio preparam um café em seu apoio. Assim como o comandante da policia do Ceará saindo em defesa do policial que agrediu uma mulher com um tapa no rosto para que ela “falasse baixo” ou até mesmo o fato da menina Gabriela de 11 anos ter sido baleada na boca pela PMMG, durante uma desocupação ilegal. O pior, é que vemos a sociedade se posicionando a favor de tais atitudes, algo que nos lembra e muito, o período em que vivenciamos a ditadura civil-militar.

Em São Paulo nessa semana, dezenas de pessoas se reuniram para se manifestar contra a lei de migração e ostentavam cartazes e realizam frases xenofóbicas (lembrando muito, em escalas bem menores, as manifestações da extrema direita européia). Estes mesmos, descendentes de estrangeiros que vieram para o Brasil no século XX!

Uma reforma trabalhista rural, que aliada a lei de terceirização irrestrita e o poder dos grandes latifundiários, submete o trabalhador rural a trabalho escravo, LITERALMENTE!

Tal avanço do fascismo no Brasil, se da por conta da política neoliberal que tem sido enfiada goela a baixo na sociedade brasileira. Promovida por grandes empresas nacionais e estrangeiras, em conluio com este governo entreguista e elitista. Afinal de contas, o liberalismo e o fascismo andam lado a lado, a mando do capital.

Retirada de direitos, apoiada por esta classe dominante e empresarial, aliada a uma opinião publica absurda, está trazendo tempos mais que sombrios para nossa sociedade.

Vale lembrar, que no Brasil temos o nosso próprio movimento fascista (aquele clássico, estilo mussolini) representado no movimento Integralista Brasileiro, que em meados da década de 30 chegou-nos ter 1,5 milhões de filiado e lançou Plinio Salgado à presidência. Estes, por sua vez, conheceram a força do movimento antifascista na ação que ficou conhecida como a revoada das galinhas! Essa resistência há de voltar!

Havendo organização e disposição de nós progressistas, é possível combatê-lo. Inclusive, é necessário! Somente a unidade e a luta irão garantir a manutenção de direitos essenciais e irão barrar o avanço do fascismo e a retirada de diretos. Sim, é necessário fazer de tudo, e mais um pouco, custe o que custar. Nos países europeus que têm tido o constante crescimento dos movimentos da extrema direita, cresce também a resistência antifascista com intuito de barra-los!

No Brasil, desde 2015, o movimento antifascista vem crescendo progressivamente, mas em ritmo lento. Devido principalmente à resistência dos movimentos reformistas de reconhecerem este fenômeno como necessário, tendo que admitirem que contribuíram para o avanço destes grupos ao se omitir das contradições de classes e tentarem uma conciliação (além de banalizarem o termo e não o levarem a sério), assim como, pelo erro recorrente de cair no esquerdismo e transformar a luta antifascista em ganguismo. Precisamos disputar o espaço, entrar nos sindicatos e exercer influência junto ao proletário, assim como ocorreu com a CNT, buscar as origens da luta libertária e realizar formação e aprofundamento no assunto!

A normalização da barbarie, como temos visto, é justamente a construção de consenso sobre o fascismo. E o fascismo não se discute, se destrói!




Tópicos relacionados

Opinião

Comentários

Comentar