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TRABALHADORAS DA SAÚDE

O aumento de 600% de óbitos de enfermeiras pela COVID-19 que Bolsonaro e governadores não veem

O país chega a mais de 190 mortes de enfermeiras em menos de dois meses. Profissionais da enfermagem seguem expostos ao coronavírus por falta de EPIs e treinamento.

sexta-feira 19 de junho| Edição do dia

A pandemia escancarou a precarização do sistema público de saúde, com hospitais chegando ao colapso, falta de leitos e até mesmo de proteção individual para os próprios trabalhadores da saúde, que encaram de frente a crise sanitária. Esse absurdo fica expresso com os números crescentes de mortes dos profissionais de enfermagem, que chega a atingir aumento de 600% em quase dois meses.

O Brasil é o país com mais casos de mortes de enfermeiros, ultrapassando países com alto registro da doença. Fica evidente que o negacionismo de Bolsonaro e a falta de respostas para combater a pandemia dos governadores, que agora empurram a reabertura para garantir os lucros, já custa mais de 47 mil mortes, dentre elas quase 200 são de enfermeiras.

Entre os profissionais de enfermagem foram registrados mais de 17 mil casos de suspeita ou casos positivos para coronavírus, sendo 85% mulheres, e 196 mortes, que no total de óbitos 65% são mulheres. Da categoria, 84,6% são mulheres e 53% negros, que enfrentam extensas jornadas de trabalho, a precarização, os baixos salários e que são submetidos a arriscar suas vidas para combater a pandemia sem equipamentos de proteção individual. Sabemos que a enfermagem, que é a categoria da saúde que em sua maioria tem mais mulheres e negros, é também a mais exposta.

São Paulo registra o maior número de vítimas no ranking, com morte de 40 enfermeiras, logo em seguida vem o Rio com 36 mortes. Desde o início da crise governadores, como Doria em São Paulo, Witzel no Rio de Janeiro e entre outros, não garantiram testes e nem equipamentos de proteção, fizeram com que muitos trabalhadores do grupo de risco seguissem trabalhando e agora implementam uma reabertura, para salvar os lucros dos capitalistas, mesmo não garantindo o básico para os trabalhadores durante toda pandemia. Bolsonaro segue com a sua linha negacionista e também não dá a mínima para salvar as vidas de milhares de brasileiros, está mais preocupado em governar para os banqueiros e preservar a imagem do Exército, dando abertura para a militarização do ministério da saúde.

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) já recebeu mais de 7 mil relatos de falta ou insuficiência de EPIs, além de déficit de profissionais de enfermagem. As enfermeiras, seja no Brasil até os Estados Unidos, não ficaram caladas e em diversos locais de trabalhadores organizaram suas mobilizações exigindo condições dignas de segurança.

Prestamos solidariedade a todas as enfermeiras e demais trabalhadores, que tem enfrentado com muita força essa crise. Para que tenha de fato recursos para garantir proteção necessária para todos os profissionais da saúde é preciso levantar o não pagamento da dívida pública, taxar as grandes fortunas e lutar por um sistema de saúde pública sob controle dos trabalhadores. Além disso, é urgente batalhar por um plano de reconversão das indústrias têxteis e outras mais que possam produzir EPIs e outros insumos, sob controle auto-organizado dos trabalhadores para garantir as condições de biossegurança, e expulsar os patrões das fábricas que se neguem a fazê-los.

Para arrancar essas medidas, mais do que nunca é necessário fortalecer uma política pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, sem confiar nas alas autoritárias como o STF e os governadores, lutando por uma alternativa dos trabalhadores através da Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que o povo possa decidir sobre como responder a pandemia.




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