Política

ATO DIA 01/04

O ato de 1/4 precisa combater também o impeachment e a direita

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

segunda-feira 21 de março de 2016| Edição do dia

Boa parte dos trabalhadores e da juventude não sai às ruas porque percebe que nem a direita e seu impeachment, nem o governismo e sua defesa dos ajustes oferece uma saída. Esse setor busca uma alternativa para lutar contra ambos, sem favorecer a nenhum dos dois. O ato convocado pela CSP-Conlutas junto ao Espaço de Unidade de Ação pode oferecer essa perspectiva. Para isso, não pode ignorar as mudanças na conjuntura, e manter os planos formulados quando se avaliava que o impeachment não tinha força, e as palavras de ordem de seis meses atrás.

O governo, o PT e Lula decidiram pela sua entrada no ministério para buscar uma governabilidade com ajustes, para dar ao governo condições de atacar muito mais duramente. Ao mesmo tempo o governo prepara ainda mais repressão, com a Lei Anti Terror. No entanto, isso não pode levar a ignorar o avanço da direita e as medidas que uma parcela da burguesia está tomando, inclusive recorrendo a um fortalecimento do judiciário e da polícia federal e ao uso de recursos autoritários, punições sem julgamento, que se voltarão contra os trabalhadores e o povo pobre.

É preciso enfrentar entre os trabalhadores e a juventude a ilusão de que se possa combater o governo e os ajustes com a ajuda e o fortalecimento da direita, da política, do judiciário, de figuras como Sergio Moro, e com o uso de medidas autoritárias. Explicar como a luta contra o plano do governo de atacar ainda mais, colocando Lula no ministério, não pode se dar através de uma figura como Gilmar Mendes, que sequer esconde se reunir com Serra-PSDB logo antes de dar a liminar suspendendo a nomeação de Lula, sem que ele tenha sido julgado. Se o impeachment já dá ao congresso afundado na lama todo poder de decisão sobre o governo, a incerteza sobre se o restante do STF, um plenário de 11 juízes que não são eleitos por ninguém, manterá ou não a decisão de Gilmar Mendes só mostra o grau de fortalecimento de medidas políticas por fora de qualquer controle ou expressão da vontade popular, às quais a direita e uma parcela da burguesia recorrem para garantir nada mais que os seus interesses.

É preciso também oferecer uma alternativa para os trabalhadores e jovens que querem lutar contra essas medidas, que reconhecem seu caráter autoritário e o reacionarismo da direita que patrocina o impeachment, e que estão tendo sua disposição de luta sequestrada pelo governismo, que se apropria dela em defesa do governo e de uma saída que também significa a intensificação dos ajustes.

Para isso, é necessário que os atos de 1/4 se posicionem claramente contra o impeachment e as manobras do judiciário. Não fazê-lo é deixar o espaço aberto entre os trabalhadores e a juventude para a política da direita, e não se diferenciar claramente dela. A ideia de que se posicionar contra o impeachment é o mesmo que defender o governo significa não reconhecer a possibilidade de combater o governo sem o impeachment e a direita que o patrocina, porque se fortalece com ele, significa aceitar esse mecanismo reacionário e abrir mão da construção de uma via independente, dos trabalhadores, pra lutar contra o governo e seus ajustes.

Isso se agrava porque, conforme fotos que a CSP-Conlutas tem divulgado, manifestações em São José dos Campos têm carregado faixas defendendo “Fora todos eles! Eleições Gerais já!”, assinadas pela CSP-Conlutas. Sabemos que isso é o que o PSTU tem defendido, e que foi aprovado em instância do Sindmetal-SJC, mas não é a posição aprovada na CSP-Conlutas. E consideramos que é uma agitação equivocada, que não se contrapõe ao impeachment, nem se diferencia da direita, e ainda fica dentro dos estreitos limites deste mesmo regime – não a toa está sendo defendida por setores como a Rede de Marina Silva.

Por isso, propomos à CSP-Conlutas e ao Espaço de Unidade de Ação que incorpore aos atos de 1/4, como um de seus eixos, expresso nas faixas unificadas do ato, um claro posicionamento contra o impeachment e as manobras do judiciário. Apresentamos essa proposta na última reunião da Executiva Estadual da CSP-Conlutas de SP, em 20/3, e ela foi minoritária na votação. Assim, apresentamos aqui nossa posição ao Espaço de Unidade de Ação, e à CSP-Conlutas de todo o país, por uma política de total independência de classe nos atos de 1/4, pra que combatam o governo e seus ajustes, mas também o avanço da direita e do mecanismo reacionário do impeachment.




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