BREXIT

O Parlamento britânico descarta um Brexit sem um acordo por uma maioria de 43 votos

O Parlamento britânico descartou sair da União Europeia (UE) sem acordo com Bruxelas "a qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias".

Alejandra Ríos

Londres | @ale_jericho

sexta-feira 15 de março| Edição do dia

Nesta quarta-feira a Câmara dos Comuns aprovou, por apenas quatro votos (312 votos contra 308) uma emenda que exclui um Brexit sem acordo "em qualquer data e sob quaisquer circunstâncias". A emenda de última hora foi introduzida pela conservadora Caroline Spelman e, com a sua aprovação, a Câmara foi além da moção que o governo apresentou com relutância, que descartava a possibilidade de uma saída da UE à força, mas não completamente.

No entanto, apesar do fato de que o voto ter apenas um valor consultivo e não poder anular a implementação do artigo 50 do protocolo de saída, que define a data de saída em 29 de março de 2019, é um sinal evidente de que a crise do governo se aprofunda dia a dia.

O Parlamento britânico se pronunciará na quinta-feira sobre se o governo pedirá ou não a Bruxelas uma prorrogação na data de saída. Uma primeira-ministra sem voz, por causa de uma rouquidão grave, deu uma advertência contra a sua bancada: "Se a câmara conseguir uma forma de aprovar um acordo, permitiria ao governo solicitar uma extensão do artigo 50, breve e técnica, para aprovar a legislação correspondente e ratificar o acordo alcançado com a UE". "Mas deixe-me ser clara, tal prorrogação técnica só será possível se houver um acordo pronto. Portanto, a Câmara tem que entender e aceitar que, se não está disposta a aprovar um acordo nos próximos dias, não está disposta a aprovar uma saída sem um acordo em 29 de Março, a conclusão é que deve haver uma prorrogação mais extensa que, sem dúvida, exigirá que o Reino Unido participe nas eleições europeias de maio de 2019". "Não acredito que seja o resultado correto, mas os deputados devem enfrentar as consequências das decisões que tomam", concluiu.

Por sua vez, o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, que defende um brexit leve com uma união aduaneira e um mercado comum, conhecido como "saída à norueguesa", disse: "A primeira-ministra parece não notar. O seu acordo foi rejeitado duas vezes por esta Câmara, com maiorias sem precedentes. O plano apresentado pelo Partido Trabalhista é o único com credibilidade, e já está preparado para começar a negociar".

Enquanto isso, em Bruxelas, depois de mais de dois anos de negociações, os líderes da UE estão perdendo a paciência, e fazem isso sem cuidado de serem notados. Eles querem que o governo de May assine o acordo. No entanto, a possibilidade de um "não acordo" está de volta à mesa e eles não têm dúvidas de que o governo britânico termine pedindo uma prorrogação do artigo 50, o que implica atrasar a data efetiva do Brexit. Mas o que ninguém tem claro - nem Bruxelas, nem Londres - é uma extensão de quanto tempo e, mais importante ainda, para quê.

Embora a proposta de May do dia de hoje para chegar a um acordo de saída perdeu por uma diferença de 43 votos, em comparação com 149 votos diferença ontem, refletiu a divisão profunda de sua formação. Para a votação de hoje, a presidente havia dado liberdade de voto aos deputados conservadores, no entanto, após a emenda de Spelman, pediu para que acatem a disciplina partidária, ou se abstenham. Em uma sessão sem igual da divisão Tory, quatro ministros do gabinete desafiaram May abstendo-se. Entre eles, Ambar Rudd, o ministro do Trabalho e Pensões, que declarou que um brexit sem um acordo seria ruim para a economia do país. Da mesma forma, seis membros do gabinete distanciaram-se da presidente para apoiar uma proposta de "Brexit controlado". Por sua vez, o vice-presidente do eurocéptico e influente Grupo de Investigação Europeu (ERG, em Inglês), declarou "seguirei votando contra este acordo quantas vezes for submetido a votação".

Desde o primeiro dia como primeira-ministra, o cavalo de batalha de Theresa May foi negociar a saída do Reino Unido da UE. Seu acordo foi fortemente rejeitado duas vezes e ela está perdendo aliados dia após dia. Outro presidente nas mesmas circunstâncias teria renunciado. O que sustenta isso, ninguém sabe. Talvez o fato de ninguém querer estar em seu lugar nem se encarregar de uma situação quase impossível de resolver.




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