Internacional

INVESTIDURA ESPANHA

O “No” a Rajoy no primeiro debate, sem perspectivas para o segundo

Mariano Rajoy foi rechaçado nesta quarta pelo Congresso para sua investidura e voltará a tentá-la na sexta-feira (2), com escassas perspectivas de êxito.

quinta-feira 1º de setembro| Edição do dia

Foto: EFE/Juan Carlos Hidalgo

Após dois dias de debate parlamentar em que defendeu sua candidatura à Chefe do Executivo, Rajoy alcançou 170 votos e 180 contrários.

Como era previsto, Rajoy somou os 137 votos da bancada do PP aos 32 do Ciudadanos e um de uma deputada de Canarias.

Entre os contrários, foram 85 deputados do PSOE, 71 da coalizão Unidos Podemos e 24 de várias organizações nacionalistas que completam a Câmara. Catalães e bascos somam 22 deputados no Congresso e seu apoio poderia ser fundamental para ajudar o líder do PP na votação, mas nenhum partido se presta a apoiá-lo.

Após o intenso debate no Congresso realizado pela manhã que já anunciava o “no” a Rajoy, continuaram as intervenções das organizações dos nacionalistas bascos e catalães do PNV e do PDC, que também rechaçam Rajoy, a quem afirmaram que se opõem na questão da transferência de poderes às regiões e da prática centralista.

O porta-voz do grupo catalão ERC (9 deputados), Joan Tardá, iniciou sua intervenção dirigindo-se a Rajoy e ao Tribunal Constitucional: “Não temos medo”. E o contrapôs em sua intervenção ao líder do socialista PSOE, Pedro Sánchez, que constituía uma alternativa a Rajoy, uma opção que seu partido respaldaria em troca de um referendo de autodeterminação.

O porta-voz do catalão PDC, Frances Homs, argumentou seu voto contrário ao acordo de investidura [NT. eleição indireta para chefe do Executivo realizada pelo parlamento nesse sistema parlamentarista] entre PP e Ciudadanos porque é “claramente centralizador”, não respeita a autonomia política nem financeira das regiões.

Por sua vez, o porta-voz do basco PNV, Aitor Esteban, reprovou o chefe do Executivo que “quebrou” o alto nível de autogoverno de que desfrutam as regiões espanholas, e que não houve “nem um gesto” de seu partido para buscar seu apoio, ainda que tenha se mostrado aberto ao diálogo.

A posição expressa pelos distintos porta-vozes no debate demonstra que Rajoy voltará a ser derrotado na segunda votação, nesta sexta. Essa situação poderia levar a um novo compromisso com as urnas no final do ano, o terceiro em doze meses.

Mariano Rajoy assegurou que a Espanha necessita de um governo com todos os seus poderes e não se pode estar “celebrando eleição após eleição” até que se obtenha um resultado “que agrade ao senhor Sánchez”.

O líder socialista rechaçou Mariano Rajoy pela gestão desenvolvida entre 2011 e 2015, baseada – a seu ver – em corrupção e aumento da desigualdade.

“Não podemos apoiar aquele com quem nos enfrentamos”, disse Sánchez, que acusou Rajoy de ser o líder de “um partido imputado” por corrupção, em alusão ao julgamento do PP por um caso em que estão sendo imputados cargos dessa organização.

Rajoy não quis responder essa acusação por considerar que “não acrescenta nada” a esse debate, ainda que tenha defendido ter adotado medidas contra a corrupção.
Assim como estabelece a Constituição, nesta sexta ocorrerá uma segunda votação sobre Rajoy, e o tom do debate já permite anunciar que será rechaçado novamente.

A partir de agora, abre-se um período legal de dois meses nos quais o rei Felipe VI poderia propor novos nomes para a candidatura a chefe do Executivo. Porém, se nesse prazo, 31 de Outubro, continuar sem um presidente eleito, o Parlamento será dissolvido e serão convocadas novas eleições legislativas para Dezembro.

Enquanto isso, Rajoy se mantém como presidente do Governo em função, com poderes limitados.

Tradução: Vitória Camargo




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