Mundo Operário

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS

O Futuro da Petrobras se Dilma privatizar: Vale do Rio Doce, Usiminas e Infraero

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

quinta-feira 12 de novembro de 2015| Edição do dia

Junto à luta para um acordo coletivo que não retire direitos dos petroleiros, um dos principais motivos para a greve dos petroleiros que completou 15 dias hoje é a luta contra os “desinvestimentos”, a privatização com outro nome que Dilma e o PT estão fazendo da Petrobras.

O “desinvestimento” na Petrobras é de uma proporção antinacional e privatista como não se via desde FHC. Cinquenta e sete bilhões de dólares do patrimônio da empresa serão jogados ao capital estrangeiro se o plano de Dilma prosseguir. Isto equivale a quase 40% de todo o patrimônio da maior empresa do país.

Está em negociação, e aparentemente a governista e majoritária Federação Única dos Petroleiros tende a aceitar para dar fim à greve, um “grupo de trabalho” que faça um relatório sobre os desinvestimentos. Este relatório não vinculante e sem obrigação da empresa sequer sustar as privatizações em curso não é uma trégua mas uma rendição em meio à greve histórica que está acontecendo. Este motivo, bem como a não garantia de nenhuma punição nesta greve é um dos motivos para rejeitar esta proposta como pode-se ler aqui.

É importante que todos petroleiros e trabalhadores brasileiros analisem o crime contra o país que Dilma e o PT querem cometer destruindo esta empresa símbolo da nação. Nesta semana o risco de privatizar a Petrobrás pode ser pensado à luz de três privatizações com eventos catastróficos (cada um em sua proporção): o desastre ambiental da Samarco, de capital Vale do Rio Doce e BHP Bilinton, a ameaça de fechamento da Usiminas de Cubatão (ex-Cosipa) e as 4mil demissões previstas na Infraero oriundas de sua privatização por partes.

O gigantesco desastre ambiental de Mariana que está fazendo terra arrasada de todo outrora fértil e belo Vale do Rio Doce têm às marcas da privatização e busca incessante de lucros ao custo de riscos ambientais e precarização do trabalho. A Vale do Rio Doce, privatizada por FHC, é acionista junto a imperialista BHP Billinton da Samarco. A Samarco ignorou denúncias dos trabalhadores e especialistas de riscos de rompimento da barragem, não preparou planos de evacuação e sequer de alarme. O governo Pimentel do PT, complacente com as mineradoras,foi dar entrevista na sede da Samarco reconhecendo os esforços da empresa. Os riscos ambientais da mineração são imensos, da indústria de petróleo nem falar. Uma Petrobrás privatizada significa multiplicar os riscos do país por mil. É só ver o desastre que a BP fez no Golfo do México nos EUA.

Outra cátastrofe que foi notícia esta semana é o anúncio de fechamento da Usiminas de Cubatão. Esta empresa assumiu uma das maiores e mais antigas siderúrgicas do país, a COSIPA privatizada por Itamar em 1993. Com a queda no preço do aço e sob impacto da queda dos investimentos da Petrobras que consumiam muito aço, a Usiminas quer fechar a fábrica, ela não seria lucrativa no curto prazo. Esta é a lógica das empresas privatizadas, o imediatismo, lucros bilionários em um ano são a regra, no ano seguinte sob desculpa da crise, todos na rua, fábrica fechada. Serão 8 mil demitidos se a luta dos trabalhadores da Usiminas não for vitoriosa.

Outra notícia escandalosa desta semana oriunda da privatização, desta vez uma privatização petista feita sorrateiramente, passo a passo é o anúncio de 4mil demissões na Infraero. A Infraero estatal não foi privatizada nos moldes tucanos, leilão, foi feita neste pernicioso modelo que Dilma quer para a Petrobras. A Infraero segue existindo mas seus mais lucrativos aeroportos lhe foram arrancados: Galeão, Cumbica, Brasília, Confins, Viracopos, outros mais estão na fila. Arrancaram estes aeroportos mas não venderam à iniciativa privada diziam os petistas na época, foi feita uma “parceria”, a Infraero com 50% e algum consórcio privado com outros 50%, formando uma nova empresa para administrar o aeroporto. Os trabalhadores da Infraero podiam “escolher” se viravam Odebrecht, etc, ou ir para algum aeroporto que ainda estava em mãos da Infraero. Agora a empresa “descobre” um excesso de funcionários próprios para os aeroportos que ainda estão em suas mãos e vai demiti-los.

Este é o modelo de Dilma para privatizar a Petrobras. As fábricas de fertilizantes (FAFENs) muito lucrativas um ano em outros não a depender da oscilação de preços internacionais quando privatizadas serão fechadas como uma Usiminas e arrasarão a economia de algumas cidades. As fábricas de biocombustível (Pbio) que movem regiões rurais de vários estados do país, também estão na mira da privatização petista e também afetarão fortemente não somente os petroleiros como milhares de pequenos agricultores e cidades. Pequenos campos de produção na Bahia, Sergipe, privatizados também afetarão a economia local e quando operarem o farão sob imensos riscos ambientais. Isto se repetirá de norte a sul do país.

A privatização da Petrobras tem o potencial de unir as catástrofes da Vale, da Infraero e da Cosipa em uma só imensa catástrofe social e ambiental e este é um dos motivos também de porque deve ser derrotada a privatização que Dilma e o PT estão fazendo.

Estas três catástrofes, umas maiores que as outras, são um vivo exemplo aos petroleiros e todos trabalhadores brasileiros do que não pode acontecer na maior empresa do país. Defender a Petrobrás dizendo em alto e bom “nenhuma privatização” é o passo imediato que precisa ser dado, mas também precisamos avançar e ver que a luta em defesa da Petrobras passa por lutar para que ela seja 100% estatal e administrada democraticamente pelos trabalhadores só assim impediremos seu saque pelo imperialismo ou por indicados políticos corruptos.

A luta da Petrobras em uma semana de desastres da privatização também nos aponta a necessidade de lutar pela reestatização sob controle dos trabalhadores de cada uma destas empresas privatizadas: Vale do Rio Doce, Infraero, Cosipa, entre outras. Reestatizar sob controle dos trabalhadores, sem indenizar os bilionários destruidores de vidas e do meio-ambiente, é a maneira de evitarmos novas Marianas, novas Usiminas, novas Infraeros, e colocar os vastos recursos desta nação a serviço de sua maioria e não uma ínfima minoria de acionistas que acumulam milhões às custas de desprezo às condições de segurança operacional e com a exploração do trabalho.




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