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PALESTINA

O Exército israelita assassina dois manifestantes palestinos durante a “sexta-feira de ira”

Os protestos contra a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel chegaram nesta sexta-feira a seu terceiro “dia de fúria” com pelo menos dois mortos e dezenas de feridos por mãos do Exército israelita.

sexta-feira 8 de dezembro de 2017| Edição do dia

Pelo menos dois jovens palestinos foram assassinados pelo Exército de Israel durante uma brutal repressão aos protestos da chamada “sexta-feira de ira” contra a decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Os enfrentamentos recrudesceram na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém, com dezenas de feridos por armas de fogo israelitas, enquanto que se registram manifestações nas principais cidades dos países árabes da região.

Os protestos desta sexta-feira ocorrem depois do reconhecimento de Donald Trump de Jerusalém como a capital de Israel, o que desatou três jornadas de manifestações na Palestina.

Mahmud al Masri, de 30 anos e da cidade de Jan Yunis, faleceu por feridas de bala na zona fronteiriça ao oeste da cidade, confirmou o porta-voz do Ministério da Saúde, Ashraf al Qedra. Ainda se desconhece a identidade da segunda vítima, ainda que o porta-voz do Ministério palestino de Saúde, Ashraf al Qedra, tenha confirmado as duas mortes entre os manifestantes e deu o informe de 60 feridos, todos eles por balas de arma de fogo.

Nesta sexta-feira, depois da saída das rezas, os alta-vozes das mesquitas, pediram à população que tomassem as ruas e se manifestassem em apoio de Jerusalém.

Milhares de jovens saíram às ruas nos territórios ocupados da Cisjordânia e na faixa de Gaza e se dirigiram às fronteiras, onde foram recebidos por disparos de gases lacrimogêneos e balas de arma de fogo por parte do Exército sionista e colonialista de Israel.

Na Cisjordânia e em Jerusalém, segundo dados do serviço de emergências Media Luna Roja (equivalente à Cruz Vermelha), mais de duas centenas de pessoas tiveram que ser atendidas por seus facultativos em distintos pontos da Cisjordânia: 45 delas com feridas por balas recauchutadas, três por golpes e 162 que foram atendidos depois de inalar gases lacrimogêneos.

O Exército israelita confirmou enfrentamentos em seis pontos da fronteira com Gaza e em diversas localidades da Cisjordânia.

Em Ramala, milhares de pessoas se congregaram no centro da cidade e centenas marcharam depois em direção ao posto militar no norte, onde se enfrentaram com os soldados.

O xeique Hasan Yousef, líder do movimento islamista Hamás, na Cisjordânia, disse à agência Efe durante o protesto que “a Sexta-feira da Ira é uma resposta a Trump. Marchamos para frear qualquer violação da ocupação contra nosso povo e nossos lugares sagrados”.

Outro líder do movimento, o xeique Yamal al Taweel, anunciou que “vai se abrir a batalha contra os sionistas”.

Protestos em todo o mundo árabe

As manifestações não se restringiram a Palestina, e sim, milhares de manifestantes de todo o mundo árabe saíram às ruas nesta sexta-feira, o dia sagrado dos muçulmanos, para expressar solidariedade com os palestinos e mal-estar com a decisão dos Estados Unidos.

No Egito, Jordânia, Iraque, Bahrein, Sudão e Tunísia foram organizadas marchas e concentrações em que se repetiram os slogans de rechaço ao anúncio de Trump e se viram cartazes pedindo aos governantes árabes uma resposta de maneira firme à política dos Estados Unidos.

“Com o espírito e o sangue, não deixaremos que Jerusalém se vá”, “Jerusalém é árabe e seguirá sendo a capital eterna da Palestina e não de Israel”, “Jerusalém para nós, não para os ocupantes” ou “não à judaização de Jerusalém”, foram alguns dos lemas que se escutaram nas distintas capitais árabes.

Os manifestantes pediram também o corte das relações diplomáticas com os Estados Unidos e o boicote dos produtos estadounidenses.

No Egito e na Jordânia, os únicos países que têm firmado um tratado de paz com Israel, os participantes chamaram à paralisação dos acordos.

No Cairo, centenas de pessoas protestaram dentro e fora da mesquita de Al Azhar, a mais emblemática do país e situada no centro histórico da cidade, depois da finalização da oração do meio-dia.

Em Cartum, os congregados pediram que se expulsasse o encargado de negócios estadounidense no Sudão.

Milhares de pessoas se manifestaram também em diversas cidades da Tunísia para protestar contra a decisão do presidente dos Estados Unidos.
Desde a primeira hora da manhã, e impulsionados pelos partidos políticos e organizações da sociedade civil, grupos de manifestantes se concentraram em localidades como Sidi Bouzid, Gafsa, Kebili, Sfax e Kairouan, quarta cidade santa do islã.

A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel não só significa um respaldo aberto ao governo direitista e colonialista de Netanyahu, mas também uma provocação aberta ao povo palestino que considera Jerusalém como a capital do futuro estado próprio. As repercussões vieram de imediato não só no rechaço da maioria dos países, mas também nos protestos que começaram em todo o Oriente Médio, uma região que por si já é convulsiva e que com a decisão de Trump, ameaça acender fogo.




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