Internacional

O Estado espanhol mantém bloqueios e embargos imperialistas mesmo na crise do coronavírus

A crise do coronavirus desencadeou crises humanitárias em países que vem sofrendo embargos imperialistas como Irã e ameaça outros como Cuba e Venezuela. O Estado espanhol deve levantar seus bloqueios e sanções imperialistas e destinar seus mais de 12 bilhões de Euros de verba militar ao combate ao COVID-19.

domingo 22 de março| Edição do dia

Entre as ações imperialistas em que o Estado espanhol toma parte, os bloqueios, embargos e sanções econômicas têm um profundo impacto nas condições de vida de muitos povos, o que se agrava agora com a multiplicação de contágios na crise sanitária.

O governo “progressista” mantêm sua participação direta em bloqueios, como no caso da Venezuela, ou de forma indireta ao participar de grupos, como a OTAN, que apoiam ativamente bloqueios estado-unidenses contra países como o Irã.

O povo Iraniano está sofrendo desesperadamente não só por causa de um dos surtos mais graves de coronavírus no mundo, mas também pelas paralisantes sanções que impedem a compra de medicamentos e alimentos que tem prejudicado a capacidade do governo em responder à pandemia de forma eficaz.

Até 20 de março, o Irã tinha quase 20.000 casos confirmados positivos para COVID-19 e 1.433 mortes – O maior número excluindo China e Itália. “Segundo nossa informação, a cada 10 minutos morre uma pessoa por causa do vírus e temos mais 50 infecções a cada hora no Irã”, disse Kianush Jahanpur, porta-voz do Ministério de Saúde persa.

Embora a maioria dos equipamentos de proteção, como máscaras e desinfetantes, sejam produzidos no Irã, o isolamento político e econômico provocou uma escassez que é difícil de mitigar. As sanções tornaram quase impossível que o país exporte petróleo e importe medicamentos, ajuda médica e os alimentos que são essenciais para lutar contra o surto que se somou às já difíceis condições do bloqueio imposto em 2019.

As sanções também exercem uma pressão a mais sobre a danosa crise financeira iraniana. Como indicador da gravidade da crise, o país solicitou na semana passada um empréstimo de emergência de 5 bilhões de Dólares ao FMI, a primeira vez desde a revolução ocorrida em 1979.

Maduro, na Venezuela, pede a mesma quantia ao FMI, organização notória por sua exploração dos países latino-americanos e terceiro mundistas em geral, além de impulsor consciente da ideologia neoliberal responsável pelo desmantelamento dos sistemas de saúde do mundo inteiro, com consequências catastróficas ao controle de epidemias. E, também na Venezuela, a chegada dos primeiros infectados com COVID-19, vindos da Espanha, fizeram soar o alarme de um país em grave crise de escassez devido ao bloqueio e sua subsequente desvalorização monetária.

Esta situação obriga os venezuelanos a gastar três vezes mais em equipamentos de teste ao coronavírus em relação a países que não sofreram sanções, dificultando gravemente a capacidade do governo venezuelano para responder a pandemia.

Desde 2018, o Estado espanhol é um dos grandes impulsionadores de novos embargos e sanções à Venezuela por parte da União Europeia, que já vêm sendo aplicados pelos Estados Unidos. Não por coincidência o Estado espanhol é um dos países com maior presença política na América Latina.

Em 2019, as sanções se intensificaram para incluir um embargo petrolífero (a economia venezuelana se baseia fortemente no petróleo) e uma proibição de todas as transações com entidades estatais venezuelanas como a PDVSA, assim como à terceiros que faziam negócios com a Venezuela.

Este é o caso das sanções às empresas que enviavam petróleo venezuelano para Cuba, aonde também tem notificado seus primeiros casos de infectados pelo COVID-19. As autoridades cubanas estimam que entre abril de 2018 e março de 2019 o bloqueio estado-unidense causou perdas à cuba ao redor de 4 bilhões e 343 milhões de dólares, situação que afeta diretamente os recursos disponíveis ao sistema sanitário para o combate ao vírus.

O Estado espanhol segue mantendo seu exército imperialista mesmo em plena crise do coronavírus

Até o presente momento [20 de março, data da publicação original], o exército espanhol está atuando na República Centro-africana, Somália, Mali, Senegal, Oceano Índico, Turquia, Bósnia, Colômbia, Afeganistão, Iraque e Líbano. O faz graças a diversos mandatos e coalizões como UE, ONU ou OTAN, e se dedicam ao controle do território, à defesa dos navios mercantes europeus ou ao enfrentamento contra forças locais.

Além desta contribuição direta, se mantém a base norte-americana de Rota, que pode ser utilizada sem controle algum para as operações estado-unidenses na região, assim como as bases de Morón, Torrejón ou Zaragoza que estão sob a disposição da OTAN e seus países-membros. Isso faz parte de um DNA de um regime que carrega parte da culpa pelos milhares de pessoas que morrem todos os anos tentando atravessar o Mediterrâneo, um regime que anunciou que levantará as cercas de Ceuta e Melilla, mas que manterá abertos seus centros de detenção para imigrantes ilegais (os CIEs).

À medida que o coronavírus aumenta seu alcance em todo o mundo, os países que mais lutam contra esta crise humanitária deveriam receber uma colaboração internacional em lugar de bloqueios econômicos de consequências tão nefastas como estas.

É necessário denunciar a participação do Estado espanhol na guerra econômica imposta a esses países, pedir o fim imediato das sanções para reduzir ao máximo as mortes e o sofrimento e retirar suas tropas das missões imperialistas. Ao mesmo tempo, se deveria utilizar o orçamento do exército, cujo valor alcança 12.130.444.000,00 Euros por ano, para abastecer a saúde e a população de materiais e instalações que são demandadas nestes tempos de crise sanitária.

Para a classe trabalhadora de toda a Espanha é fundamental lutar contra o imperialismo, começando por seu próprio país. Porque quem explora e humilha as classes populares no estrangeiro são os mesmos que precarizam e trivializam as condições de vida de milhões de trabalhadores no Estado espanhol.

Texto traduzido por Bernardo Lacastagneratte do original em espanhol , publicado no Izquierda Diario España, integrante da Rede Internacional de Diários La Izquierda Diario




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