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O ’Brexit’ provoca fortes abalos na Europa e tem conseqüências para o Brasil

O triunfo da saída da Grã-Bretanha da União Europeia no referendo de 23 de junho representou um terremoto político na Europa com repercussões globais. É talvez a máxima expressão até o momento do estado de ânimo “anti-sistema” que sacode o panorama político nos países centrais.

André Acier

Natal | @AcierAndy

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

Se é certo que a Grã-Bretanha há muito tempo não é uma potência econômica e militar como foi durante a Segunda Guerra Mundial, o Brexit significa uma aceleração na perda de influência britânica no mundo. A principal relação dentro da Aliança Ocidental já não é aquela entre EUA-Grã-Bretanha, mas entre Estados Unidos e Alemanha (como ficou claro no conflito da Ucrânia, principal conflito europeu desde a década de 1940). A saída da Grã-Bretanha do bloco europeu diminuirá ainda mais o significado dos britânicos para o governo norte-americano.

Ademais, o resultado do referendo reabriu as tendências à desagregação do Reino Unido. A Escócia, onde venceu o “Remain” (permanecer) por 62%, já anunciou que não está disposta a aceitar o resultado e que fará todo o possível para seguir pertencendo à União Europeia. Isto poderia implicar um novo referendo para separar-se da Grã-Bretanha, que diferentemente de 2014 tem mais possibilidade de triunfar. A Irlanda do Norte, que também decidiu permanecer por 55%, pode seguir o mesmo caminho.

Quanto à política interna, o partido tory (Conservador) se tornou um vespeiro. Há divisões para saber quem será o sucessor do primeiro ministro, que renunciou depois do triunfo do Brexit. Já o Partido Trabalhista se encontra numa “guerra civil”. A ala direita do partido está aproveitando a derrota no referendo para eliminar Jeremy Corbyn, eleito como “renovação pela esquerda” da liderança trabalhista em 2015.

O grande ganhador com este plebiscito de caráter reacionário foi a extrema direita, representada pelo UKIP (Partido Independente do Reino Unido) que hegemonizou a campanha agitando o ódio nacionalista contra os imigrantes. Toda a extrema direita européia aplaudiu esta decisão, até mesmo o racista Donald Trump, candidato a presidente dos EUA. Isso não torna a posição de “ficar” na UE uma alternativa progressista. Longe do embelezamento da mídia liberal sobre a permanência na União Europeia capitalista, a atual política de austeridade contra os trabalhadores, e a política reacionária anti-imigrante são dos próprios governos da UE.

O Brasil será afetado pelo Brexit. A desvalorização da libra (moeda britânica) gera uma saída de capitais do Reino Unido e uma incerteza crescente que estimula a afluência dos capitais para o país mais seguro: os Estados Unidos. Esse mecanismo valoriza o dólar e diminui o preço das matérias-primas (principal fonte de exportação brasileira). Os preços do petróleo e a da soja, assim como a direção do fluxo de capitais são fatores chaves que influenciarão com força a economia do Brasil.

A unidade européia sob o comando do capitalismo se mostrou catastrófica para os trabalhadores e uma utopia reacionária. Mais do que nunca é preciso colocar no centro a luta por uma saída operária e socialista à crise na perspectiva dos Estados Unidos Socialistas da Europa que supere a dicotomia a União Europeia imperialista e o “retorno à Europa das Nações” da extrema direita.




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