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Novo partido de Bolsonaro, quer criar tropa de mulheres e jovens contra os direitos de mulheres e jovens

Estatuto de novo partido de Bolsonaro, Aliança Pelo Brasil, cria "órgão de ação" de jovens e mulheres. Um marketing "inclusivo" para aprofundar seus alvos preferenciais.

terça-feira 26 de novembro| Edição do dia

O Estatuto do novo partido de Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, com legenda confirmada de número 38, chegou a sua versão final e será assinado pelo presidente, por Karina Kufa e Admar Gonzaga, ambos advogados. O blog"O Radar" da Veja teve acesso à última versão do estatuto, com 27 páginas publicou algumas informaççoes.

O novo partido de Bolsonaro contará, além das áreas tradicionais dos partidos, como tesouraria, conselho de ética, procuradoria jurídica, entre outros, com três "órgãos de ação": “Aliança Mulher, Aliança Jovem e Aliança Inclusiva”.

O partido formado, entre algumas figuras, por ex-parlamentares do PSL, que cada qual à sua forma já mostrou em seus discursos um violento machismo e que apoia medidas, como por exemplo o Projeto "Verde e Amarelo", que irá atacar profundamente jovens e seus direitos trabalhistas, cria "seções" para prosseguir fazendo demagogia com setores brutalmente atacados por este governo.

A Aliança Mulher, destinada à promoção e difusão da participação política das mulheres, é um verdadeiro desaforo vindo de um presidente que, ao assumir, colocou ao seu lado no governo a ministra Damares, que defende concepções retrógradas e sexistas contra as mulheres, como por exemplo, de que as mesmas deveriam se voltar aos lares e que, no caso das jovens que sofrem abuso, o problema estaria na falta de uso de roupa íntima.

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De mulheres como esta, o movimento de mulheres não deve se aliar. Damares e as "figuras femininas" que acompanham Bolsonaro e que fazem parte de sua base aliada, são verdadeiras inimigas das mulheres, defendendo retrocesso de leis e batalhando para que o movimento de mulheres nunca avance por outros, como a batalha histórica deste movimento pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

O partido também se disporá à ter uma política para fomentar o ingresso de jovens na legenda, com filiados que não superem a idade de 35 anos. Tendo em vista que a juventude protagonizou todos os atos em rechaço à este governo e suas medidas, Bolsonaro tenta criar sua base de juventude reacionária dentro de seu partido.

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Enquanto isso, Bolsonaro avança com reformas e ajustes que farão com que jovens que ingressem no mercado de trabalho já não tenham perspectiva alguma de direitos trabalhistas e previdenciários, jogando aos cargos precários principalmente a juventude negra, que hoje é o principal perfil dos trabalhadores de aplicativos de entrega como Uber, iFood e Rappi.

O estatuto também deixa claro que Bolsonaro quer um partido "pra chamar de seu": as deliberações partidárias se darão em convenções, que em última instância, terão decisões deliberadas por decisão do presidente, que no caso será ele mesmo.

A divisão do PSL, que se anunciava com rusgas entre sua base desde o começo do ano, se concretizou após declarações de Bolsonaro contra o presidente do PSL, Luciano Bivar. Em seu novo partido, Bolsonaro aponta que continuará tentando construir uma base que se norteie a partir de sua política pró-imperialista, entreguista e capacho dos EUA, garantindo uma dura agenda de ataque contra os trabalhadores e a juventude, para livrar a cara dos capitalistas da crise que eles mesmos criaram. Tenta com os órgãos de ação de jovens, mulheres e "inclusão" fazer um marketing para aprofundar seus ataques.




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