LEILÃO PETRÓLEO

Novo leilão entrega mais um campo aos interesses dos acionistas estrangeiros da Petrobras

Nessa quinta-feira, foi arrematado mais um dos 6 blocos oferecidos no megaleilão de pré-sal que começou no dia de ontem. Mais uma vez a Petrobras em sociedade com empresas chinesas, venceu a oferta e terá direito de exploração sobre o bloco de Aram. Do valor esperado com a venda, R$ 7,8 bilhões, a União arredou não mais que R$ 5,5 bilhões.

quinta-feira 7 de novembro| Edição do dia

Como já demonstramos em outros artigos do Esquerda Diário, apesar dos grandes monopólios de petróleo – anglo-holandesa Shell, a francesa Total, a inglesa BP, a americana ExxonMobil – terem ficado de fora, não significa que qualquer interesse “nacional”, muito menos popular, prevaleceu nessa negociata.

Mesmo que a Petrobras tenha levado grande parte dos campos ofertados no megaleilão da cessão onerosa, as imensas riquezas e lucros do petróleo continuarão sendo drenadas pelo imperialismo, já que vão para os acionistas privados alocados nas bolsas de Nova York e demais praças financeiras.

Todos os royalties e recursos obtidos com a venda desses campos não vão para a saúde, educação, não. Vão direto para pagar as contas de dívida pública, fraudulenta e ilegítima, com grandes bancos internacionais que lucram regulando a compra e venda de títulos, que se valorizam na medida que mais recursos públicos estejam sendo garantidos para o seu pagamento.

Basicamente é um mecanismo do imperialismo para subordinar todo o orçamento público do país aos seus negócios, prometendo de volta alguns “investimentos” que, do contrário que diz Guedes, não significarão nenhuma melhora na situação do emprego e das condições de vida da população.

O que se tem dito do porquê que essas empresas imperialistas decidiram não participar do leilão, se deu em função de um boicote às regras de partilha que estão colocadas, que preveem o destino de uma fração de 23,4% dos lucros para a União. Ou seja, essas empresas querem abocanhar tudo e sem contrapartida. O passo seguinte de Guedes e do seu ministro de Minas e Energia foi anunciar que os blocos que não foram vendidos serão leiloados novamente em 2020 sob um regime que não o de partilha.

O governo, em parceria com a Globo, vinha comemorando antecipadamente que essa seria a maior entrega do petróleo da história, e com isso pretendia receber R$ 105, bilhões, por uma riqueza que está estimada valer na casa dos trilhões. No entanto, arrecadou R$ 70 bilhões, muito menos que o esperado, sendo desses R$ 68 bilhões por Búzios pagando o valor óleo-lucro mínimo de 23,4%, cuja compra ficou a cargo da própria Petrobras e das chinesas CNOOC e CNODC com 5% cada. Itaipu também foi arrematada pela Petrobras por R$ 1,76 bilhões, patamar mínimo, enquanto Sépia e Abapu sequer tiveram compradores.

A verdade é que a privatização do petróleo já vem desde os governos do PT e foi acelerada por Temer e Bolsonaro. São campos, refinarias e recursos que passaram a ser alvo do plano ultraliberal de Guedes e Bolsonaro. Além disso, Petrobras está gerida de acordo com o objetivo de gerar o máximo de lucros para seus acionistas privados, muitos deles estadunidenses, portanto o resultado desse leilão está muito longe de ser uma vitória dos trabalhadores.

É fato que as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, dirigidas por PT e PCdoB, não organizaram nenhuma mobilização contra o megaleilão do Pré-sal, assim como deixaram ser aprovada a Reforma da Previdência recentemente. São parte responsável para que em todos os anos de governo do PT a Petrobrás seguisse servindo aos lucros do capital financeiro e pelo aprofundamento da política neoliberal de FHC de privatização da empresa.

Nossa batalha deve ser por uma saída que atenda aos interesses dos trabalhadores e do povo, contra qualquer privatização das nossas riquezas naturais, contra as reformas e ataques do governo, por uma Petrobras 100% estatal, gerida de forma democrática e transparente pelos petroleiros, com o controle da população, para impedir o roubo das nossas riquezas pelos grandes empresários e também qualquer forma de corrupção. Essa é a única maneira de a produção de petróleo de fato contemplar as necessidades da população.




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