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PANDEMIA RN

Novo colapso sanitário no RN: o lucro acima da vida para Álvaro Dias e Fátima Bezerra

Um novo surto de casos da COVID-19, com a confirmação da atuação das novas cepas da doença no Rio Grande do Norte, parece levar Natal e o estado ao seu pior momento da pandemia até agora. Os hospitais colapsaram novamente e voltamos a ter fila por leitos, com municípios como João Câmara tendo ficado sem oxigênio na semana passada. Álvaro Dias e Fátima Bezerra, apesar da sua demagogia, seguem governando à serviço dos patrões e são responsáveis por termos chegado até esse ponto. Só será possível travar um combate definitivo à doença e evitar tragédias como a de Manaus impondo pela luta e organização um plano realmente científico que priorize a vida dos trabalhadores em detrimento dos lucros capitalistas.

quinta-feira 25 de fevereiro| Edição do dia

Um novo surto de casos da COVID-19, com a confirmação da atuação das novas cepas da doença no Rio Grande do Norte, parece levar Natal e o estado ao seu pior momento da pandemia até agora. Os hospitais colapsaram novamente e voltamos a ter fila por leitos, com municípios como João Câmara tendo ficado sem oxigênio na semana passada. Álvaro Dias e Fátima Bezerra, apesar da sua demagogia, seguem governando à serviço dos patrões e são responsáveis por termos chegado até esse ponto. Só será possível travar um combate definitivo à doença e evitar tragédias como a de Manaus impondo pela luta e organização um plano realmente científico que priorize a vida dos trabalhadores em detrimento dos lucros capitalistas.

11 hospitais públicos do estado já atingiram 100% de lotação. Os hospitais particulares estão 90% ocupados em Natal e 80% na Grande Natal. A capital potiguar concentra quase metade das 3500 mortes no RN. A fila de espera por um leito de UTI para os casos graves da COVID-19 já ultrapassou o número de vagas, com pessoas sendo transportadas de cidade a cidade, em especial nos interiores, para encontrar alguma cama. Segundo o governo do estado, a internação já é maior do que no auge da pandemia em Junho de 2020. Os potiguares não estão sozinhos nessa situação, no Acre a população vive uma explosão de casos de Covid junto a um surto de dengue e a enchentes que já atingiram 100 mil pessoas. No outro extremo Porto Alegre também está com os hospitais colapsando, assim como a São Paulo de João Dória em meio à reabertura das escolas.

A chegada das novas cepas inglesa e manaura são um novo problema que, assim como os demais só pode ser explicada entendendo que a gestão da pandemia não foi uma guerra travada pela burguesia e seus representantes como dizem. Se recusaram a controlar a disseminação e atualização do vírus em troca de salvar os lucros dos capitalistas. No Brasil de Bolsonaro, é também produto das consequências trazidas pelo avanço do projeto golpista de país, que atacou ainda mais o sistema de saúde, os laboratórios e universidades, com mais cortes e avanço paulatino da privatização. Aprofundou a expansão da informalidade do trabalho para quase metade da população, que não teve escolha senão trabalhar durante a pandemia.

Veja também: Novas variantes do Coronavírus: testes e sequenciamento massivos já!

Bolsonaro e o general Pazuello são os principais responsáveis pelo que acontece em todo o país. Seu negacionismo e desprezo com a vida dos trabalhadores é responsável por Manaus, que deixou faltar até mesmo oxigênio, pelo atraso na vacinação. São a expressão mais decadente daquilo que os grandes latifundiários, oligarcas, banqueiros nacionais e internacionais estão dispostos a se apoiar para manter a maior parcela da população trabalhando ou poderem demitir livremente. Agora avança com a PEC Emergencial, querendo cortar ainda mais da saúde, da educação, congelando salários, em meio ao aumento dos combustíveis e dos alimentos, como condição para a volta do auxílio emergencial.

O prefeito Álvaro Dias, que ironicamente é médico, faz de tudo para atender os interesses da Fecomércio, os donos das redes de hotéis, bares, etc, de manter a população trabalhando, inclusive investindo milhões em vermectina, tal como Bolsonaro, enchendo os cofres das indústrias farmacêuticas. Além disso, demite 400 trabalhadores das escolas e despeja famílias do viaduto do Baldo em meio a explosão de casos na cidade.

Junto dele, a governadora Fátima Bezerra (PT) são responsáveis pela situação que vivemos no estado. Após quase um ano de pandemia, não foi organizado nenhum plano sério de combate à pandemia. Não garantiram a testagem massiva da população para rastrear o vírus e isolar cientificamente os contaminados, garantindo salas de hotéis, prédios, para a realização de quarentena especializadas, controladas pelos trabalhadores da saúde e cientistas e leitos de UTI. Fátima inclusive atuou junto com o governador João Dória para pedir ao STF a PROIBIÇÃO da necessária unificação dos leitos privados aos do SUS, e logo depois começou a desativar os poucos leitos que foram abertos no período. E agora, deposita toda confiança no mesmo STF golpista para poder comprar as vacinas.

A governadora emitiu um decreto essa semana com medidas restritivas a serem implementadas nos estados, como bares e restaurantes a partir das 22h. Uma medida completamente paliativa, já que antes das 22h as pessoas vão seguir se contaminando nos ônibus lotados, no trabalho. Demagogicamente Fátima cobra a população que tenha “consciência” nas ruas, que use máscaras, e oferece aumento do policiamento, armas, inclusive em parceria com o Ministério da Justiça de Bolsonaro, enquanto faltam até mesmo bobinas de oxigênio e outros insumos básicos. Cobrou o prefeito de Natal para que seguisse a medida de fechamento de bares, que nem isso queria fazer, mas se trata de uma demagogia absurda, pois os dois se reúnem juntos com os representantes das empresas e do comércio de todo o estado para tomar qualquer medida.

Não é com policiamento e repressão que se pode combater o vírus. João Dória declarou toque de recolher das 23h às 5h nas cidades do estados de SP, o que além de manter toda a população se expondo todo o dia, vai significar a repressão ainda maior nas periferias, com a desculpa de garantir o isolamento que ele nunca organizou. Organizações como o PSTU defendem que é necessário exigir dos governos a implementação de lockdown, que na prática é exigir o endurecimento de medidas repressivas contra a população, que certamente atinge mais diretamente bairros e setores operários do RN, que inclusive vão seguir se expondo para ir ao trabalho.

O único jeito de evitar que o pior aconteça no RN é um plano que se enfrente com os lucros capitalistas. Em primeiro lugar é necessário um plano de emergência para o SUS, garantindo leitos, oxigênio e respiradores. Frente a completa insuficiência de vacinas, graças ao desserviço de Bolsonaro, mas especialmente por conta da repugnante guerra de vacinas, que protege as patentes das grandes indústrias farmacêuticas em detrimento de que tenha vacina para todos. A irracionalidade capitalista precisa ser combatida com uma forte luta por vacina a todos, com a quebra das patentes e produção massiva sob controle dos trabalhadores junto a profissionais da saúde, técnicos e cientistas das universidades. Um plano que deve incluir uma política de vigilância genômica organizada por cientistas que mapeie as variantes que estão circulando e se formando, permitindo respostas rápidas quanto ao isolamento e atualização de vacinas necessárias.

A imediata intervenção estatal de todas as empresas farmacêuticas e laboratórios, para colocá-los sob o controle dos profissionais de saúde e servir a planos racionais de produção e distribuição de vacinas e testes, com vistas à nacionalização dessas empresas sob controle operário, junto com todos os recursos da saúde privada. A reconversão da produção nas indústrias para garantia de todos os insumos necessários para o combate ao COVID-19. Ou seja, um plano de ação controlado pelos trabalhadores, que vimos que são a única classe essencial e que pode nos conduzir para fora dessa catástrofe sanitária, econômica e social.

Essa saída é possível através da luta, com a juventude, mulheres, negros e LGBTs a frente dessa batalha, em especial nas universidades, como a UFRN, que foi responsável pela detecção do vírus, são um pouco do grande papel que os vários estudantes, pesquisadores, técnicos da universidade poderiam cumprir para esse plano. A batalha por esse plano colocaria em questão a necessidade de derrotar o projeto do golpe institucional, que com Bolsonaro aliado a Arthur Lira, Pacheco, agora querem aprofundar com a PEC Emergencial e o novo orçamento.

Nesse momento em que há uma disputa entre autoritarismos do STF e dos militares, é urgente que as centrais como CUT e CTB saiam da sua eterna quarentena a serviço do projeto do PT de vencer as eleições de 2022, e organize em cada local de trabalho a força que pode barrar Bolsonaro e os golpistas e impor uma saída operária para pandemia. A UNE, que fez um chamado a mobilização no dia 25 que não construiu, deve buscar romper com a fragmentação imposta pela pandemia e o ensino remoto, organizando reuniões e assembleias de base para que os estudantes pudessem votar um plano de lutas contra esses ataques de forma unificada com os trabalhadores e avançar para que as universidades coloquem todas as suas forças para responder à pandemia.

Editorial: As disputas entre o STF e as Forças Armadas reatualizam a luta contra o regime do golpe institucional




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