"CURA GAY"

Novo PGR assinou carta que falava de “Cura Gay”. “Não li” foi a resposta de Aras na CCJ

Augusto Aras, o novo PGR de Jair Bolsonaro votado no Senado hoje, assinou a carta de teses e princípios da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, que fala sobre "Cura Gay" e tratamentos compulsórios contra LGBTs, além da preservação de uma família "heterossexual e monogâmica". Segundo Aras, ele assinou a carta sem ler.

quarta-feira 25 de setembro| Edição do dia

Augusto Aras, o indicado de Jair Bolsonaro para assumir a Procuradoria Geral da República, foi sabatinado na tarde de hoje no Senado, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Sua indicação foi aprovada pelos senadores com 68 votos favoráveis, e 10 contrários, e agora falta apenas a sanção de Bolsonaro para a posse.

Durante as praticamente 5h30 de sabatina com o novo PGR, um dos temas chamou bastante atenção. Fabiano Contarato (REDE-ES) questionou Aras sobre a sua assinatura em uma carta de teses e princípios da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), que falava de “Cura Gay”, e de tratamentos compulsórios à LGBTs, caso que em 2017 ganhou enorme repercussão, e foi exaltado inclusive pelo ainda deputado na época, Jair Bolsonaro. O documento ainda tem um tópico exaltando a “família” e a heterossexualidade, dizendo que “a instituição familiar deve ser preservada como heterossexual e monogâmica”.

Ambas as partes citadas, bem como o documento de conjunto são representação de uma posição absurda e extremamente homofóbica por parte deste grupo de juristas evangélicos. Não surpreende que o indicado de Bolsonaro para a PGR tenha se alinhado com este tipo de posição, e que seja mais um a fortalecer as fileiras do governo alinhado ideologicamente com Bolsonaro na sua cruzada contra as mulheres, os negros e os LGBTs.

Agora, a resposta de Augusto Aras beira o ridículo. Não deixa espaço para fugir de críticas. Sua justificativa é que assinou a carta sem lê-la por inteiro, tentando se relocalizar dizendo que não é contra o casamento entre LGBTs e nem contra o direito de que as pessoas se relacionem com quem queiram. Ou seja, assinar o documento o coloca numa posição de defesa das ideias reacionárias e obscurantistas da Anajure, de defesa da “família tradicional”, heterossexual e monogâmica, e por outro, a sua resposta mostra a cara do novo PGR, que supostamente assina documentos sem ler. Uma verdadeira vergonha.

Vivemos hoje um governo marcado por sua faceta completamente racisma, machista e homofóbica, a cara que Bolsonaro quer imprimir em sua política. Um governo de ataques aos direitos de todos os setores oprimidos da sociedade diariamente. Vivemos no país que mais mata LGBTs no mundo. No país onde o presidente discursa na ONU, e fala sobre o “direito mais básico” das crianças, que seria o “direito biológico”, um discurso homofóbico, transfóbico, e pronto para alimentar esse sentimento reacionário e de ataque ao direito à sexualidade de jovens e adultos, homens e mulheres.

Devemos nos enfrentar com essa moral evangélica transmitida por Bolsonaro, que a alimenta em seus discursos, que a alimenta com ataques à cultura, à educação, como quer o Escola Sem Partido, como quer o governo com seu medo gigantesco da palavra “gênero” nas salas de aula, e do direito à educação sexual nas escolas. Devemos nos enfrentar contra o obscurantismo de Bolsonaro, apoiados na juventude que se levantou e segue se levantando contra o governo e suas medidas reacionárias.




Tópicos relacionados

Governo Bolsonaro   /    Cura Gay   /    PGR   /    Jair Bolsonaro   /    Homofobia e Transfobia   /    LGBT

Comentários

Comentar