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Novo Ministro da Educação defende censura, perseguição e religião nas escolas

Ricardo Rodríguez, ferrenho defender do Escola Sem Partido, antimarxista e professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, é anunciado na noite desta quinta, 22, como novo Ministro da Educação, após bancada evangélica ter rechaçado o nome de Mozart Neves Ramos.

sexta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Considerado moderado pela bancada evangélica, pouco ofensivo diante do esdrúxulo projeto de lei "Escola Sem Partido", que visa censurar e perseguir os professores em sala de aula, proibindo o debate político, histórico e em especial sobre gênero e sexualidade, Mozart Neves foi proposto para a pasta e logo rechaçado. Segundo os religiosos não tinha "afinidade ideológica" com o novo governo, e ela "muito técnico".

Ricardo Vélez Rodríguez, parece preencher o perfil procurado pelo novo governo e aqueles para quem governa, que exigiram alguém mais "linha dura" com os professores, o fato de Vélez ser professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército diz muita coisa sobre ele, assim como o fato de ser professor de ensino religioso.

Os reacionários que querem levar a escola de volta ao obscurantismo, base dura do novo governo Bolsonaro, estão na ofensiva para impor suas pautas e sua ideologia persecutória e de extrema direita no país. Uma de suas principais demandas é a perseguição dos professores e uma educação acrítica e nada científica nas escolas.

Em mensagem postada no último dia 7 em seu blog, Rodríguez atribuiu sua indicação ao cargo ao "filósofo" Olavo de Carvalho, próximo da família do presidente eleito e uma referência do pensamento conservador e retrógrado.

"Gostaria de comunicar a todos a indicação de Ricardo Vélez Rodríguez, filósofo autor de mais de 30 obras, atualmente professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, para o cargo de ministro da Educação", escreveu Bolsonaro, em sua conta no Twitter.

O anúncio foi feito um dia depois de a bancada evangélica vetar o nome de Mozart Neves, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, para o cargo. De perfil técnico, Mozart chegou a ser convidado por Bolsonaro, mas a escolha provocou atrito com integrantes da Frente Parlamentar Evangélica - que faz parte da base de apoio do presidente eleito no Congresso. Para eles, Mozart Pessoas próximas do educador disseram que ele não aprovava o Escola sem Partido.

Sobre educação, Velez deixa clara sua afinidade com projetos como o Escola sem Partido. Segundo ele, os brasileiros seriam "reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de revolução cultural gramsciana, com toda a corte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero".

Ainda, defende o fim do ENEM, acredita que o modelo atual de educação estaria "destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em suma, do patriotismo".

Schelb não foi reacionário o bastante

À tarde, antes do anúncio do novo ministro, Bolsonaro se reuniu por três horas com o procurador regional do Distrito Federal, o reacionário Guilherme Schelb. Ao deixar o encontro, Schelb disse que tinha apoio "muito significativo" da bancada evangélica e reafirmou ser a favor do movimento Escola Sem Partido.

Ele acusa professores de usarem ideologia de gênero como "pretexto" para cometer crimes e disse que todos os "doutrinadores" são de esquerda. Defende a perseguição por parte de pais, alunos e trabalhadores da educação, e rígido controle das aulas. Segundo informações da Folha de S. Paulo, ele avaliava que os professores fazem o que "bem entendem" atualmente no País e acrescentou que a sala de aula "também é território brasileiro". Aparentemente, não foi reacionário o bastante para a bancada da bíblia.




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