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29M | Novas manifestações dia 19J: como evitar que sejam inofensivas como querem as direções burocráticas?

As centrais sindicais dirigidas pelo PT e PCdoB ficaram meses em uma paralisia enquanto os ataques aos trabalhadores foram aprovados. Agora convocaram manifestações com um claro objetivo eleitoral apenas para desgastar o governo, mas não para levar até o final a nossa luta, tanto é que chamam o próximo dia para um sábado, que tem menos impacto, ao invés de chamarem uma paralisação nacional em dia de semana que pudesse potencializar ações de rua de forma radicalizada. Por isso, não podemos nos enganar com os objetivos dessas direções burocráticas.

quinta-feira 3 de junho | Edição do dia

Foto: Taba Benedicto/Estadão

Após o dia 29 de maio, que expressou um descontentamento da juventude e de um setor da população contra Bolsonaro e os impactos da crise, o dia 19 de Junho está sendo chamado como nova data. Queremos debater aqui quais devem ser nossos objetivos e perspectivas com esse dia de mobilização, para que nossa luta não seja para desgastar o governo e preparar as eleições de 2022 como querem as direções burocráticas. A crise exige uma saída para agora com base na auto organização dos trabalhadores em unidade com a juventude.

Bolsonaro já mostrou que é um inimigo dos trabalhadores e da juventude. Não pensa duas vezes para atacar a educação ou aprovar medidas como a MP da morte. Seu objetivo é apenas um: salvar o lucro dos patrões enquanto descarrega a crise nos mais pobres. Por outro lado, o STF, congresso e os governadores, apesar de tentarem se diferenciar do governo federal, também mostram que não são uma saída para a crise. Desde o início não garantiram medidas básicas de prevenção para os trabalhadores e a população, como testes massivos. Além disso, setores como Doria que tentam aparecer como “responsáveis” nessa crise, aplaudiram quando Bolsonaro aprovou que os empresários poderiam suspender contratos e reduzir salários na pandemia.

É nesse cenário, em meio a mais de 460 mil mortes, que aconteceram os atos do dia 29 de maio mostrando um grande descontentamento que estava acumulado há um tempo. Esse descontentamento estava sendo “comprimido” pelas centrais sindicais e pela UNE, que com o objetivo de alimentar ilusões no impeachment que colocaria Mourão no poder ou na CPI que é um teatro para salvar o regime do golpe institucional de 2016. Agora, os sindicatos e a UNE, dirigidas pelo PT e PCdoB, chamam as manifestações que mostraram uma disposição de luta de diversos setores, mas com um objetivo: desgastar Bolsonaro para preparar as eleições.

O fato do ato acontecer em um sábado é uma questão a se discutir. Seria muito forte se os sindicatos chamassem uma paralisação nacional, afetando diretamente a produção e o lucro dos patrões, para a classe trabalhadora entrar em cena e fazer os empresários e o governo tremerem. Isso, unificado com a força da juventude que agora se ativou contra os cortes nas universidades, poderia ser uma enorme potência para organizar a luta a partir de cada local de trabalho e de estudo, com assembleias de base. Para isso os sindicatos dirigidos pelo PT e PCdoB devem colocar suas energias, e não para fazer um palanque para Lula, que já colocou que quer perdoar os golpistas, construindo atos que só buscam desgastar o governo para preparar as eleições.

Veja mais: E se metroviários, professores e entregadores chamassem um grande dia de paralisação no país?

O 29M precisa seguir com uma agenda de mobilizações, chamando uma paralisação nacional, para confiarmos somente em nossas forças para derrotar Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe e fazer com que os trabalhadores paguem pela crise.

É preciso ter claro o papel que Lula e o PT cumprem para conter e controlar as mobilizações mirando 2022. Enquanto Lula negocia com diversas figuras como FHC, Sarney e Kassab, ignora as manifestações para preservar suas alianças com golpistas e burgueses, que também são responsáveis por todos os ataques que foram implementados desde o golpe, e que Lula já sinalizou que não serão revertidos por ele.

Fazemos um chamado aos partidos de esquerda como o PSOL e PSTU a exigirem que os sindicatos ao invés de impulsionar palanques, impulsionem um plano de lutas, com assembleias de base nos locais de estudo e trabalho. A CSP Conlutas e a Intersindical podem dar o exemplo e desde as categorias que dirigem e organizar assembleias que votem um dia de paralisação nacional e um chamado à que a CUT e a CTB encampem essa política.

Nesse cenário, é necessário vermos que a única saída possível para a crise é apostar na nossa mobilização, dos trabalhadores unificados com a juventude, que levante fortemente o Fora Bolsonaro, Mourão e os Militares, junto com um programa independente para a crise.




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