Gênero e sexualidade

LUTA PELO DIREITO AO ABORTO

Nova jornada de protestos contra a restrição da lei de aborto

Outra vez, milhares de mulheres saem às ruas polacas em uma nova “segunda-feira preta” contra a proibição do aborto. No último 3 de outubro, milhares de mulheres em greve inundaram as ruas de numerosas cidades da Polônia.

segunda-feira 24 de outubro| Edição do dia

Novamente, as principais cidades polacas são cenário de massivos protestos de mulheres contra a possibilidade de que se restrinja a lei de aborto na Polônia, a partir de uma proposta legislativa de proibi-lo totalmente.

Esta nova jornada de protestos tem lugar depois que no último 3 de outubro ao redor de 100 mil mulheres polacas vestidas de preto saíram à rua para protestar contra uma iniciativa parlamentar para a proibição quase total do aborto e para penas de prisão para àquelas que abortassem e à equipe médica.

A iniciativa, batizada de “segunda-feira preta”, conseguiu que três dias depois do passado 3 de outubro o parlamento polaco acabasse indeferindo a proposta de proibir o aborto, apesar de ter atribuído isso ao abaixo assinado de iniciativa popular que reuniu meio milhão de assinaturas.

Nesse momento, o detonante do protesto se produziu no último 23 de setembro, quando o parlamento polaco admitiu em processo uma iniciativa popular que propõe proibir a interrupção voluntária da gravidez, penas de prisão para as mulheres que abortem, maiores punições para os médicos que realizem os abortos e inclusive a abertura de investigação nos casos de aborto natural.

O partido Lei e Justiça, que controla a câmara baixa em sua maioria absoluta depois das últimas eleições, disse então que rechaçava a proibição do aborto e as penas de prisão, ainda que se mostrou partidário de limitar a atual lei para, por exemplo, evitar a interrupção da gravidez na hipótese em que se detecte que o feto sofre de síndrome de Down.

O ideário deste partido se identifica com os valores da Igreja Católica, onde também se aplaude qualquer avanço para endurecer a lei de aborto de 1993, que só permite abortar em caso de má formação do feto, grave risco para a vida da mãe e gravidez por estupro.

O líder do Lei e Justiça, Jaroslaw Kaczynski, defendia há dez dias endurecer a lei de aborto para impedi-lo na hipótese de grave má formação do feto, inclusive quando se sabe que o bebê morrerá ao nascer, “de maneira que a criança possa ser batizada, enterrada e ter um nome”.




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