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Nova York se mobilizou contra a nomeação de Kavanaugh à Suprema Corte

Na tarde de segunda-feira, milhares tomaram as ruas de Nova York para se opor à nomeação de Brett Kavanaugh.

quinta-feira 4 de outubro| Edição do dia

O juiz Brett Brett Kavanaugh foi nomeado por Trump para a Suprema Corte dos EUA em julho e já acumula três denúncias por abuso sexual.

Este juiz, inimigo dos direitos das mulheres, das pessoas LGBT e dos imigrantes, concederia ao máximo tribunal uma maioria automaticamente conservadora.
Numerosas organizações sociais se manifestaram pelas ruas de Nova York contra sua nomeação e para denunciar o caráter antidemocrático da Suprema Corte de Justiça, e contra o machismo e a cultura do estupro.

Reproduzimos abaixo as entrevistas às manifestantes e a fala de Tre Kwon do Left Voice, parte da Rede Internacional de Diários Esquerda Diário:

Manifestante 1:
Rechaçamos o feminismo do 1%. Sabemos que não existe feminismo sob o capitalismo e sabemos que a libertação das mulheres está amarrada à libertação do povo neste país.
Manifestante 2:
Para mim, não se trata apenas de frear esse homem, mas sim de construir um movimento que possa eliminar tudo e substituir nossos sistema por um que seja realmente para a população, porque este sistema nunca foi assim.
Manifestante 3:
É necessário que as pessoas saiam às ruas para mostrar o poder que as massas tem para colocar a insatisfação que temos, a raiva e a frustração que temos.

Tre Kwon, do Left Voice.
“Sou Tracy Kwon, do Left Voice. Sou anticapitalista e socialista; e isso é maravilhoso.
Adivinhem quem está aqui hoje para nos ver e enviar uma mensagem para Kavanaugh sobre esta farsa de democracia? Temos todos os meios para enviar-lhes nossa mensagem; o que estamos fazendo é justiça real, esta é a justiça do povo.
Todos lembramos de Anita Hill* há 15 anos. Estamos aqui para certificarmos que isso não ocorra novamente. Foi confrontada por um muro de homens brancos com cara de pedra, e foi humilhada duplamente. Primeiro com o abuso sexual de Clarende Thomas, e logo por um sistema que limita as mulheres e não permite a verdade, não permite que a verdade se dirija a poder.

Estamos aquí para certificarmos que isso não aconteça novamente.
Se Kavanaugh pegasse a parte de baixo de um vaso sanitário, raspasse toda a merda e a transformasse em um homem, ainda não seria tão ruim como Kavanaugh. Representa a apatia machista, o patriarcado, a negação. Ele representa a cultura do estupro que enfrentamos hoje.
Mas se Cavanaugh se transforma em juiz da Suprema Corte, não será uma mancha em um conselho de juízes celestiais e intocáveis. O que já temos, as 8 pessoas junto às quais presidirá, já tem lançado um grande ataque contra a classe trabalhadora e as mulheres, aprovando a decisão de Janus** há alguns meses. Este foi um ataque direto e sem precedentes aos nossos direitos para lutar juntos, lutar e ganhar, pelo que viemos hoje.
Assim, Kavanaugh se juntaria aos juízes da Suprema Corte, a cúpula da antidemocracia.
Não escutamos, nem escutaremos isso do Partido Democrata. Não escutaremos a denúncia à natureza antidemocrática intrínseca, histórica e antiga da Suprema Corte. Não vão colocar fim a esta injustiça.
Temos que confiar no nosso poder, na nossa mobilização. A indignação, em sua justa medida, que temos para expressar aqui em frente ao Yacht Club, frente a população de Nova York.
Confiaremos em nossas ações, de mobilizar a classe trabalhadora nas escolas, nos locais de trabalho e nas ruas.
Não podemos esperar e ver o que acontece nas audiências do Senado, seguiremos em frente”
.

*Anita Faye Hill é uma professora da Universidade de Brandeis, advogada e ativista conhecida porque em 1991 acusou o candidato da Suprema Corte dos Estados Unidos, Clarence Thomas, de haver abusado desa sexualmente enquanto era seu supervisor na EEOC (Equal Employement Opportunity Commission) na década dos 80. Seu testemunho serviu para levar o tema do abuso sexual à atenção pública; e ainda que não tenha conseguido frear a confirmação de Thomas como membro do máximo tribunal de justiça dos Estados Unidos, o caso de Anita Hill serviu para tornar públicos outros escândalos de abusos sexuais. Graças à sua declaração, o número de denúncias anuais por agressões sexuais aumentou de 6.883 em 1991 a 7.400 em 1992.

**Janus foi uma resolução contra as e os trabalhadores do estado, que impede seu direito de greve, com a qual se estão enfrentando centralmente as e os professores em numeroso estados.




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