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Nota do Comitê do Esquerda Diário do curso de Ciências Sociais da USP sobre o ato no Hospital Universitário

Os trabalhadores se fazem presentes com suas exigências tais como a dispensa imediata de funcionários em grupo de risco e contratações emergenciais, alem de testes para os funcionários e mais transparência sobre o estoque de EPIs junto com a compra dos equipamentos necessários!

quinta-feira 23 de abril| Edição do dia

Diante da pandemia do coronavírus, nos deparamos com uma crise sem precedentes não só com relação a saúde, mas economicamente e politicamente também. A cada dia vemos a combinação desses fatores se materializando numa barbárie destinada aos trabalhadores, sob a forma de ataques econômicos visando salvar o mesmo sistema que preparou as condições sanitárias a custo da vida dos próprios trabalhadores, ou mesmo de casos de uma absurda negligência em relação a saúde e segurança dos mesmos. Essa lógica não se reproduz apenas nas decisões do nosso governo e de tantos outros no mundo, mas, na própria relação entre os patrões e seus funcionários ou por dentro de outras instituições também.

Nesse sentido, a Universidade de São Paulo vem demonstrando um grande exemplo de descaso em relação a vida dos trabalhadores, submetendo eles a uma rotina de trabalho sem as condições mínimas de prevenção, como vem acontecendo com os funcionários do Hospital Universitário, ou com os trabalhadores terceirizados nas demais unidades. Sendo que até agora vieram a falecer três funcionários, entre efetivos e terceirizados, por conta dessa situação.

No HU, os trabalhadores, seguem trabalhando sem equipamentos de proteção ou testes suficientes e sobrecarregados na medida em que o corpo de funcionários vem sido reduzido há anos. Mesmo os trabalhadores que são grupo de risco vem sendo obrigados a trabalhar, arriscando suas vidas diariamente na linha de frente de conter essa crise. E já existem pelo menos 10 casos confirmados de funcionários infectados pelo coronavírus de diferentes áreas.

O mais revoltante desse caso é o enorme cinismo da reitoria ao considerar o precário funcionamento da universidade, não só da perspectiva dos funcionários, mas também em relação aos estudantes, como “normal”. Talvez, para gestores que já vem aplicando uma política consciente de desmonte e precarização da universidade, um cenário como esse não foge da normalidade de sua rotina, mas, enquanto estudantes que constroem um comitê dessa mídia militante, não podemos nos calar em relação a esse enorme absurdo!

Como já foi dito não existe normalidade na atual situação, armados do lema "A USP não vai parar" a reitoria levanta tal bandeira em plena pandemia e nessa conjuntura o desmonte constante que a USP vem sofrendo a anos se mostra presente na figura da precarização que afeta cada vez mais a Universidade de São Paulo como um todo, não se atendo somente ao HU.

Diante de tal conjuntura os trabalhadores se fazem presentes com suas exigências tais como a dispensa imediata de funcionários em grupo de risco e contratações emergenciais, alem de testes para os funcionários e mais transparência sobre o estoque de EPIs junto com a compra dos equipamentos necessários! Para embasar tais reivindicações e lutar por uma universidade melhor para todos, tal como melhorar a capacidade dos trabalhadores para enfrentar essa situação, nós alunos devemos nos posicionar em repúdio as politicas atuais e a favor dos trabalhadores, devemos tratar esse momento com seriedade, nós como juventude e como estudantes devemos nos fazer presentes não somente mostrando as insatisfações para com as medidas tomadas até então mas também propondo novas politicas e mostrando nosso ponto de vista, pois só assim unidos poderemos enfrentar o momento atual.

Por isso ressaltamos a importância do ato que ocorrerá nessa quinta-feira, dia 23/04, no qual os trabalhadores do HU se manifestarão para denunciar essa situação e exigir seus direitos. O ato acontecerá 12:30 no Hospital Universitário, seguindo todas medidas de segurança sanitárias e ao mesmo tempo, impulsionaremos a hashtag #HUdaUSPemLUTA nas redes para divulgar essa ação nesse mesmo horário.




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