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#NotWithThem: Mexicanos contra Clinton e Trump

O apoio do presidente mexicano Enrique Peña Nieto ao candidato Republicano racista espalhou indignação por todos os lados. Entretanto, Clinton também tem políticas que atingirão os mexicanos. É por isso que nós não estamos #ComNenhumDeles (#NotWithThem, na hashtag original).

terça-feira 8 de novembro| Edição do dia

Tradução: Letícia Parks

O apoio do presidente mexicano Enrique Peña Nieto ao candidato republicano racista Donald Trump espalhou indignação por todos os lados, marcando o começo do que pode se tornar um nova onda de protestos antiimperialistas massivos no país.
Através da história, o México foi forçado a se submeter como colônia à força imperialista. No século 19 era acorrentado à Espanha e à França. Com a anexação de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados de terra em 1848, após as ações do exército norte-americano, o gigante do norte se posicionou como poder imperialista dominante.

Essa subordinação do México inclui a entrega de seus recursos naturais para os países imperialistas e a super exploração da classe trabalhadora mexicana. Também significa subordinação política e militar.

México em face a uma recolonização

O controle dos EUA sobre o México avançou rapidamente nos últimos 20 anos, ao ponto de a recolonização tornar-se um fato – começando com a firmação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, a sigla em inglês) em 1994. Hoje, o jugo imperialista significa entregar recursos naturais para grandes corporações globais, como as companhias mineradores que tem permissão para utilizar cerca de 20% do território nacional, ou que companhias de petróleo possam hoje explorar o território nacionalizado em 1938. O governo argumenta que o México não tem o equipamento necessário para seguir a extração de maneira independente, então eles permitem que empresas estrangeiras extraiam o petróleo mexicano lado a lado com a estatal PEMEX.

Houve um crescimento nas condições precarizantes de trabalho e diminuição de direitos para trabalhadores nos setores industriais como as maquilas que produzem auto-peças e eletrônicos. Essas companhias conquistam lucros altíssimos enquanto os trabalhadores mexicanos são super-explorados, fazendo do país o maior centro de produção e importação para os EUA.

Outra face da subordinação aos EUA pode ser vista na ininterrupta “guerra às drogas” e a militarização imposta pelo Plan Mérida, que levou a mais de 150 mil mortes, dezenas de milhares de desaparecidos e uma escalada de feminicídio, junto a inumeráveis violações de direitos humanos. Por trás do desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa, e os massacres em Tlatlaya, Tanhuato, e Apatzngán, está a presença do imperialismo dos EUA. Esses massacres, perpetrados pelo exército Mexicano, foram a consequência da militarização e crescimento da presença de forças armadas nas rotas de imigração, ambas trazidas pelo Plan Mérida.

A casta política mexicana se ajoelha para a Casa Branca

Apesar da briga entre Republicanos e Democratas para ver quem sucederá o Presidente Obama, ambos os candidato são representantes claro dos interesses imperialistas norte-americanos. Donald Trump é um racista comprovado que se utiliza de retórica de ódio contra imigrantes, acusando-os de serem criminosos e terroristas. A sua grande proposta repetida vez após outra, é a construção de um muro ao longo da fronteira EUA-Mexico para acabar com a imigração, junto a um plano agressivo de deportação em massa de trabalhadores latino-americanos.

Hillary Clinton – ou Killary, como alguns setores da juventude e organizações de esquerda começaram a chamá-la, fazendo uma alusão a palavra kill, matar em inglês – é parte da velha “casta política” dos EUA, com laços estreitos com Wall Street e as lideranças militares. Ela tomou posições intervencionistas para defender os interesses das corporações norte-americanas por todo o mundo, mais notadamente, apoiando o golpe em Honduras. Se opôs a redução das forças militares no Afeganistão e Iraque e levou tropas para a Siria.

Muitos acreditam que ela terá uma política internacional mais de rapina que o próprio Obama, o que é muito levando-se em consideração seus muitos empenhos imperialistas. Obama sai da sala presidencial depois de oito anos de guerra, intervenção militar em sete países, e 3 milhões de imigrantes deportados. Alguns membros do Partido Republicano inclusive preferem ela como presidente do que a própria nominação de seu partido, Trump.

Para os trabalhadores mexicanos, não importa qual dos dois passará a morar na Casa Branca. Ambos candidatos significam a piora de condições para nós. É ingênuo esperar que o sistema possa ser transformado pelas mãos dos partidos que mantém a subordinação de nosso país.

Essa é uma versão estendida de um artigo que foi publicado no La Izquierda Diario, Mexico

Estudantes e trabalhadores mexicanos se somaram a campanha #NotWithThem (#ComNenhumDeles). Veja os motivos que eles tem contra hillary e Trump.




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