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DECLARAÇÃO MOVIMENTO NOSSA CLASSE EDUCAÇÃO

Nossa Classe retira sua inscrição da eleição no SINPEEM e chama unidade contra burocracia

A situação que vivemos no país é dramática! São mais de 7 mil mortes, mais de 100 mil contaminados. Todos os dias estamos vendo cenas chocantes de valas comuns sendo abertas e o sofrimento do povo aumentando ao mesmo tempo que os patrões os governos de Bolsonaro, Dória, o Congresso Nacional e o Judiciário aprovam medidas para descarregar a crise econômica ainda mais nas costas dos trabalhadores e, nesse momento em que os trabalhadores mais precisam dos seus sindicatos o que a direção do SINPEEM e Claudio Fonseca tem a lhes oferecer? UMA ELEIÇÃO TOTALMENTE ANTI-DEMOCRÁTICA EM MEIO À PANDEMIA E DE COSTAS PARA O SOFRIMENTO DOS PROFESSORES E DO POVO!

terça-feira 5 de maio| Edição do dia

Mesmo após várias declarações de diversos setores da categoria exigindo o adiamento das eleições para a diretoria do SINPEEM em meio a pandemia e o forte repúdio da categoria com este processo eleitoral, completamente insensível e antidemocrático, a direção do sindicato e Claudio Fonseca decidiram manter o pleito.

Nós, do Nossa Classe Educação, desde o início batalhamos pelo adiamento das eleições e chamamos todos os setores da oposição no sindicato e os lutadores da categoria a levantar uma campanha por uma Consulta Virtual, para que a categoria pudesse opinar sobre os rumos do sindicato. Sabemos que para enfrentar a pandemia, a crise econômica e política do país vamos ter que superar os entraves de Claudio Fonseca, seu grupo e as mais de duas décadas de um sindicato usurpado da mão dos educadores, e nessa batalha é fundamental a unidade dos setores da Oposição, por isso propusemos que as oposições saíssem em uma chapa conjunta de repúdio a essa eleição, de combate a direção do sindicato e com um programa que defendesse verdadeiramente os trabalhadores, nesse momento em que as mortes já se contam aos milhares. Infelizmente nossas propostas não tiveram eco dentro dos demais setores da oposição.

A imposição das eleições e o autoritarismo de Claudio Fonseca obrigou que todos aqueles que se negam a deixar o sindicato e a categoria nas mãos desses traidores inscrevessem suas chapas, mas a batalha contra as manobras anti-democráticas e essas eleições ilegítimas deve continuar.

Inscrevemos a chapa do Nossa Classe Educação para dar voz aos trabalhadores do chão da escola que não se vêem representados na politica adotada pela atual diretoria do sindicato e para poder ampliar o alcance das vozes de repúdio dessa eleição anti-democrática e colocar na primeira ordem os necessários combates que se impõem com a crescente contaminação e número de vítimas fatais da Covid-19, assim como os ataques às condições de vida dos trabalhadores, principalmente dos setores oprimidos da sociedade, as mulheres, o povo negro e LGBTS.

Enquanto Claudio Fonseca quer calar a voz dos professores, e se recuse a permitir que nosso sindicato represente os setores oprimidos da nossa classe, temos orgulho de que a nossa chapa seja composta por mulheres, negros, mães e educadores reais da categoria e tenha expressado esse chamado aos trabalhadores, para que se indignem e se organizem frente as milhares de mortes no país, inclusive de professores, pais de alunos e crianças das nossas escolas. Mortes essas que Bolsonaro e os militares, os governadores, parlamentares como Maia e Alcolumbre, e o judiciário pouco se importam ou pior diretamente desprezam e por isso aprovam inúmeros ataques as condições de vida e não garantem o mínimo sequer para o combate a crise da saúde pública em meio a pandemia. Querem descarregar dos efeitos da crise econômica nas nossas costas, como a recente aprovação com votos do PT, PSB e PDT, para o congelamento de salários dos servidores municipais, estudais e federais, além do fim dos planos de carreira.

Mas tendo em vista os inúmeros absurdos na condução de todo o processo eleitoral e a postura de ignorar todas as exigências de diversos setores pelo adiamento das eleições, nós da chapa Nossa Classe Educação decidimos que nossa chapa inscrita no último dia 22 não concorrerá no processo eleitoral se este se der durante a pandemia, como parte de repudiar este processo eleitoral, batalhar pela organização dos trabalhadores na base e ampliar a unidade contra a chapa majoritária de Claudio Fonseca, a Compromisso e Luta.

Acreditamos que a retirada das chapas da oposição de forma unificada, com uma declaração conjunta, seria a melhor forma de fortalecer a denúncia em comum que estamos levando a frente contra essas eleições. Novamente não foi o caminho que optaram a oposição do sindicato. Ainda assim, consideramos correta a decisão da chapa da Unidade da Oposição de não participar destas eleições completamente antidemocráticas e chamamos as demais chapas a se retirarem do processo e buscarmos uma articulação dos setores de oposição que não podem mais permitir que esse tipo de absurdo se repita em nosso sindicato.

Nossa retirada não pode se confundir com a demagogia de Claudio Fonseca. Não confiamos em uma vírgula na encenação feita por Claudio Fonseca para tentar confundir os professores, em que com uma mão acenava com um pedido farsesco de adiamento e com a outra articulava via comissão eleitoral o prosseguimento das eleições. Esse processo eleitoral antidemocrático está ao gosto desses que há anos seguem traindo os professores e educadores e mantendo o controle do sindicato para atender os seus próprios interesses políticos e mantes os seus próprios privilégios.Frente a toda essa situação retiramos nossa chapa chamando os trabalhadores a nos organizar para seguir nossa batalha para retomar o sindicato para as mãos dos trabalhadores e para que estejam a serviço das nossas necessidades como o combate a pandemia, a crise econômica e política que vivemos no país.

Repudiar esse processo eleitoral no Sinpeem é fundamental para as chapas verdadeiramente de oposição a direção majoritária, e é impossível fazer esse combate a eleição totalmente anti-democrática sem questionar também quem a dirige, como fez a corrente Debate CUTista, que em sua carta propondo que as chapas se retirem do pleito, afirma que Claudio Fonseca está do mesmo lado que os lutadores do sindicato que querem o adiamento do calendário eleitoral do sindicato, afirmação que discordamos veementemente, pois sabemos o quão demagógico foi seu pedido de adiamento.

Mesmo com as chapas se retirando é importante que a batalha contra o processo eleitoral siga, e em contato com outros grupos da oposição estamos chamando uma reunião com esses setores, que permita avançar na necessária unidade dos lutadores neste momento histórico que vivemos no Brasil e no mundo. Não podemos esperar inertes até a possibilidade de se realizar novamente as eleições, mas precisamos batalhar para reativação os organismos de base do nosso sindicato como as reuniões de Representantes de Escolas (REs), as reuniões do Conselho Geral e assembleias por escolas para que possamos decidir como os educadores municipais de SP podem se organizar e lutar contra os inúmeros ataques e exigir medidas concretas de combate a pandemia.

A Oposição Unificada, que conta ainda hoje com 30% das cadeiras da diretoria do sindicato, tem uma enorme responsabilidade de incentivar e contribuir com o desenvolvimento da mais ampla unidade dos lutadores da nossa categoria para que nosso sindicato se apresente como um verdadeiro instrumento de luta. Se nos unificarmos, podemos estar mais fortalecidos para desenvolver a auto-organização dos trabalhadores da educação, promover a unidade com outras categorias e batalhar por um plano de luta que parta de exigir a revogação do congelamento dos salários por 2 anos, o pagamento imediato do JEX, TEX e HTE e o enorme ataque a educação com o EaD que é um caminho para a privatização da educação.

Nossa categoria, que em diversos momentos mostrou sua força lutando não só por si, mas pelos trabalhadores, merece um sindicato que coloque as nossas vidas em primeiro plano e articule nossas lutas cotidianas, com uma perspectiva democrática e independência de classe. Essa é a necessidade urgente do momento e é por isso que seguiremos na luta em repúdio a eleição e para retomar o Sinpeem para as mãos dos educadores.




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