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Nossa Classe Metroviários: Chapa 4 responde ao Manifesto de Mulheres Metroviárias

Nos últimos dias se abriu um debate na categoria sobre os sindicatos e seu papel na luta das mulheres através do Manifesto de Mulheres Metroviárias. Colocamos abaixo algumas considerações das e dos integrantes da Chapa 4 - Nossa Classe Metroviários - propondo um encontro para debate entre todas as chapas de cara a discutir as demandas das mulheres com toda a categoria.

quinta-feira 29 de agosto| Edição do dia

Nos últimos dias se abriu um debate na categoria sobre os sindicatos e seu papel na luta das mulheres através do Manifesto de Mulheres Metroviárias. Gostaríamos de reivindicar essa iniciativa e queremos aproveitar a oportunidade para dialogar sobre o tema com as companheiras e toda a categoria.

Nos parece bastante sintomático que esse tema tenha emergido. Estamos em meio ao governo de Bolsonaro, a consolidação do golpe institucional que, diante da crise econômica, veio para avançar sobre os direitos dos trabalhadores e setores sociais mais oprimidos. O Bolsonarismo vem com o discurso mais abertamente misógino dos últimos tempos e significa também uma reação contra os avanços e conquistas do movimento de mulheres que se expressou nacional e internacionalmente.

Somos as mulheres o setor mais atingido pelos ataques como a reforma trabalhista, da previdência e a terceirização irrestrita. Trabalhamos em média 11 horas semanais a mais que os homens, com duplas ou triplas jornadas, e agora teremos que trabalhar até os 62 anos e contribuir por mais tempo para conseguir nos aposentar. Somos também as que ocupamos os postos de trabalho mais precários e a grande maioria entre trabalhadores terceirizados.

Por isso, para combater o machismo é fundamental ter no centro o enfrentamento contra esse governo e sua ofensiva contra as mulheres. O assassinato de Marielle Franco segue sendo uma ferida aberta do golpe. Os casos de feminicídios aumentaram 76% nos primeiros meses desse ano. Bolsonaro trouxe com ele mulheres reacionárias como a Ministra Damares Alves, Joice Hasselmann e Janaina Paschoal. O atropelamento e morte da diarista Audenice em plena luz do dia no Jardins por um Porsche e o choro das mães que perderam seus filhos pela maior violência policial dos últimos 20 anos no RJ é um retrato cruel do que significa esse momento do país para as mulheres.

Doria segue na mesma linha no Metrô de SP, avançando nas privatizações e terceirizações. Um simples olhar ao redor nas estações e já é possível ver o quanto esse projeto atinge em cheio as mulheres negras e nordestinas que são jogadas na invisibilidade da terceirização que humilha e divide a nossa classe. As mulheres negras recebem em média 60% menos que um homem branco. 18% das mulheres negras que trabalham são empregadas domésticas.

No metrô, nós mulheres continuamos sem um espaço para tratar nossas demandas específicas de condições de trabalho, com a negativa da empresa em criar a subcomissão de saúde e proteção às mulheres na CIPA. Efetivas, terceirizadas, usuárias, jovens aprendizes e cidadãs, somos vítimas de assédios que seguem sem tratativa.

O projeto de Doria também pode ser sentido nas tarifas abusivas cobradas da população, trabalhadoras, estudantes, mães de família, donas de casa e desempregadas que enfrentam todos os dias os assédios dentro de um transporte cada vez mais precário e lotado.

Frente ao discurso misógino de Bolsonaro, monopólios como a Globo e instituições como o STF adotam discursos e medidas demagógicas, tentando se colocar como defensores dos nossos direitos, canalizar nossa insatisfação e conter nossa luta. Mas são os mesmos que trabalharam pelo golpe e seguem dispostos a tudo para garantir a aprovação dessas mesmas reformas e ataques que atingem especialmente as mulheres.

Por isso para avançar em nossos direitos é preciso combater o golpe, o autoritarismo judiciário, e as reformas, e nós da Chapa 4 definimos desde o princípio levar este mote, com as mulheres na linha de frente. Sempre batalhamos para que a luta das mulheres estivesse aliada à luta da classe trabalhadora. Por isso na nossa categoria somos ponta de lança na defesa da criação da Subcomissão proteção e saúde das mulheres na CIPA e na organização a partir da base através de comissões de mulheres. E também há anos levantamos a demanda pela efetivação de todos os terceirizados sem a necessidade de concurso público. E nos orgulhamos de, graças a isso, nossa chapa ser composta quase 50% por mulheres - mesmo numa categoria esmagadoramente masculina como a nossa.

Para conquistar nossos direitos, precisamos nos organizar de forma independente do PT e das burocracias sindicais. Esse partido historicamente separa nossas lutas, como direção da burocracia da CUT por um lado, atuando como freio aos trabalhadores, e por outro pela via da direção da Marcha Mundial de Mulheres, justificando os “recuos táticos” do PT em nome da “governabilidade” em aliança com setores conservadores. Tratam os ataques contra direitos das mulheres como “cortina de fumaça”, separando das demais pautas econômicas e políticas, quando na verdade cada ataque aos nossos direitos é parte de uma engrenagem que trabalha para a aplicação das reformas.

Por isso, quando dizemos no programa da chapa 4 que é necessário recuperar os sindicatos das burocracias de volta para as mãos dos trabalhadores, também dizemos que tem que ser com as mulheres na linha de frente.

Significa combater a divisão que nos impõem a direita, os patrões e as burocracias sindicais. A partir desta perspectiva, seria possível ter uma ponte entre a classe trabalhadora e a força que expressou o movimento feminista internacionalmente, exigindo que a CUT, a CTB e seus sindicatos impulsionem decididamente a luta das mulheres, desde as bases para unir os trabalhadores, a juventude e o movimento de mulheres, sendo um grande impulso para derrotar os ataques e conquistar nossos direitos. E também para recuperar as organizações sindicais burocratizadas, a partir da força das mulheres, para que os sindicatos sejam ferramentas de luta de toda a classe trabalhadora, levantando com força a demanda de todos os setores oprimidos e explorados.

Nesse sentido temos muito acordo com a necessidade que apontam as companheiras no manifesto, de que o combate às opressões se dê também a partir dos sindicatos. Principalmente no governo extremamente machista de Bolsonaro, é necessário que o debate na categoria se aprofunde e que cada companheiro de trabalho avance em tomar para si essa luta por nossos direitos, assim como poder quebrar seus próprios preconceitos no dia a dia, aprofundar o debate sobre a necessidade da legalização do aborto, contra a violência e o assédio. Por demandas como lavanderias e restaurantes nos locais de trabalho para acabar com a dupla jornada. Para garantir o direito à maternidade, que se crie lugares apropriados para a ordenha de leite e amamentação, creches e licença paternidade. E é nesse marco que encaramos também com toda sua importância o combate ao machismo dentro do movimento sindical, com apuração séria de quaisquer denúncias, garantindo também o pleno direito de defesa, e tomando as medidas educativas que sejam necessárias, como parte da batalha pelo avanço da organização do conjunto dos trabalhadores, com as mulheres na linha de frente.

Considerando a importância dessas questões e da iniciativa de um grupo de trabalhadoras de abrir essa discussão, em meio ao governo Bolsonaro e também às eleições para o sindicato, onde as discussões políticas se aprofundam, propomos às companheiras e a todas as demais chapas organizarmos um debate entre as chapas sobre este tema para que possamos aprofundar essa discussão com toda a categoria.




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