POESIA

Nós mulheres, o proletariado

Poesia em solidariedade à mobilização pelo aborto na Argentina. Somos estudantes, trabalhadoras e artistas pelo pleno direito ao corpo e à vida

terça-feira 7 de agosto| Edição do dia

Imagem: Stephanie Oliveira.

São as mulheres
A linha de frente da revolução
Somos nós
A maior parte da classe trabalhadora
São as mulheres enquanto classe
Não é o empoderamento individual
Não é o feminismo da globo
Não somos uma no poder
Somos milhares pelas ruas
Somos nós
As que ainda não morreram
Vítima de feminicídio
E aborto clandestino
Somos nós
Que ainda não fomos fatiadas
Que ainda não injetamos plástico líquido na bunda
Que ainda não fatiamos nossa barriga
Que ainda não paramos de comer
Que ainda não fizemos dieta à base de cocaína
Somos aquelas que mais sofrem com o velho
E que demos sorte de não virar estatística
E que vemos a urgência de gritar
NENHUMA A MENOS
Queremos aborto legal, seguro e gratuito
Mas queremos mais
Queremos educação sexual
E mais
Queremos contraceptivos gratuitos, de qualidade
E mais
Queremos lavanderias e restaurantes públicos
Queremos nos libertar do trabalho não remunerado
Que no entanto é vital para o capital
E queremos mais
Queremos liberdade sexual
E mais
Queremos liberdade artística
Eu queria terminar esse poema sem me preocupar que tô me atrasando pro trabalho
E mais
Queremos libertar o trabalho da alienação capitalista
E mais
Queremos uma vida plena
Queremos o pão
Queremos as rosas
Queremos a poesia
E somos nós
Mulheres trabalhadoras
Que nos levantamos hoje
Pra pegar o que é nosso
Com nossas próprias mãos

- Poney




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