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DESABAMENTO

No país dos cortes na educação, caixa-d’água desaba e mata 2 crianças em escola de Sergipe

2 crianças morreram e 8 seguem internadas após uma caixa-d'água desabar sobre uma escola municipal na cidade de Nossa Senhora das Dores, nesta segunda-feira (6). A estrutura que desabou estava enferrujada e danificada, e população pedia remoção da caixa d'água há 8 anos.

Francisco Marques

Filosofia - UFMG

terça-feira 7 de novembro| Edição do dia

Foto: reprodução G1 e Kedma Ferr/TV Sergipe

A estrutura da caixa d’água pertencia à Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) e estava instalada em um terreno ao lado da escola. Equipes de bombeiros e do Samu foram enviadas de cidades vizinhas para socorrer as vítimas em Campo Grande, um povoado de 600 habitantes dentro do município de Nossa Senhora das Dores, a 82 km da capital Aracaju.

“A caixa d’água estava com a estrutura bastante enferrujada, danificada, e caiu destruindo praticamente toda a escola”, afirmou uma funcionária da prefeitura.
Gilvan e Cícera, ambos de 6 anos, morreram na hora, e outras 17 pessoas ficaram feridas. 8 pessoas seguem internadas, sendo uma delas em estado grave.

A DESO, responsável direta pela estrutura, disse que "irá apurar tecnicamente e prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o acidente", mas o Diretor de Operações da DESO já adiantou que “nós não somos perfeitos, a manutenção é dada, se ocorreu é porque alguém não viu, passou”.

A prefeitura, comandada pelo prefeito Thiago de Souza Santos (PDT), afirmou que não sabia do risco de queda da estrutura e o próprio prefeito chegou a afirmar que “não tem como prever esse tipo de situação, infelizmente aconteceu isso. Foi uma fatalidade”.

A população local já sabia do risco de acidente e há 8 anos pedia à companhia que removesse ou desse manutenção na caixa d’água. A tragédia não foi maior porque às 13h30, horário do acidente, a maioria das crianças estava no pátio e não nas salas de aula.

Como em outras tragédias, como o exemplo do rompimento da barreira de mineração em Mariana, políticos, empresários e altos-funcionários parecem não serem responsabilizados e raramente são punidos.

Por outro lado, em um país onde escolas e hospitais já funcionam sob risco de morte de estudantes e trabalhadores, o governo Temer aprovou em dezembro de 2016 a PEC do teto de gastos que condena a educação, a saúde e outras áreas sociais a terem cada vez menos verbas, além de privilegiar sempre o pagamento da dívida pública e as desonerações e perdões de dívidas às empresas, enquanto faltam verbas para municípios e estados arcarem com cuidados básicos com suas populações.

Com informações do G1, da Folha e do Estadão.




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